10+ especial 2017 #1 – Os momentos mais marcantes da F1 na temporada

2

A temporada 2017 da Fórmula 1 acabou. Lewis Hamilton se igualou a Sebastian Vettel e Alain Prost no rol dos tetracampeões mundiais com duas rodadas de antecipação, mas não sem viver um tenso duelo com o alemão da Ferrari. Um ano em que os carros passaram por profundas modificações e, mais do que isso, os novos comandantes da F1 decidiram mergulhar de vez em novas diretrizes promocionais.

Acompanhe o PROJETO MOTOR na redes sociais: Twitter | Facebook | YouTube

Também foi um certame em que, pela primeira vez desde a adoção do atual regulamento dos motores turbo híbridos, a Mercedes se viu minimamente acossada e desafiada de forma consistente por uma concorrente (no caso, a Scuderia italiana).

Para relembrar as disputas, momentos e situações memoráveis do ano, o Projeto Motor inicia uma série 10+ especial. Nesta primeira parte elegeremos aqueles que, para nosso comitê editorial, foram os 10 momentos mais marcantes protagonizados pelos competidores dentro e fora das pistas, sem levar em conta disputas por posição (que terão uma lista dedicada apenas a elas). Confira:

Mais sobre a F1 em 2017
Debate Motor #103 – O balanço final da temporada
Cinco pontos positivos (e quatro negativos) do campeonato
Quanto os carros ficaram mais rápidos? Fizemos as contas
Giro Rápido #7 – Novo logo: o que a mudança significa?

10 – A apresentação dos pilotos em Austin ao estilo “lutadores de boxe”

Foi um ano de tentativas e erros para os novos donos da F1. De olho em criar um clima de expectativa ainda maior, houve uma mudança de protocolo antes do GP dos Estados Unidos. O famoso announcer de boxe Michael Buffer (irmão de Bruce Buffer, que ocupa a mesma função no UFC) foi o responsável por conduzir uma apresentação diferenciada aos pilotos, chamando-os individualmente à pista.

É claro que muita gente chiou com a novidade –como sempre acontece no conservador meio da F1. Os pilotos, desabituados a esse tipo de situação (especialmente instantes antes da corrida, momento de concentração máxima), pareciam sem saber o que fazer. Além disso, uma performance de dançarinos vestidos com macacões deram um ar de breguice à cena.

Mesmo assim, a surpreendente iniciativa mostra que a categoria de fato deseja repensar alguns pontos em que sempre se mostrou negligente.

9 – Os duelos fratricidas entre os companheiros de Force India

Lewis Hamilton e Valtteri Bottas? Max Verstappen e Daniel Ricciardo? Nada disso: a rivalidade interna mais explosiva de 2017 aconteceu na Force India. Sergio Pérez e Esteban Ocon se desentenderam não uma, não duas, mas sim quatro vezes ao longo do campeonato, o que causou um mal-estar sem precedentes para a equipe.

LEIA TAMBÉM: Relembre outras parcerias explosivas da F1

Depois de polêmicas em Montreal, Baku e Budapeste, a situação pegou fogo de vez no GP da Bélgica, quando ambos colidiram por duas oportunidades distintas – e Ocon chegou ao ponto de dizer que o colega tentou matá-lo em ambos os casos. Diante dos pontos perdidos, a Force India interveio e proibiu disputas entre os dois, e assim permaneceu até o fim do ano.

O final para a Force India foi feliz: o clima melhorou entre os pilotos e o quarto lugar no Mundial de Construtores foi garantido. Mas a rivalidade acabou de vez ou só está adormecida? 2018 trará a resposta, já que ambos permanecem no time.

8 – A quebra bizarra de Alonso por fazer uma curva de pé cravado

Alonso 1

A própria F1 parece entrar em consenso de que é preciso simplificar seu regulamento técnico. Mas, para quem ainda tem dúvidas, o episódio envolvendo Fernando Alonso na Bélgica mostrou como a F1 pode se enrolar com tantas geringonças.

Basicamente, o espanhol mostrou braveza durante o Q2, quando fez a desafiadora curva Pouhon com o pé totalmente cravado no acelerador. Isso fez com que seu motor Honda “se perdesse” no meio da pista e simplesmente parasse de entregar potência, mesmo que não houvesse nenhuma falha estrutural na unidade.

Apesar de ter passado batido para muita gente, foi um episódio curioso e simbólico que expressou como a F1 pode se perder (e se prejudicar) quando exagera no grau de complexidade de seus componentes.

LEIA TAMBÉM: Entenda com detalhes o problema de Alonso em Spa

7 – Hamilton iguala Senna e ganha capacete do ídolo

Como dissemos, a F1 experimentou novidades diversas ao longo de 2017. Entre erros e acertos, houve um episódio claro em que um feito marcante dentro da pista ganhou ainda mais dimensão com um toque sutil de sensibilidade.

No GP do Canadá, Hamilton anotou sua 65ª pole position e igualou o número lendário (que antigamente parecia inalcançável) de Ayrton Senna, seu grande ídolo na F1. Para celebrar o feito, a categoria promoveu a entrega de um presente da família Senna ao inglês: um capacete usado pelo próprio brasileiro durante a temporada de 1987 (o que foi visto em Montreal foi uma réplica, já que o original permaneceu na Europa por questões alfandegárias e foi entregue a Lewis posteriormente).

O que transformou o feito em algo marcante foi a forma com que isso aconteceu. Em vez de ser uma cerimônia a portas fechadas, distante, tratou-se de um gesto ainda no calor do momento, diante das arquibancadas. A combinação planejamento e oportunismo trouxe bons frutos para a F1.

6 – Filho de Schumacher pilota carro do primeiro título do pai

Uma das cenas mais bacanas foi quando Mick Schumacher, filho do heptacampeão Michael, pilotou o Benetton B194 do primeiro título do pai na manhã de domingo do GP da Bélgica, em Spa-Francorchamps. Era uma forma de celebrar os 25 anos da primeira vitória da lenda germânica na F1, conquistada justamente no templo belga.

Como não havia disponível um exemplar do B192, bólido originalmente usado por Schumacher naquela corrida de 92, o jovem de 18 anos conduziu o modelo de 1994 da escuderia ítalo-britânica, utilizando um capacete em que metade da pintura replicava o desenho exato do casco de Schumacher 23 primaveras atrás.

A emoção ficou ainda mais latente porque, no classificatório, Hamilton igualara o recorde de 68 pole positions, recebendo da esposa de Schumacher, Corinna, uma mensagem de parabéns.

5 – O inesperado pódio de Lance Stroll no GP do Azerbaijão

O agitadíssimo GP do Azerbaijão reservou muitas surpresas. De tudo rolou ao longo de 51 giros de páreo: acidentes, quebras, bandeiras amarelas e até uma sessão de toques entre os dois protagonistas do campeonato, Lewis Hamilton e Sebastian Vettel.

O status quo do grid ficou tão abalado pelos imprevistos que o estreante Lance Stroll, até então em uma campanha bastante contestada, terminou a etapa no pódio, em terceiro, mesmo perdendo uma posição para Valtteri Bottas na linha de chegada. Para se ter ideia da imprevisibilidade do feito, o canadense foi o único novato do ano a conseguir participar de uma cerimônia de premiação.

4 – A (re)despedida de Massa no GP do Brasil com direito a rádio do filho

Em 2016 Felipe Massa emocionou a todos com uma passagem a pé pelos boxes de Interlagos logo depois de bater na reta principal, naquela que seria sua despedida do GP do Brasil. O vice-campeão de 2008 foi aplaudido de pé por mecânicos de todas as equipes e espectadores conforme caminhava em frente às garagens, numa cena que o levou às lágrimas enquanto segurava uma bandeira do Brasil.

Comovente, verdade, mas também um tanto melancólico. Este ano o paulistano teve uma inesperada chance de regressar ao habitáculo da Williams, como desenrolar da aposentadoria de Nico Rosberg e consequente contratação de Bottas pela Mercedes. E chegou de novo à rodada no autódromo José Carlos Pace em clima de aposentadoria.

Só que, desta vez, Massa regozijou o momento de maneira muito mais brilhante que triste: protagonizou sua melhor exibição na temporada e, após dura batalha contra o antigo companheiro de Ferrari e nêmesis, Fernando Alonso, cruzou a linha de chegada em sétimo, sendo o melhor colocado depois do sexteto de Mercedes, Ferrari e Red Bull. O ápice de sua atuação foi a mensagem de rádio passada pelo filho, Felipinho, logo após o fim da prova.

3 – A festa de comemoração pelo tetra de Hamilton no México

Conforme já dito acima, a organização da F1 experimentou novas soluções de comunicação com o público ao longo do ano, e uma delas foi a cerimônia de coroação do título de Lewis Hamilton. Sejamos sinceros: forçaram a barra. A celebração do inglês foi bonita, sim, mas colocar uma gravação de Neymar no rádio e realizar o pódio com um DJ ao fundo soou um tanto… exagerado.

Valeu pela merecida festa de Hamilton e pela quebra do até então intocável protocolo do pódio. Ali a categoria acertadamente priorizou uma entrevista de David Coulthard com Hamilton em pista antes de realizar a premiação dos três primeiros colocados do GP do México.

2 – O acidente entre Verstappen e as duas Ferrari na largada em Singapura

O grande divisor de águas da temporada. Vettel e Hamilton vinham praticando um duelo árduo e muito parelho pelo título até o GP de Singapura. Em Marina Bay a Ferrari teria uma rara oportunidade de sair em vantagem contra a Mercedes, algo que o tetracampeão teutônico assegurou de forma magistral com uma contundente pole position no sábado.

Só que aí… veio a largada. Vettel tentou fechar a passagem do segundo colocado na grelha, Max Verstappen (numa manora absolutamente comum, diga-se), mas não contava com o fato de que seu companheiro de equipe, Kimi Raikkonen, estivesse na parte de dentro do traçado após obter uma grande partida a partir do quarto lugar.

Como já aprendemos nas aulas de física, dois corpos (quem dirá três) não podem ocupar o mesmo espaço, e então veio o desastre. Os três colidiram e deixaram caminho livre para a vitória de Hamilton. A partir dali a Ferrari derruiu de vez com uma série de problemas mecânicos (um prenúncio de que estava andando sempre mais perto do abismo que a Mercedes) e o caminho do tetra ficou facilitado para o bretão.

1 – Os esbarrões entre Hamilton e Vettel no GP do Azerbaijão

Não há muito como contestar. O entrevero entre os dois candidatos ao título durante um procedimento de relargada no GP do Azerbaijão foi, provavelmente, o lance mais assistido, comentado e dramático de toda a estação. Hamilton desacelerou quando não devia – na saída de uma curva estreita e fechada -, Vettel errou o cálculo de retomada no afã de se manter próximo do rival e a soma desses dois atos gerou um esbarrão.

Isso, por si, já teria sido de arregalar os olhos, mas eis que o germânico teve uma reação totalmente intempestiva e condenável: acreditando que Lewis teria feito um brake test (algo que o Projeto Motormostrou que não aconteceu), emparelhou seu carro em relação ao rival e deu um “totó” como sinal de desaprovação. Um lance dos mais inacreditáveis já vistos até hoje nas pistas do Mundial.

Vettel foi punido com uma passagem acompanhada de parada de 10 segundos nos boxes pelo ocorrido, e demonstrou que talvez não estivesse mentalmente tão calmo quanto o adversário na batalha. Hamilton, por sua vez, parece ter “acordado” justamente ali, pois praticamente parou de oscilar ou apresentar maus desempenhos a partir de então. Portanto, estamos falando de um desencadeamento de ações que gerou consequências para o campeonato e para a relação de rivalidade entre os dois maiores campeões da atualidade.

LEIA TAMBÉM: Por que FIA puniu Vettel, e não Hamilton, em Baku

DEBATE MOTOR – O tira-teima dos tetracampeões da F1

 Comunicar Erro

Projeto Motor

Automobilismo além da notícia!

  • Antonio Manoel

    Interessante que muitos dos grandes acontecimentos de 2017 ocorreram em Spa e falando em específico de um dos casos lá, o do Alonso… realmente passou meio batido, eu só fiquei sabendo por aqui que ele teve essa quebra repentina… ou isso ou eu vi algo na época e não me atentei tanto ao caso por ser mais um caso de quebra do motor Honda.
    Estava dividido entre a temporada de 2016 e a de 2017 como a melhor até então na era turbo híbrida, porém a cada retrospectiva dessa última, tendo à ir mais em direção à ela como a melhor em questão de atrativos, afinal foram vários itens que a tornaram interessante, sendo eles:
    O fato de dois dos maiores pilotos da atualidade terem brigado pelo título (embora este ainda não tenha ido até a última etapa, sendo definido por antecedência tanto para pilotos quanto para construtores);
    O fato destes serem de equipes diferentes e estas serem a Mercedes e a Ferrari, duas das mais tradicionais do esporte a motor, o fato de enfim a Mercedes ter visto uma rival à altura (embora a coisa tenha desandado pro final da temporada);
    Enfim ver mais de duas equipes vencendo com frequência na era atual da F1, o que não se via desde 2013 quando cinco equipes diferentes venceram corridas e ainda assim, 2017 teve uma variação maior de resultados, enquanto que em 2013, o que se viu foi uma primeira metade bem variada, enquanto que a segunda metade foi dominada pela Red Bull, que venceu da 11ª etapa até a 19ª (última), em Interlagos;
    Os carros com design atualizado, o que inclui pneus e asas mais largas (além do carro em si ter engordado um pouco), resultando em carros muito bonitos.

    Agora para 2018, também teremos alguns atrativos, como a provável briga pelo campeonato de dois tetra campeões mundiais (pela primeira vez na história) e quem sabe, a entrada de Verstappen e Ricciardo nessa briga (torço por isso) e também a mudança da Mclaren para o motor Renault…

  • [K.O.N] GAB

    Foi um ano muito bom. O melhor ano da F1 acho que desde de 2012. Brigas intensas, surpresas, essa mudança que a Liberty tá implantando… enfim, que em 2018 a coisa melhore ainda mais.