10+ Projeto Motor #28: parcerias equipe/piloto de ponta na F1 frustradas

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A F1 já teve diversas contratações por equipes de ponta que trouxeram ou roubaram uma estrela da categoria causando uma grande expectativa em todos. Se muitas deram certo, também foram várias dessas reuniões que se tornaram grandes decepções.

O critério aqui nesta lista foi de parcerias de equipes e pilotos que brigavam no pelotão da frente e que no anúncio do acordo causaram alguma esperança sobre bons resultados, mas que não conseguiram cumprir o esperado.

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Vale destacar também que o julgamento aqui não é se o piloto ou a equipe foram mal de forma independente, mas o conjunto. “Ah, mas esse aí foi culpa disso”, “Ah, mas o carro daquele ano era ruim”, “Ah, mas o regulamento…”, “Ah, o pneu…”. Não importa. O critério foi a grandiosidade dos nomes juntos e a falta de resultados.

E esse 10+ vai começar com uma menção que cumpre todos os requisitos mencionados, mas ficou de fora não por ter sido menos impactante, mas pela contextualização. Por isso, considere como uma memória, mas não um 11º lugar. Vamos lá:

AYRTON SENNA – WILLIAMS (1994)

Em uma votação pura e simples, este casamento foi provavelmente o que menos respondeu às expectativas. Tratava-se do principal nome da F1 na época e a equipe que vinha dominando o Mundial há dois anos. No anúncio da parceria, a expectativa que se formou foi nada menos do que um dos maiores domínios da história. E, como sabemos, os resultados passaram longe.

Senna 6

Apesar das três pole positions, Senna rodou sozinho na primeira corrida, em Interlagos, foi tocado e abandonou na segunda, em Aida, e sofreu um acidente fatal na terceira, em Ímola, como resultado – pelo que tudo indica – de um problema mecânico. Ou seja, além da falta de resultados concretos, a união histórica ainda terminou em tragédia.

Resolvemos deixar de fora pela pouca amostragem, assim como não consideramos Ascari e a Lancia, já que um julgamento poderia ser precipitado. Ao mesmo tempo, o Comitê Editorial achou importante citar de alguma a contratação do brasileiro pela Williams forma pelo tamanho da decepção que toda a situação causou, no que era a expectativa de um título fácil e terminou em grande piloto morto.

10º – NIKI LAUDA – BRABHAM (1978-79)

Lauda Brabham

Lauda era o grande nome da F1, vindo de dois títulos separados por um vice em que perdeu o campeonato por apenas um ponto. A Brabham tinha passado por duas temporadas ruins, mas ainda era uma equipe pela qual se esperava muito. O carro realmente não ajudou o austríaco, que ainda conquistou duas vitórias em 78, mas a parceria passou longe de conquistar os frutos prometidos, já que era esperado do então bicampeão ajudar ao time a desenvolver seu monoposto. Na segunda temporada, o carro era terrível e o austríaco tinha dificuldade para se destacar até frente ao novato Nelson Piquet. Um período terrível para um dos grandes pilotos da história em uma equipe que apenas dois anos depois voltaria a vencer o Mundial.

9º – JACKY ICKX – LOTUS (1974-75)

Jacky Ickx, Lotus 76

Apesar de nunca ter conquistado o Mundial, Ickx sempre foi considerado um dos pilotos mais talentosos do grid. Em 74, ele foi contratado pela Lotus, uma das principais equipes da época, que vinha de quatro títulos de construtores em seis temporadas, substituindo justamente o primeiro piloto do time, Emerson Fittipaldi. O belga, no entanto, foi facilmente superado pelo companheiro, Ronnie Peterson, passando longe de se impor como líder do time, que também, aos poucos, se afundou durante os dois anos de parceria. Frustração para os dois lados.

8º – KEKE ROSBERG – McLAREN (1986)

keke mclaren

O saldo da passagem de Keke Rosberg pela McLaren é quase inexplicável. Tudo bem que ele teve como companheiro um dos mais talentosos pilotos de todos os tempos, Alain Prost, mas a diferença entre os dois, levando-se em conta que o finlandês era um campeão mundial com cinco vitórias no currículo, beirou o ridículo. Enquanto Rosberg terminou 1986 com 22 pontos e um pódio, o parceiro francês conquistou o título, com uma campanha de 72 pontos e quatro triunfos. Já com 38 anos de idade, o campeão de 82 resolveu se aposentar após tamanha surra e frustração.

7º – RONNIE PETERSON – TYRRELL (1977)

Peterson 1977

Parecia que Peterson e a Tyrrell teriam uma parceria perfeita, o que era algo buscado pelo sueco sobretudo após as recentes passagens por Lotus e March. Mas não teve jeito: o carro não era competitivo de maneira alguma, e o próprio Peterson sofreu para se entender com o que tinha em mãos.

O P34 mostrava limitações nas mais diferentes configurações, além de uma confiabilidade para lá de questionável. Para piorar, Peterson era frequentemente batido por Patrick Depailler. Um acidente trágico com Gilles Villeneuve no Japão pôs um fim melancólico à parceria: em somente uma temporada, apenas um pódio e um modesto 14º lugar na tabela de pontos.

6º – JACQUES LAFFITE – WILLIAMS (1983-1984)

Laffite 1984

Consolidado em sua passagem pela Ligier, Laffite se juntou ao campeão mundial Keke Rosberg em seu retorno à Williams – ele já havia competido pela equipe nos anos 1970, quando ela ainda estava em seus primórdios. Porém, com um conjunto que já era ofuscado pelos motores turbo (e, depois com a ainda crua usina da Honda), o francês não chegou perto de uma posição de protagonista.

Em um período de dois anos, Laffite não obteve um pódio sequer, já que seus melhores resultados foram três quartos lugares – dois deles obtidos justamente nas duas primeiras provas de sua passagem. Insatisfeito, o piloto regressou à Ligier em 1985.

5º – JUAN PABLO MONTOYA – McLAREN (2005-2006)

Montoya 2005

Montoya se desentendeu com a Williams e foi buscar refúgio na McLaren, onde esperava ter uma plataforma estável para lutar por títulos. Mas a parceria começou mal, com uma estranha lesão que o afastou de duas provas logo no início do campeonato de 2005.

Quando voltou, não conseguiu acompanhar o ritmo de Kimi Raikkonen, que estava em seu auge. Foi um ano e meio marcado por poucos momentos de real destaque, até que a paciência de ambas as partes se encheu: Montoya foi dispensado e retornou de vez aos Estados Unidos, onde competiu na Nascar.

4º – NELSON PIQUET – LOTUS (1988-1989)

Piquet 1989

Piquet chegou à Lotus com moral de um recente título mundial e crente de que poderia dar continuidade às vitórias e à vida de protagonista. Mas, ali, se deparou com chassis e, posteriormente, motor ruins, que se mostraram um pesadelo. Ainda por cima, o próprio piloto garante que já não era mais o mesmo na época, como consequência do acidente sofrido em Ímola-1987.

O fundo do poço veio na Bélgica, em 1989, quando Piquet ficou atrás do parceiro Satoru Nakajima na qualificação e não se classificou para a corrida. O brasileiro largou o time após dois anos e se mudou para a Benetton, onde pôde voltar a ter sucesso.

3º – NIGEL MANSELL – McLAREN (1995)

Mansell 1995

Aos 41 anos, Mansell já não tinha mais o mesmo embalo de antigamente. A McLaren também era apenas uma sombra do que era nos velhos tempos. Isso posto, poucos poderiam imaginar que a passagem do Leão por Woking fosse tão bizarra como foi.

A começar, há a clássica história de que Mansell, por ser parrudo demais, teve de perder as duas primeiras provas do ano enquanto a McLaren mudasse o carro para que o inglês conseguisse entrar no cockpit. Quando estreou, foi facilmente sobrepujado por Mika Hakkinen. Após somente dois GPs, Mansell deixou a equipe (e a F1) e encerrou um capítulo que certamente se arrependeu de ter iniciado.

2º – MICHAEL SCHUMACHER – MERCEDES (2010-2012)

Schumacher 2010

Maior campeão da história da F1, Schumacher foi peça importante do início do programa da Mercedes, que assumiu as operações da vencedora Brawn GP. As expectativas eram altas, mas a parceria não chegou nem perto de render os frutos esperados.

É verdade que Schumacher não teve em mãos um conjunto capaz de lutar por vitórias de forma frequente. Contudo, o heptacampeão foi presa fácil no duelo interno diante de Nico Rosberg. O único pódio e a “pole position” (em Mônaco, que acabou perdendo), deixaram claro que Schumacher não tinha mais idade, nem condições técnicas de conduzir um projeto ao topo como antigamente.

1º – FERNANDO ALONSO – McLAREN (2007 e 2015-17)

ALonso 2007

Provavelmente, você, leitor, deve estar nos perguntando: “Como vocês podem considerar decepcionante uma parceria que resultou em quatro vitórias e um terceiro lugar no campeonato?” Ah, bem lá no fundo você sabe… Alonso, em 2007, era o atual bicampeão da categoria. A McLaren tinha sido vice e terceira colocada entre os construtores nas duas temporadas anteriores, respectivamente. E se os resultados estatisticamente foram até que bons, a união foi um desastre para todos.

O espanhol entrou em rota de colisão com o time de uma forma que ambos perderam o título daquele ano por conta da briga interna, e o divórcio saiu de forma extremamente abrupta e precoce. Foi uma grande decepção.

O que talvez ninguém esperava era que oito anos, Alonso e McLaren voltariam a estar juntos, celebrando ainda o retorno da Honda como fornecedora de motores. É, só que na pista as coisas foram mal… Nenhum pódio, poucos pontos, e tanto o espanhol quanto a equipe inglesa não são considerados a concorrentes por nada. Mais uma vez, fracasso total.

 

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  • Billy Blanks

    No caso do Alonso, eu percebo que a zica dele é quase uma praga que ficou desde o Stepneygate e o Cingapuragate, aliás, duas das maiores falcatruas descobertas na F1 se relacionavam em algum ponto ao espanhol.