10+ Projeto Motor #1: os melhores não campeões da história da F1

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Apenas 32 pilotos na história conseguiram conquistar um título mundial de F1 nos 65 anos em que o campeonato é disputado. Trata-se de uma elite bastante restrita, especialmente se levarmos em conta os milhares de jovens que já sentaram em um carro de corrida com esse objetivo em mente.

É por isso que os campeões têm o mérito de ficar com seus nomes marcados para sempre entre os melhores do esporte. Porém, é impossível negar que diversos volantes que não conseguiram essa proeza também fizeram por merecer seu espaço e a lembrança dos amantes do automobilismo.

Para a estreia da seção 10+ do Projeto Motor, resolvemos listar os melhores pilotos que nunca conseguiram um título mundial em suas carreiras, mas que brilharam dentro das pistas a ponto de conquistarem o direito de figurar entre os grandes da F1.

É bom destacar que, além de talento e a carreira como um todo, um dos principais critérios para a criação desta lista foi a de os pilotos em algum momento terem tido uma chance real de título ou terem desafiado um grande campeão em uma disputa direta.

Confira a lista:

10 – JOSÉ FROILÁN GONZÁLEZ

JOSÉ FROILÁN GONZÁLEZ

GPs: 26 (de 1950 a 1960)
Melhor posição em campeonato: 2º (1954)
Vitórias:
2
Pole positions: 3
Pódios: 15
Equipes: Varzi (1950), Platé (1951), Ferrari (1951, 54-55, 57 e 60), Maserati (1952-53 e 56) e Vanwall (1956)

González fez história ao ser o primeiro piloto a levar a Ferrari às vitórias no Mundial. O rechonchudo argentino foi um dos competidores mais respeitados nos primórdios da F1 e fez temporada forte em 54, mas nunca mais teve chances de título. Entre os motivos, ele ficou bastante abalado com a morte de seu compatriota Onofre Marimón na Alemanha e, depois disso, só participou de provas esporádicas.

9 – FELIPE MASSA

FELIPE MASSA
GPs: 215 (desde 2002)
Melhor posição em campeonato: 2º (2008)
Vitórias:
11
Pole positions: 16
Pódios: 39
Equipes: Sauber (2002 e 04-05), Ferrari (2006-13) e Williams (desde 2014)

Com muitos altos e baixos na carreira, Massa está longe de ser unanimidade com o público. Mas uma coisa é fato: entre os não-campeões, é o que mais chegou perto de alcançar a glória. Em 2008, teve desempenhos de gala na pista, mas alguns erros cometidos pela Ferrari e pelo próprio brasileiro trouxeram uma derrota dolorosa nos metros finais do campeonato. Se vencesse, contudo, seria merecido.

8 – TONY BROOKS

TONY BROOKS
GPs: 38 (de 1956 a 1961)
Melhor posição em campeonato: 2º (1959)
Vitórias: 6
Pole positions: 3
Pódios: 10
Equipes: BRM (1956 e 61), Vanwall (1957-58, 59 e 60), Ferrari (1959) e Reg Parnell Cooper (1960)

Discreto fora das pistas, eficiente dentro delas. Por essas e outras que Brooks é citado por Stirling Moss como “o melhor piloto desconhecido que já existiu”. O inglês chegou perto do título em 59, mas um enrosco na decisão, nos EUA, atrapalhou suas chances. Porém, Brooks deixou sua marca em sua curta carreira na F1, já que se aposentou aos 29 anos, descontente com a segurança dos carros da época.

7 – CARLOS REUTEMANN

Carlos Reutemann

GPs: 146 (de 1972 a 1982)
Melhor posição no campeonato: 2º (1981)
Vitórias: 12
Pole positions: 6
Pódios: 45
Equipes: Brabham (1972-76), Ferrari (1976-78), Lotus (1979) e Williams (1980-82)

“Lole” foi um dos protagonistas da F1 nos anos 1970 e 80. Por quatro vezes entre 1975 e 1981, o argentino ficou entre os três primeiros do campeonato, sempre com apresentações sólidas (veja Nürburgring-75). Sua grande chance de título ocorreu em 1981, mas um desentendimento com a Williams, aliado a erros individuais, nos GPs finais o fez perder o troféu para Nelson Piquet, da Brabham.

6 – DAN GURNEY

Dan Gurney

GPs: 87 (de 1959 a 1970)
Melhor posição no campeonato: 4º (1961 e 1965)
Vitórias: 4
Pole positions: 3
Pódios: 19
Equipes: Ferrari (1959), BRM (1960), Porsche (1961-62), Seidel Lotus (1962), Brabham (1963-65 e 68), Eagle (1966-68) e McLaren (1970)

O pai de Jim Clark disse uma vez que Dan Gurney foi o adversário mais temido pelo bicampeão escocês. E não é exagero: o americano, cujo nome batiza até um apêndice aerodinâmico, venceu na F1, na Indy, em Le Mans e até na Nascar. Sua história na F1 poderia ter sido mais bem-sucedida se ele não tivesse apostado em projetos errados (como a malfadada operação da Porsche), mas ainda assim, entrou para a história como um piloto veloz e inovador.

5 – WOLFGANG VON TRIPS

Wolfgang von Trips

GPs: 29 (de 1956 a 1961)
Melhor posição em campeonato: 2º (1961)
Vitórias: 2
Pole positions: 1
Pódios: 6
Equipes: Ferrari (1956-59 e 1960-61), Porsche (1959) e Centro Sud (1960)

Virtuoso e agressivo a bordo da Ferrari, o conde Wolfgang von Trips daria à Alemanha seu primeiro título na F1 em 1961. Um acidente no GP da Itália, no entanto, lhe tirou a vida e abreviou o sonho germânico por 33 anos. No ano de sua morte, aliás, Von Trips inaugurou uma pista de kart que, mais tarde, foi alugada por Rolf Schumacher para seus filhos Michael e Ralf. O resto é história.

4 – JACKY ICKX

JACKY ICKX
GPs: 114 (1967 a 1979)
Melhor posição em campeonato: 2º (1969 e 1970)
Vitórias: 8
Pole positions: 13
Pódios: 25
Equipes: Cooper (1967), Ferrari (1968 e 1970-73), Brabham (1969), McLaren (1973), Williams (1973 e 76), Lotus (1974-75), Ensign (1976-78) e Ligier (1979)

Técnica refinada, enorme habilidade sob chuva e desempenho ímpar em Nürburgring seriam credenciais suficientes para fazer o belga entrar no clube dos campeões da F1. Faltou estabilizar a carreira (ele trocou demais de equipe, sempre na hora errada), algo que Ickx só encontrou com os seis troféus de Le Mans, o bicampeonato do Mundial de Protótipos e a vitória no Rali Paris-Dakar de 1983.

3 – BRUCE McLAREN

BRUCE McLAREN
GPs: 104 (1959 a 1970)
Melhor posição em campeonato: 2º (1960)
Vitórias: 4
Pole positions: 0
Pódios: 27
Equipes: Cooper (1959-65) e McLaren (1966-70)

Muito mais do que criador da McLaren, o neozelandês viveu carreira de conquistas nas 24 Horas de Le Mans, CanAm e Tasman Series. É bastante para quem quase perdeu o movimento das pernas na infância, devido a uma doença, ficando manco para o resto da vida. Não fosse o acidente fatal durante teste para a CanAm, em 70, teria chances de repetir Jack Brabham e conquistar a F1 com seu próprio carro.

2 – RONNIE PETERSON

RONNIE PETERSON
GPs: 123 (1970 a 1978)
Melhor posição em campeonato: 2º (1971 e 1978)
Vitórias: 10
Pole positions: 14
Pódios: 26
Equipes: Antique Automobiles (1970), Crabbe March (1970), March (1971-72 e 76), Lotus (1973-76 e 78), Theodore (1976) e Tyrrell (1977)

Conhecido pelo capacete auriceleste com uma aba sobre a viseira, o sueco de Orebro ganhou admiradores pelo estilo destemido e por suas proezas a bordo de March e Lotus. O vice-campeonato de 1971 e a improvável vitória GP da Itália de 1976 são algumas delas. De volta ao time de Colin Chapman em 78, teve o sonho do título interrompido na etapa de Monza, ao sofrer acidente que o levaria à morte.

1 – STIRLING MOSS 

STIRLING MOSS

GPs: 66 (1951 a 61)
Melhor posição em campeonato: 2º (1955, 56, 57 e 58)
Vitórias: 16
Pole positions: 16
Pódios: 24
Equipes: HWM (1951-52), ERA (1952), Connaught (1952-53), Cooper (1953), Maserati (1954 e 56-57), Mercedes-Benz (1955), Vanwall (1957-58) e Rob Walker (1959-61)

Moss será sempre lembrado pelos quatro vices consecutivos entre 1955 e 58, em que foi derrotado três vezes por Juan Manuel Fangio e uma por Mike Hawthorn. Nesta última, perdeu para o compatriota por apenas um ponto, após ajudá-lo a se livrar de uma penalização que achou injusta. Ele ficou em terceiro em outras três oportunidades, de 59 a 61, e se aposentou em 62, após um forte acidente.

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  • JoaoLK

    Podem falar o que quiserem, Barrichello foi duas vezes vice tendo Schumacher como campeão. Só isso já o coloca como um dos melhores não-campeões da história.

    • Leandro Farias

      Exato! Stirling Moss ficou em primeiro sendo três vezes vice do Fangio.

  • Matheus Caires

    Vai muito da opinião de cada um…

  • E cadê o Rubens Barrichello?

    Temporadas: 1993-2011

    Equipes 6 (Jordan, Stewart, Ferrari,Honda, Brawn e Williams)

    Melhor posição em campeonato: (2.º em 2002 e 2004)

    Pontos: 658

    Voltas mais rápidas: 17

    GPs: 323

    Poles: 14

    Pódios: 68

    Vitórias: 11

  • Lucas Cabral E Silva

    Boa lista,mas esqueceram do Rubens.

  • Lucas Melo

    Nunca fui grande fã do Rubinho, mas merecia ficar pelo menos entre os 10, ele tem muito mais história na F1 que o Massa

    • Christyan Lemos Leal

      O Rubinho nunca foi um real candidato ao título mundial, nem na Brawn. Mesmo motivo que não colocou o Villeneuve nessa lista.

      • Leandro Farias

        Mas tá falando dos melhores NÃO-CAMPEÕES! Não-campeão é aquele que não ganhou um título, sem necessariamente ter lutado por isso.

  • Bruno Ferreira

    Francisco, Geraldo, Gustavo e Luciano,

    Honestamente, já esperávamos por este tipo de discordância. Porém, vale ressaltar que, em listas desta natureza, que medem atributos intangíveis, adotamos um critério específico que, por mais que cause discórdia, ainda assim é uma linha de raciocínio.

    Todos os nomes da lista estiveram, pelo menos em algum momento de suas carreiras, com chances reais de se tornarem campeões. Como vocês mencionaram, o Barrichello foi vice-campeão por duas vezes, mas em ambos os anos viu o Schumacher disparar no campeonato desde o início. Em 2004, por exemplo, ele só venceu uma corrida depois de o alemão já ter garantido o título, com 12 vitórias no bolso. É uma diferença muito grande. O mesmo aconteceu em todos seus outros campeonatos de destaque, quando ele não esteve no páreo pelo título em momento algum. Seus vices foram mais no estilo “melhor do resto” do que uma derrota de fato na luta pelo título.

    O Massa, por exemplo, viveu carreira com mais altos e baixos, como mencionamos no texto. Porém, quando ele foi vice-campeão, chegou muito mais perto do título do que o Barrichello jamais chegou. Por isso que seu nome apareceu na lista.

    Mas o mais importante é destacar que se tratou de um critério adotado pelo Projeto Motor, por isso qualquer discordância é respeitada e bem-vinda. Obrigado a todos vocês pelos comentários!

  • Francisco Panizo

    Com certeza o Rubens Barrichello deveria estar inserido nessa lista. Foi duas vezes vice-campeão (2002 e 2004), duas vezes terceiro (2001 e 2009), venceu 11 vezes e tem o recorde de participações na categoria (326).

    Não foi o melhor, mas com certeza está à frente de vários desta lista.

    Sugiro uma revisão e nova revisão, quem sabe ampliada, desta lista.

  • Gustavo Segamarchi

    Como o Geraldo citou, faltou mesmo, o Rubinho, mas também tem um outro ícone chamado José Carlos Pace, que teve sua carreira interrompida em um acidente aéreo em 1977, provavelmente ele seria campeão em 1977.

  • Luciano

    Pera aí, colocar o Felipe, ainda em atividade (mas um piloto mediano) e deixar de fora o Rubens, que é internacionalmente reconhecido melhor piloto que este primeiro, é começar essa coluna com descrédito.

  • Geraldo

    Barrichello tem que estar nesta lista. Carreira mais vitoriosa do que o Massa!

  • Gustavo Segamarchi

    Faltou o famoso Gilles Villeneuve. Ele não foi campeão na F1, mas foi um dos melhores pilotos que já passou pela categoria.