10+ Projeto Motor #12 – os momentos icônicos da McLaren em 50 anos de F1

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De forma muito mais tímida do que quando comemorou a data redonda uma década atrás, a McLaren celebrou 50 anos de F1 durante o GP de Mônaco de 2016. O aniversário leva em conta sua primeira participação na categoria, na etapa monegasca de 1966. Afinal, não há muitos motivos para se comemorar atualmente: a recém-retomada parceria com a Honda até agora rendeu frutos muito escassos, deixando o time perdido em meio à zona intermediária do pelotão.

Muito pouco para quem, nestes cinco decênios de vida, foi protagonista de algumas das movimentações mais relevantes da história da categoria – para o bem e para o mal. Por isso o Comitê Editorial o Projeto Motor não quis deixar a data passar batida. Enumeramos abaixo os 10 maiores momentos da escuderia sediada em Woking na série. Confira e relembre suas grandes contribuições para a evolução do certame.

10 – O adeus da pintura mais famosa (1996)

Mclaren 96

O público viu com estranheza a McLaren se apresentar para a pré-temporada de 97 em laranja. Isso representava o fim de uma era na aposentadoria do icônico layout da Marlboro, fechando um ciclo que durava desde a década de 70. Enquanto a Marlboro depositava todo seu investimento da Ferrari, a chegada da também tabagista West abriu espaço para novas cores, resgatando a tradição das Flechas de Prata. A identidade visual durou nove anos e também criou um capítulo à parte na história da equipe.

9 – A volta por cima após anos no limbo (1998)

McLaren 98

A mudança de cores descrita acima era apenas mais uma que se passava em Woking no fim dos anos 90. Em meio a um terrível jejum que durava desde a saída de Ayrton Senna, em 93, a equipe buscava voltar à velha forma: primeiro, apostou em uma parceria técnica com a Mercedes; depois, trouxe o mago Adrian Newey para desenhar seus carros. Os frutos vieram de vez em 98, quando outra prata da casa, Mika Hakkinen, ganhou o título mundial. A boa e velha McLaren enfim estava de volta.

8 – O último título pelas mãos do pupilo (2008)

Hamilton 2008

Depois do bicampeonato de Hakkinen em 98 e 99, a McLaren voltou a ficar na fila e viu a Ferrari acumular nada menos que seis canecos. Mas a espera chegou ao fim de maneira dramática em 2008, quando o título de pilotos só foi garantido nos metros finais do último GP da temporada, no Brasil – certamente uma das ocasiões mais surreais de toda a história da categoria. O toque especial: a conquista veio pelas mãos de Lewis Hamilton, protegido de Ron Dennis desde sua infância.

7 – A morte do fundador (1970)

BRUCE McLAREN

Piloto do mais alto calibre e mecânico de primeira, Bruce McLaren era a personificação da equipe que criou em meados dos anos 60. O neozelandês conduziu o time a sua primeira vitória e trabalhava a passadas largas para repetir o feito de Jack Brabham de se sagrar campeão em seu próprio carro. Contudo, sua história conheceu seu trágico fim em um acidente durante teste da Can-Am em Goodwood. A perda representou uma ruptura para a equipe, que passou a ser gerida por Teddy Mayer.

6 – A primeira vitória, e com Bruce (1968)

Depois de dois anos difíceis, a McLaren acertou a mão em 68 com o modelo M7A e passou a frequentar os pontos. O primeiro triunfo aconteceu na quarta etapa, em Spa. Bruce McLaren contou um pouco com a sorte nas quebras de seus principais adversários, incluindo seu próprio companheiro, para levar sua equipe ao lugar mais alto do pódio pela primeira vez. Foi uma virada para o time, que ainda venceu mais duas provas naquele ano, ambas com Denny Hulme, e ficou em segundo no campeonato de construtores.

5 – A temporada da ruína (2007)

Vergonha histórica. O novato Hamilton começou a surpreender e incomodar Alonso, bicampeão recém-contratado. O time ainda se viu em meio a um escândalo de espionagem, em que o próprio espanhol ajudou nas investigações como forma de retaliação, abrindo fogo-amigo. No GP da China, Ron Dennis declarou que o time trabalhava pensando em como derrotar Alonso. Com a briga interna, os dois pilotos chegaram à decisão, em Interlagos, como líderes do campeonato, mas tomaram a virada de Raikkonen, que aproveitou a confusão.

4 – O primeiro título (1974)

fittipaldi 1974

A McLaren já tinha se consolidado como uma equipe importante no grid no começo dos anos 70, mas ainda faltava a cereja do bolo. E ela veio em 74, com o primeiro título mundial, com Emerson Fittpaldi. Com vitórias na temporada, o brasileiro conquistou seu segundo campeonato batendo Clay Regazzoni por três pontos, com uma virada nas três últimas provas da temporada (ele era apenas o quarto até então). O famoso modelo M23 ainda daria mais um vice e um título para a equipe nos dois anos seguintes.

3 – A fusão que trouxe Ron Dennis (1981)

dennis-barnard-and-watson

Com a queda do final dos anos 70, a equipe foi pressionada pela patrocinadora Philip Morris a se fundir com a Project Four, da F2, de Ron Dennis. O dirigente assumiu o comando e trouxe o seu projetista, John Barnard. A reformulação administrativa de Dennis e as ideias do engenheiro inglês logo trouxeram resultados: em 82 o time voltou a disputar o título e em 84 dominou a categoria ao levar com sobras os campeonatos de pilotos e construtores. Foi a virada que fez da McLaren definitivamente a grande equipe que ela se tornou.

 

2 – O duelo de titãs (1989)

Senna Prost 1989

Ter como dupla dois monstros do calibre de Ayrton Senna e Alain Prost pode ser um trunfo frente à concorrência, mas cobra seu preço: em 89 a relação entre ambos azedou de vez após a polêmica ultrapassagem do GP de San Marino, sendo estopim para uma série de troca de farpas, acusações de favorecimento e, claro, um duelo dramático pelo título. O clímax veio em Suzuka, com direito a batida proposital, controversa desclassificação e um tricampeonato que Prost sequer conseguiu comemorar a contento.

1 – A união perfeita de forças (1988)

Senna Prost 1988

Se 89 foi um ano de tensão, na temporada anterior a McLaren alcançou o céu. Não que Senna e Prost não tivessem tido suas rusgas, mas os dois se davam aparentemente bem. Além disso, o casamento formado pelo chassi MP4-4 e o motor V6 turbocomprimido da Honda se mostrou o mais avassalador já visto nas pistas: 15 poles e 15 vitórias em 16 etapas realizadas. Ter o melhor conjunto e os melhores pilotos do grid ao mesmo tempo, e tudo isso com certa margem, é o sonho que nenhuma outra esquadra jamais viveu.

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  • MarcioD

    Sou fã do time desde uma miniatura em metal de um M8-C Can Am que ganhei na infância, eles eram dominantes na categoria com uma combinação de um chassis levíssimo, que usava a tecnologia de colmeia de alumínio, combinada a um motorzão Chevrolet V-8. Só foram desbancados pela Porsche em 72 com o 917 turbo. A torcida prosseguiu com a ida do “Rato” para lá em 74, com os “garrafa de Coca-Cola” do gênio Barnard que deu os títulos de 84 para Lauda e 85/86 para Prost. Foram pioneiros no uso da fibra de carbono, os carros eram “empurrados” pelo Motor TAG Porsche.
    Em 88/89 dominância total com a disputa eletrizante entre Prost e Senna com os MP4/4e5. 90/91 mais 2 títulos de Senna. 98/99 2 titulos de Hakkinen já com as flechas de prata.07 a grande disputa de Alonso com Hamilton e infelizmente o decepcionante escândalo de espionagem. 08 o campeonato de Hamilton.Também tiveram sucesso na Indy.
    Sou grande admirador do Mclaren F1 esportivo fantástico, projetado por Gordon Murray, vencedor geral em Le Mans e que bateu recorde de velocidade máxima.Infelizmente atravessam uma fase difícil na F-1, semelhante à dos anos 90 relacionada aos propulsores.Torço para que dure pouco.