10+ Projeto Motor #22: Os piores nomes já usados para batizar um carro de F1

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A estação de 2017 representará uma virada de ciclo para a McLaren. Foi-se Ron Dennis, o grande responsável pela consolidação da esquadra da Woking como uma operação de ponta, e ficaram seus antigos sócios e atuais desafetos, Mansour Ojjeh e o fundo de investimentos barenita Mumtalakat.

No afã de extinguir qualquer vínculo do empresário britânico com a escuderia, já que a discussão sobre quem tinha mais direitos sobre o grupo foi parar na Justiça (e Dennis perdeu), os acionistas majoritários ordenaram que a tradicional linhagem de modelos batizados com a sigla MP4 (inicialmente “Marlboro Project 4″, em menção ao patrocinador principal e ao nome do time que Dennis mantinha na F2; depois, “McLaren Project 4″) fosse interrompida.

Seria uma ótima oportunidade de aproveitar a volta do aclamado laranja (que ficou muito bonito, por sinal) e regressar também à simples e elegante denominação utilizada entre os anos 60 e 70 (M mais um número qualquer). Mas não: preferiram inventar e criar a carregada sigla MCL32. Horrível, não? Este não foi o único caso. O Projeto Motor aponta agora aqueles que, na opinião humilde de nosso comitê editorial, são os nomes mais feios já usados para batizar os bólidos da categoria.

10) BMW Eigenbau (1952)

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Nos anos 30, pouco antes da Segunda Guerra Mundial, a bávara BMW criou um dos bólidos mais icônicos do período pré-F1: o 328. Seu legado — que incluiu triunfo nas 24 Horas de Le Mans — foi tão forte que, duas décadas depois, passou a ser comum construtores independentes utilizarem unidades do 328 como base para criar bólidos de F3, F2 e… F1. A esses veículos modificados deu-se o apelido “Eigenbau” (“construção própria”, numa tradução livre do alemão, e denominação que, convenhamos, cairia perfeitamente numa cerveja gourmetizada da Schincariol). Em 1952 o ás germânico Günther Becher resolveu inscrever dois 328 preparados por conta própria para o GP da Alemanha, e sequer se deu ao trabalho de batizá-los adequadamente. Os carros foram inscritos como “BMW Eigenbau” mesmo.

9) Fondmetal FA1M-E (1991)

FOndmetal FA1M-E

Cansada dos resultados ruins obtidos pela Osella, esquadra da qual se tornara patrocinadora principal em 1989, a fabricante de rodas de liga leve Fondmetal resolveu comprar o time inteiro entre 90 e 91. Sem tempo hábil para estrear o primeiro produto da operação, o modelo F1 (haja falta de originalidade), a companhia se virou nas duas primeiras rodadas da temporada (EUA e Brasil) com o velho FA1M-E usado na despedida da Osella. Bem que eles poderiam ter limado o código cacofônico (pense no 1 como um “i” e você entenderá), mas… Optaram por seguir com o nome inFA1M-E (percebeu agora do que estamos falando?).

8) Wolf WR8/9 (1979)

Wolf WR8-9

1979 foi um ano totalmente atrapalhado para a Wolf. Auto pressionada pelo patamar alcançado com o vice-campeonato de Jody Scheckter, em 77, a esquadra britânica passou a exigir demais de si mesma, e não conseguiu corresponder às próprias expectativas. Em sua temporada de despedida, apostou na contratação do campeão mundial James Hunt e no carro-asa WR7, que não foi bem. A partir daí chegou-se ao desespero, e a cada atualização o chassi recebia nova denominação: WR8, WR9 e, enfim, o ainda mais confuso WR8/9, híbrido desses dois últimos. Tamanha sopa alfanumérica não poderia dar certo, e Walter Wolf se cansou da brincadeira no fim do ano, vendendo o espólio do time para a Fittipaldi.

7) Lola T93/30 (1993)

Lola T93-30

Desde que fez seu primeiro retorno ao certame, em 85, com a Beatrice Hass, a Lola sempre nomeou seus monoblocos de acordo com “o gosto do freguês”. Isso acabou em 1993, quando se dissociou da parceira de longa data Larrousse e assinou um contrato de fornecimento de chassis com a Scuderia Italia. Ali a manufatureira encontrou maior liberdade e, então, decidiu revisitar o passado. Batizou o bólido que seria usado pelo time conterrâneo em 93 com a letra T, de “Type”, uma remetência aos Lola de F1 e F2 dos anos 60. 93, obviamente, referia-se ao ano. O problema é que alguém resolveu enfiar um “/30″ no meio, a fim de especificar (sei lá para quem, já que nenhum reles mortal conseguiria depreender isso automaticamente) que se tratava de um F1. O padrão foi mantido no ainda mais elegíaco T97/30, cuja vida útil se resumiu a participar de uma sessão de classificação no GP da Austrália de 1997.

6) Maserati A6GCM (1952)

Maserati A6

Parece nomenclatura de uma subdivisão da Guarda Civil Metropolitana de São Paulo, mas estamos nos referindo à baratinha adaptada pela construtora italiana para competir em 1952, ano em que a F1 passara por profundas mudanças de regulamento técnico. Vamos lá: “A” é uma homenagem a Alfieri Maserati, fundador da companhia; 6 é o número de cilindros do motor; “G” vem de “ghisa” (ferro fundido, em italiano), para ressaltar o então moderno processo de fabricação do propulsor; “C” significa “corsa” (corrida); e M, monoposto. O douto leitor conseguiu decorar tudinho? Já imaginávamos que não.

5) Spyker F8-VII (2007)

Spyker F1-VII

Adquirente do espólio da Midland (que, por sua vez, fora a Jordan) em 2007, a Spyker teve uma passagem breve mas honrada pela F1. A combinação de laranja com tons de cinza e verde musgo foi muito feliz, tornando o carro um dos mais belos daquela grelha e, quiçá, de todos os tempos. Pena que o nome não tenha acompanhado o padrão de harmonia. A pequenina fabricante holandesa quis manter a tradição de usar letras para designar todas as suas séries de veículo, escolhendo o F para abrir a nomenclatura. O 8 está ali por conta do número de cilindros do motor utilizado, no caso um Ferrari. Já os algarismos romanos representam o ano (2007), porém numa configuração tipicamente usada em aviação, setor no qual a Spyker também atuou. Para complicar ainda mais, puseram um hífen no meio da miscelânea.

4) Renault R.S.16 (2016)

Motor Racing - Formula One World Championship - Australian Grand Prix - Qualifying Day - Melbourne, Australia

Os Renault dos anos 2000 possuíam batismo bastante simples: R mais dois algarismos. Quando retornou ao campeonato como construtora, porém, a marca francesa quis inserir o nome de sua atual divisão esportiva, a RS (Renault Sport), o que também viria a calhar para ornar com seus dois primeiros projetos na categoria, RS01 e RS10. Até aí nada demais. A grande questão aqui é: por que cargas d’água teria que haver dois pontos separando as letras e a numeração?

3) McLaren MCL32 (2017)

McLaren MCL32

Olha ela aí! Laranja, arrojada, bonita… Mas que nomezinho ordinário, não? Façamos um breve exercício de raciocínio: antes de Ron Dennis entrar na parada, todas as baratas da McLaren recebiam um singelo “M mais numeração”. Exemplo: o clássico M23. O último exemplar dessa era foi o M30. Já o derradeiro MP4 foi o 31. Seria a deixa perfeita para criar o M32 (que daria uma espécie de continuidade às duas levas). Todo mundo iria para casa plenamente satisfeito. Mas não é assim que funciona nos lados de Woking. Algum espertalhão achou melhor transformar a abriatura num insosso “MCL”, e cá estamos com o MCL32.

2) Ferrari 150º Italia (2011)

GP MALESIA F1/2011

Patriótica, a Ferrari aproveitou o sesquicentenário da unificação da Itália para prestar uma homenagem no nome do bólido usado pela Scuderia em 2011. Ela gostaria de ter feito isso com um singelo “F150″, mas a Ford não concordou: fabricante da família de picapes F-Series nos Estados Unidos, que inclui a configuração F-150, a montadora americana impediu a rival de usar o nome. Surgiu, então, a 150° Italia, com direito até a indicador ordinal (no masculino, o que só piora as coisas). A pronúncia correta segue um mistério seis primaveres depois. Seria “Ferrari centésimo quinquagésimo Italia”? No fim a sabedoria popular se encarregou de abreviar informalmente o nome para F150 e tudo acabou bem.

1) Osella FA1L (1988)

Osella FA1L

Nada do que veio antes supera o inacreditável FA1L, utilizado pela Osella em 1988. Parece até proposital. Ocorre que a pequenina equipe fundada por Enzo Osella carregou o hábito de nomear suas crias com a codificação F (de fórmula), A (resquício de sua origem nas competições com esportivos Abarth) e numeração correspondente à série (1 a 3 para F1, F2 e F3, respectivamente). Depois do surgimento do FA1, o time decidiu incluir uma quarta letra a fim de diferenciar suas respectivas evoluções: FA1B, FA1C, FA1D e assim por diante, até chegarmos ao… FA1L. Caso o douto leitor ainda não tenha captado, substitua de novo o 1 pelo “i” e, voi là, temos aqui um belo e cacófono “fail” (falha ou fracasso, em inglês). A julgar pelos resultados em pista, até que a escolha não foi tão incoerente assim.

DEBATE MOTOR #63: qual era da F1 teve os carros mais bonitos?

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Projeto Motor

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  • Douglas Pacheco

    E o Ferrari F14-T?

  • FA1L kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkajajjakkkkkk FA1L

  • Leandro Farias

    Como existiram na história da F1 outras equipes com M, como a Minardi e a recente Manor (já havia fechado de vez? Se não, é outro argumento!), creio que o MCL tenha sido para diferenciar mais das outras. Um pouco de exagero achar esse nome absurdo.

  • Andre Luis Coli

    Essa da Osella eu não conhecia, e pelo visto eles não aprenderam nada quando viraram a Fondmetal.

  • Gabala

    FA1L. Bizarro. Já teve 10+ dos piores carros de F1 da história?

  • Basílio

    Eu preferiria q fosse simples, conforme sugerido. Mas MCL32 não achei ruim não.

    • Luigi G. Peceguini

      Ouvi falar que vão mudar o MCL32 pra “Formula for Aero Linked Hybrid Automobiles from McLaren Ultimate International Turbo Operations”… FALHA MUITO. Hue.

  • Ibrahim Hadi

    OFF: fala galera, criei um grupo no telegram pra trocar ideia sobre automobilismo, inclusive já estou providenciando junto de um amigo um bot que vai mostrar as principais noticias e também as datas das próximas corridas, será uma honra ter todos vocês lá
    Link: https://t.me/joinchat/AAAAAEHmg-5rwfZiFc_K9g

  • Dox

    Eu batizaria os carros com nomes, e não com números ou letras.
    Seriam melhores lembrados.
    A Apple fez isso com seu sistema operacional, fazendo aqui uma analogia com outro segmento que usa números para se referir às evoluções.
    A série MP4 da McLaren é um tédio, pois é preciso fazer uma consulta para ver qual é o carro do Hakkinen de 1997.
    Também faço 2 ressalvas ao texto … quando falava-se dos prefixos da Lola da década de 60, ela correu só 1 temporadas nesse período, com sigla MK em 62. Participou de outras corridas esporádicas nessa década com carros de F2 já com o prefixo T.
    Sobre a Ferrari F150, ela foi impedida legalmente pela Ford de utilizar esta sigla pois havia um modelo de pickup americana campeã de vendas por lá com esta denominação.

    • Projeto Motor

      Tem razão, Dox. Esquecemos que a Ford impediu a Ferrari de usar o F150. Já atualizamos a informação. Sobre a Lola, ela usou o T100 da F2 para correr também na F1. De qualquer forma, incluímos a informação da F2 para deixar mais claro.

      Valeu e grande abraço!