10+ Projeto Motor #26: as corridas mais malucas já vistas na história da F1

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Acidentes. Rodadas. Quebras. Enroscos. Imprevistos. Caos. Para muitos são esses o substantivos que justificam um GP verdadeiramente memorável. Nelson Piquet, do alto de sua sapiência empírica, declarou no lendário documentário A Era dos Campeões: “Quem vai [assistir à]na F1 ou Indy não quer ver os carros ficarem rodando. Quer ver é acidente: o cara rodar, o cara bater, o carro pegar fogo… A não ser que seja uma velhinha de 70 anos que está lá rezando para o cara, todo mundo que vai [assistir]quer ver o circo pegar fogo”.

A realidade pode não ser tão crua quanto o relato do ácido tricampeão brasileiro, mas todos sabemos que o perigo é um dos principais vetores do fascínio pelo automobilismo. E as corridas malucas, aquelas em que acontece pelo menos boa parte do combo descrito por Piquet, acabam por estar sempre entre as mais rememoradas por nossas pobres e previsíveis mentes.

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Uma delas é o GP de Mônaco de 1982: uma prova que teve quatro líderes diferentes nas quatro voltas finais, e na qual o vencedor recebeu a bandeira quadriculada sem saber que havia sido ele o vitorioso da tarde. Um páreo tão doido que chegou a receber uma merecida homenagem no YouTube (infelizmente já apagada) sob o título “a maior putaria de todos os tempos na F1″. Uma descrição impactante dessas não seria dada a um qualquer.

Em homenagem a este momento tão ímpar da categoria, que completa 35 anos, o Projeto Motor preparou um 10+ sobre… Corridas malucas. Prepare-se, porque as linhas a seguir descreverão momentos em que os competidores aprontaram altas confusões que até deus duvida. Duvida? Então veja:

10) GP dos Estados Unidos de 2005
Vencedor: Michael Schumacher (Ferrari)

Maluco não pela corrida em si, mas por toda confusão. Nos treinos de sexta-feira, Ralf Schumacher bateu forte na curva 13, que usava parte do oval, e, diante de outros problemas com compostos da Michelin, ficou constatado que o pneu da marca francesa não aguentava as cargas naquele ponto do circuito. Depois de muita discussão, os 20 carros da categoria alinharam no grid, mas ao final da volta de apresentação, 14 tomaram o caminho dos boxes, deixando apenas os seis que usavam Bridgestone na largada. A Ferrari acabou fazendo a dobradinha com Schumacher seguido por Barrichello, enquanto Tiago Monteiro completou o pódio com sua Jordan em terceiro.

9) GP da Itália de 1965
Vencedor: Jackie Stewart (BRM)

Clark, Stewart, Gurney, Hill, Bandini e Spence brigam pela ponta do GP da Itália de 65
Clark, Stewart, Gurney, Hill, Bandini e Spence brigam pela ponta do GP da Itália de 65

A corrida em Monza foi marcada por uma das brigas mais intensas pela vitória na história da F1. Cinco pilotos diferentes se revezaram na primeira posição com 40 trocas de líder. Ao final, Jackie Stewart venceu com Graham Hill terminando na segunda posição apenas 3s3 atrás. Se você quiser saber mais, o Projeto Motor já contou a história desta prova em um texto especial.

8) GP do Canadá de 2011
Vencedor: Jenson Button (McLaren-Mercedes)

A corrida que, contando com o tempo de paralisação, durou mais de 4 horas. Com uma forte chuva, a direção de prova precisou parar a corrida e esperar pela melhora das condições. A prova teve muitas brigas do segundo lugar para trás, enquanto Vettel dominou 69 das 70 voltas. Button sofreu um furo no pneu de sua McLaren no giro 37 e caiu para último. Com uma bela pilotagem e uma estratégia certeira, ele se recuperou para tomar a ponta na última volta e vencer a corrida de forma triunfal.

7) GP da Espanha de 1975
Vencedor: Jochen Mass (McLaren-Ford Cosworth)

O final de semana em Montjuic foi polêmico do início ao fim e terminou em tragédia. Líderes da Associação de Pilotos (GPDA) desaprovaram desde o começo a maneira como as barreiras de proteção foram instaladas. Emerson Fittipaldi participou de apenas um treino para cumprir obrigações contratuais e não correu no domingo. A corrida foi uma grande loucura, com diversos acidentes e sete trocas de líderes. A prova acabou sendo paralisada quando a Embassy Hill de Rolf Stommelen perdeu o aerofólio traseiro e seu carro bateu forte passando sobre a barreira. Cinco espectadores acabaram mortos no acidente. Jochen Mass terminou com a vitória. O dia também foi marcado pelo sexto lugar de Lella Lombardi, até hoje o único ponto de uma mulher na F1.

6) GP da Hungria de 2006
Vencedor: Jenson Button (Honda)

O primeiro GP da Hungria chuvoso da história foi bagunçado pelo mau tempo e por punições que embaralharam o grid – os favoritos Michael Schumacher e Fernando Alonso foram jogados para trás, enquanto que Jenson Button perdeu dez posições no grid com uma troca de motor. Na corrida, o pole Kimi Raikkonen bateu em um retardatário, Alonso perdeu uma vitória que estava encaminhada com um pneu mal preso em um pitstop e, de forma surpreendente, o triunfo caiu nas mãos de Button, que vencia pela primeira vez em seu 113º GP após largar em 14º.

5) GP da Bélgica de 1998
Vencedor: Damon Hill (Jordan-Mugen Honda)

A chuva também teve consequências catastróficas em Spa, em 1998. Uma desgarrada de David Coulthard na descida para a Eau Rouge, pouco depois da largada, provocou um acidente de enormes proporções, que envolveu nada menos que 13 carros. Após a relargada, Schumacher caminhava tranquilo rumo à vitória quando encheu a traseira do mesmo Coulthard, retardatário munido com o carro reserva. O episódio quase incluiu uma briga de fato entre o alemão e o escocês nos boxes. Melhor para Damon Hill, que, com uma pilotagem precisa, comandou a dobradinha da Jordan naquela que foi a primeira vitória da equipe inglesa na F1.

4) GP da Europa de 1999
Vencedor: Johnny Herbert (Stewart-Ford Cosworth)

Aconteceu praticamente de tudo naquele dia em Nurburgring: acidente feio na largada (com Pedro Paulo Diniz), condições climáticas instáveis e todo e qualquer tipo de contratempo aos favoritos. A liderança mudou de mãos m diversos momentos, desde Heinz-Harald Frentzen (o pole, que quebrou), Giancarlo Fisichella (rodou), Ralf Schumacher (teve pneu furado); enquanto isso, Eddie Irvine, que lutava pelo título, teve um pitstop comicamente demorado por parte da Ferrari. Assim, a prova teve um pódio improvável: Johnny Herbert venceu com a Stewart, seguido de Jarno Trulli, da Prost, e de Rubens Barrichello, colega de equipe do vitorioso do dia.

3) GP do Brasil de 2003
Vencedor: Giancarlo Fisichella (Jordan-Ford Cosworth)

Uma corrida que não teve largada, não teve bandeirada quadriculada, nem três pilotos no pódio ou hino correto ao vencedor. Isso por si só explica a presença do GP do Brasil de 2003 nesta lista. Naquele dia, o clima chuvoso e algumas trapalhadas provocaram uma corrida maluca, com direito a acidentes múltiplos na Curva do Sol, uma pane seca dramática para Barrichello e batidas fortes que provocaram a interrupção prematura da corrida. A confusão da direção de prova, que inicialmente apontou vitória de Raikkonen e só corrigiu a informação dias depois, foi o toque especial. Quem riu no fim foi Fisichella, que venceu pela primeira vez na F1.

2) GP de Mônaco de 1996
Vencedor: Olivier Panis (Ligier-Mugen Honda)

 

O que dizer de uma prova em que: o pole, Schumacher, bateu na passagem de abertura; e o líder do campeonato, Hill, abandonou por uma falha de motor que a Williams-Renault não sofria desde 93? Em meio a isso, Olivier Panis surgiu como o cavaleiro azul nascido das águas pluviais para rumar do 14º lugar na grelha até o topo do pódio. E com direito a pelo menos três ultrapassagens em pista. Detalhe 1: somente quatro bólidos cruzaram a linha de chegada. Detalhe 2: David Coulthard completou em segundo usando o capacete reserva de Schumacher, porque o seu rachara.

1) GP de Mônaco de 1982
Vencedor: Riccardo Patrese (Brabham-Ford Cosworth)

 

GP Mônaco 1982

Apesar do alto número de abandonos, nada vinha ocorrendo de forma tão anormal nesta exibição épica da F1. O pole, René Arnoux, rodara sozinho no giro 15, deixando a liderança para o companheiro de Renault, Alain Prost. Este passara a dominar o cotejo de maneira impassível até uma fina garoa começar a cair, a quatro voltas do final. Foi quando se iniciou a barbárie: primeiro Prost bateu sozinho na saída da chicane do Porto. Riccardo Patrese tomou a dianteira, mas rodou na entrada da Loews e deixou a ponta para Didier Pironi. O francês da Ferrari rumava firme à vitória até sofrer uma pane seca no giro final. Andrea de Cesaris se viu muito próximo de seu tão aguardado (e nunca chegado) primeiro triunfo, mas também ficou sem combustível. Patrese, então, venceu, mas só ficou sabendo disso depois que a corrida havia terminado.

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  • “The One” Gabala

    Tirando o GP da Itália de 65, eu já tinha visto/ouvido falar de todas. Mas é bom demais relembrar isso e é melhor ainda quando uma corrida maluca dessas acontece.

  • Leandro Farias

    Esse GP do Brasil de 2003 só entrou no ranking de corridas malucas porque a segurança melhorou. Se fosse a mesma coisa desde a morte do Senna, Webber e Alonso tinham ido pro saco, e a corrida teria sido lembrada de forma trágica.

    E salvo engano, nesse GP do Mônaco de 96, acho que só os 3 do pódio que cruzaram, o quarto (acho que foi o Häkkinen) também não terminou.

    • Vagner

      O 4° foi o Frentzen, que realmente não cruzou a linha de chegada: entrou nos boxes na última volta.