10+ Projeto Motor #27: os pódios mais inusitados da história da F1

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De vez em quando, a F1 tem uma corrida que termina com um resultado meio maluco e que coloca pilotos que ninguém esperava no pódio. São momentos interessantes, que normalmente contam com muita festa principalmente das equipes que não contavam com aquele final feliz para o o domingo.

A equipe do Projeto Motor resolveu fazer sua tradicional votação interna para eleger os 10 GPs que tiveram os pódios mais inusitados da história da categoria. Vários foram citados pelo comitê, causando certa divisão, mas chegamos à lista final após muita confabulação.

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Como sempre, pedimos para o caro leitor entender o critério, já que listas, mesmo que com o mesmo tema, podem ser modificadas dependendo dos itens levados em conta para a pontuação. Aqui, tivemos o cuidado de checar a formação dos três primeiros colocados naquele momento específico em que aconteceu a corrida em questão.

Isso significa que podem aparecer provas em que temos mais de um campeão mundial, vencedores de corridas e etc, mas que naquele momento de suas carreiras, não tinham a expectativa de terminarem com um resultado tão representativo, principalmente pelo carro que estavam conduzindo.

Vamos ao ranking:

10º – GP do Brasil de 2003

Resultado:
1º – Giancarlo Fisichella (Jordan-Ford)
2º – Kimi Raikkonen (McLaren-Mercedes)
3º – Fernando Alonso (Renault)

Raikkonen devolve troféu pela vitória no GP do Brasil de 2003 a Fisichella
Raikkonen devolve troféu pela vitória no GP do Brasil de 2003 a Fisichella

Uma corrida maluca, que terminou com o resultado oficializado apenas alguns dias depois. Muitos dos favoritos terminaram no muro (como M Schumacher) ou com problemas (Barrichello). No trecho final, parecia que o jovem Raikkonen conseguiria seu segundo triunfo na categoria, mas um surpreendente Fisichella ultrapassou o finlandês com sua Jordan. É difícil saber se ele venceria, mas um forte acidente de Webber, que ainda resultou na batida de Alonso (após acertar pedaços da Jaguar do australiano) fez a prova ser encerrada mais cedo. Raikkonen foi declarado vencedor porque estaria na ponta uma volta antes da bandeira vermelha. Depois, a FIA percebeu que cometeu um erro e o piloto da McLaren devolveu o troféu ao italiano na etapa seguinte.

9º – GP de Mônaco de 1982

Resultado:
1º – Ricardo Patrese (Brabaham-Ford)
2º – Didier Pironi (Ferrari)
3º – Andrea de Cesaris (Alfa Romeo)

Patrese fica com surpreendente vitória no GP de Mônaco de 82
Patrese fica com surpreendente vitória no GP de Mônaco de 82

Conhecido como um dos finais de corrida mais loucos da história, o GP de Mônaco de 1982 também terminou com um resultado inusitado. Foi a primeira das seis vitórias da carreira de Patrese, que chegou a cair para terceiro na última volta e quando cruzou a linha de chegada não sabia que tinha vencido. Pironi até estava forte naquela temporada, sendo um dos favoritos ao título, e chegou a ter a corrida nas mãos no último giro, mas ficou sem combustível. De Cesaris em terceiro, de Alfa Romeo, também foi algo inesperado. Para se ter ideia, o italiano teve apenas mais quatro pódios em sua longa carreira e a marca italiana estava longe de ser uma das forças do grid. E ele passou perto da vitória, já que após o problema de Pironi, tomaria a liderança, mas também parou por pane seca alguns metros antes.

8º – GP da Espanha de 1975

Resultado:
1º – Jochen Mass (McLaren-Ford)
2º – Jacky Ickx (Lotus-Ford)
3º – Carlos Reutemann (Brabham-Ford)

A prova teve que ser interrompida com apenas 29 voltas por conta do caos que se tornou o GP em Montjuich por conta dos acidentes, incluindo um com mortes de espectadores. Para se ter ideia, cinco voltas antes da prova ser encerrada, nenhum dos pilotos que terminaram no pódio estavam entre os três primeiros. Uma série de acidentes deixou o caminho livre para Mass ficar com a vitória, a única de sua carreira, com Ickx conquistando o único pódio da Lotus na temporada em segundo. Também teve confusão para decidir o terceiro lugar: Jarier terminou em terceiro na pista, mas depois os comissários chegaram à conclusão que ele passou Reutemann sob bandeira amarela. O argentino herdou o pódio.

7º – GP da Alemanha de 1994

Resultado:
1º – Gerhard Berger (Ferrari)
2º – Olivier Panis (Ligier-Renault)
3º – Éric Bernard (Ligier-Renault)

Panis, Berger e Bernard no surpreendente pódio do GP da Alemanha de 1994
Panis, Berger e Bernard no surpreendente pódio do GP da Alemanha de 1994

Em uma temporada dominada por Williams e Benetton, a corrida em Hockenheim terminou com um resultado totalmente fora do comum. Berger estava em um final de semana dos mais inspirados de sua carreira: largou na pole e venceu de ponta-a-ponta. Era o primeiro triunfo da Ferrari em quatro anos. E o que podemos dizer das duas Ligier que completaram o pódio? Aproveitando o forte motor Renault no circuito de alta alemão e os problemas dos favoritos, Panis e Bernard não deixaram a oportunidade passar. A última vez que dois carros da equipe francesa tinham terminado entre os três na mesma prova tinha sido em 85. Também foi o único pódio da carreira de Bernard.

6º – GP do Canadá de 1995

Resultado:
1º – Jean Alesi (Ferrari)
2º – Rubens Barrichello (Jordan-Peugeot)
3º – Eddie Irvine (Jordan-Peugeot)

Barrichello, Irvine e Alesi no pódio do GP do Canadá de 1995
Barrichello, Irvine e Alesi no pódio do GP do Canadá de 1995

Mais uma corrida bem maluca de nossa lista. Com os problemas de diversos dos favoritos, Jean Alesi conquistou a tão sonhada vitória na F1, que também seria a única de sua carreira. Além do vencedor inesperado, a prova ainda terminou com duas Jordans no pódio, algo bastante improvável, apesar da constate evolução do time. Para completar o resultado inusitado, ainda podemos aumentar nosso escopo para o quarto lugar, que teve Olivier Panis, com sua Ligier-Mugen Honda.

5º – GP da Bélgica de 1998

Resultado:
1º – Damon Hill (Jordan-Mugen Honda)
2º – Ralf Schumacher (Jordan-Mugen-Honda)
3º – Jean Alesi (Sauber-Ferrari)

A surpreendente dobradinha da Jordan no GP da Bélgica de 1998, com Alesi, da Sauber, em terceiro
A surpreendente dobradinha da Jordan no GP da Bélgica de 1998, com Alesi, da Sauber, em terceiro

Se o sexto lugar tinha duas Jordans no pódio, em segundo e terceiro, o que dizer de uma corrida em que a equipe irlandesa conquistou uma dobradinha. A prova, com muita chuva, ficou marcada por um desastre logo na primeira volta, com um acidente que envolveu 13 carros. Apenas 18 dos 22 classificados conseguiram retornar para a segunda largada. Tudo indicava que seria uma vitória tranquila de M Schumacher, quando o alemão acertou a traseira da McLaren de David Coulthard que estava uma volta atrás, em um lance que gerou bastante polêmica. Com toda confusão, Hill e Ralf Schumacher surgiram nas duas primeiras posições, com Alesi, de Sauber, em terceiro. Os três mantiveram as posições nas últimas 18 voltas para conseguirem o resultado que ninguém esperava.

4º – GP da Áustria de 1975

Resultado:
1º – Vittorio Brambilla (March-Ford)
2º – James Hunt (Hesketh-Ford)
3º – Tom Pryce (Shadow-Ford)

Vittorio Brambilla: um dos vencedores improváveis que triunfaram na Áustria (Divulgação)
Vittorio Brambilla: um dos vencedores improváveis que triunfaram na Áustria (Divulgação)

Os números falam muito sobre esse incrível pódio. A corrida em Osterreichring não foi só a única vitória da carreira de Brambilla, como também seu único pódio. Hunt já estava se acostumando a terminar entre os três primeiros, mas ainda era um piloto em ascensão com sua incrível Hesketh. E Pryce também era um estreante em pódios e conseguiu repetir o feito apenas mais uma vez. Sua equipe, a Shadow, esteve com pilotos entre os três melhores em apenas sete oportunidades. Realmente uma situação bastante única na F1.

3º – GP do Japão de 1990

Resultado:
1º – Nelson Piquet (Benetton-Ford)
2º – Roberto Pupo Moreno (Benetton-Ford)
3º – Aguri Suzuki (Larrousse-Lamborghini)

Quem poderia imaginar que Piquet teria a companhia de Moreno e Suzuki no pódio do GP do Japão de 1990?
Quem poderia imaginar que Piquet teria a companhia de Moreno e Suzuki no pódio do GP do Japão de 1990?

Ok, Nelson Piquet já era um experiente tricampeão e a Benetton uma equipe em ascensão, inclusive com vitória no currículo. Mesmo assim, o segundo lugar de Moreno, em sua estreia pela equipe ítalo-inglesa, e o surpreendente terceiro lugar de Suzuki, de Larrousse, fazem deste uma das formações de pódios mais diferentes da história. Os dois, inclusive, nunca mais repetiram o resultado em suas carreiras. O resultado, claro, muitas vezes é esquecido por conta da polêmica decisão de título entre Senna e Prost, mas é certamente um resultado que nem os melhores dos apostadores poderiam imaginar.

2º – GP de Mônaco de 1996

Resultado:
1º – Olivier Panis (Ligier-Mugen Honda)
2º – David Coulthard (McLaren-Mercedes)
3º – Johnny Herbert (Sauber-Ford)

A famosa corrida em que apenas três carros receberam a bandeira quadriculada. Frentzen, que terminou em quarto, até se arrastou até o fim, mas terminou a corrida no pit. Panis conquistou sua primeira e única vitória na F1. Era também o primeiro triunfo da Ligier em 15 anos e o último do time. Para completar, Coulthard levou a McLaren ao segundo lugar, em uma fase ainda muito difícil para os ingleses. Para se ter ideia, era o primeiro pódio da equipe na temporada, que já estava em sua sétima etapa. Herbert também conseguia um feito importante ao dar à Sauber o segundo pódio de sua história. Ninguém poderia imaginar esses três ao lado do príncipe antes da largada.

1º – GP da Europa de 1999

Resultado:
1º – Johnny Herbert (Stewart-Ford)
2º – Jarno Trulli (Prost-Peugeot)
3º – Rubens Barrichello (Stewart-Ford)

A corrida teve voto unânime entre os integrantes do Projeto Motor como pódio mais inusitado da história. Duas equipes que, apesar de terem bons resultados, passavam longe de serem consideradas favoritas às vitórias dominaram o final, aproveitando-se dos problemas das favoritas McLaren e Ferrari. Curiosamente, os três pilotos que terminaram na frente na prova em Nurburgring terminaram suas carreiras com vitórias em seus currículos na F1. Mesmo assim, era inimaginável que eles poderiam terminar na frente naquele dia. Herbert levou a Stewart a sua única vitória na categoria, justamente no último ano da participação da equipe. Ele teve ainda seu companheiro, Barrichello, em terceiro, em um momento mágico para equipe. Entre eles, um surpreendente Jarno Trulli, que subia pela primeira vez na carreira ao pódio. Era o terceiro e último resultado entre os três primeiros da equipe Prost.

 

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  • ituano_voador

    Nesse GP da Bélgica de 1998, a parte interessante ficou com a ameaça do Damon Hill no fim da corrida, quando o Ralf Schumacher estava tentando chegar para brigar pela ponta. Damon ficou p* da vida e não usou meias palavras, “Se não tivermos que correr um contra o outro, podemos conseguir 1º e 2º; se tivemos que correr um contra o outro, podemos ficar sem nada. Escolha, Eddie.”:

    • Dox

      Sério que o Hill foi covarde a esse ponto?
      Não sabia disso.

      • André Alves

        Não acho que seja questão de covardia, mas de sensatez: a pista estava molhada e nenhum deles iria ceder. É a receita pra algo muito errado acontecer.

        • Dox

          Não gosto dessas situações.
          Eu condeno muito a existência desse modelo de equipe de duplas.

  • Joshué Fusinato

    Excelente lista como sempre, amigos!

    Ficam meus dois centavos de efeméride: no GP de Mônaco de 1996, David Coulthard correu com o capacete do Michael Schumacher.

    As condições climáticas não eram as mais favoráveis no momento da prova, e o escocês com cara de Lego não levou capacete com viseira clara. Não havia mais tempo pra resolver o problema, a solução foi improvisar: o alemão cedeu um capacete reserva pro piloto da McLaren. O time inglês não deve ter reclamado, pois teve um gostinho de ter o então bicampeão no carro. Os patrocinadores também não, com a foto denuncia.

    Abraços!

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