10+ Projeto Motor #29: parcerias entre equipes e motores na F1 frustradas

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Algumas equipes da F1 se acostumaram com o passar dos anos com um certo status dentro da categoria. Oscilações sempre existem, mas, em geral, esses times passam sua vida dentro da categoria sendo grandes e disputando vitórias e títulos, médios e buscando pontos e pódios ou pequenos, na luta pela sobrevivência.

Quando pensamos em um carro de corrida, mesmo nas eras em que aerodinâmica se tornou primordial no desenvolvimento, o motor é uma das partes mais importantes do conjunto e que, na maioria das vezes, é uma das poucas peças não fabricadas pelos times independentes.

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Por isso, uma parceria estratégica entre escuderias e fabricantes dos propulsores pode ser algo que jogue a equipe para o alto ou afunde ela de maneira inesperada de uma forma que coloque sua saúde financeira e esportiva em risco.

O mesmo também pode valer para algumas marcas importantes do setor automotivo que se arriscam em um projeto de fornecer motores dentro da F1. A escolha do parceiro certo é muito importante para que a empreitada seja de longo prazo. Uma escolha errada neste quesito, pode jogar por terra todo o investimento financeiro e técnico da empresa.

Separamos algumas das parcerias que deram mais errado na história da categoria, usando como critério de classificação o tamanho das equipes ou marcas envolvidas e a expectativa criada. Lembrou de mais alguma que não entrou em nossa lista? Deixe nos comentários.

10º – BMS Scuderia Italia Lola-Ferrari (1993)

Luca Badoer conduz a problemática Lola-Ferrari da BMS Scuderia Italia em 1993
Luca Badoer conduz a problemática Lola-Ferrari da BMS Scuderia Italia em 1993

Caso que chama a atenção mais pelo fracasso da equipe que do propulsor. Em 1993, após problemas entre Dallara e Ferrari, a BMS se juntou à Lola para fabricar seus carros e manter os propulsores da marca italiana. E um carro empurrado pelos cavalos de Maranello nunca fizeram tão feio nas pistas da F1 como aquele modelo. Mesmo com o experiente Michele Alboreto e o promissor Luca Badoer (sim, ele era o campeão da F3000 e considerado promissor) teve um 22º como melhor lugar no grid e um sétimo como melhor resultado, em uma corrida em Ímola em que apenas sete carros terminaram.

9º – Ligier-Alfa Romeo (1987)

Com tantos problemas na pré-temporada, a parceria Ligier e Alfa nem começou o campeonato
Com tantos problemas na pré-temporada, a parceria Ligier e Alfa nem começou o campeonato

O que acha de unir uma equipe tradicional como a Ligier com uma marca como a Alfa Romeo? Tudo foi divulgado, assinado e construído. Mas o time francês nunca largou em GP empurrado por um propulsor da companhia italiana. René Arnoux testou o conjunto na pré-temporada e não poupou críticas ao equipamento da Alfa, chegando a compará-lo a “comida de segunda mão”. O resultado é que a Fiat, que já não morria de amores pelo programa de sua empresa filha, aproveitou o problema para então cancelar a participação antes mesmo do início do campeonato. Assim, a Ligier teve que sair correndo de última hora atrás de um motor, fechando com a Megatron, que utilizava como base os antigos BMW M12. O resultado da confusão foi a terceira pior temporada da história da equipe (a pior até então).

LEIA ESPECIAL FRACASSOS DE MONTADORAS NA F1:
– Alfa Romeo, Aston Martin e Bugatti
– Ford-Jaguar, Lamborghini e Peugeot
– Porsche, Subaru, Toyota e Yamaha

8º – Brabham-Yamaha (1991)

Mark Blundell (GBR) Brabham BT60Y, 6th place. Belgian Grand Prix, Spa, 25 August 1991
Mark Blundell (GBR) Brabham BT60Y, 6th place.
Belgian Grand Prix, Spa, 25 August 1991

OK, em 1991 a Brabham já não era mais AQUELA equipe, mas o nome ainda era pesado. A Yamaha, como toda grande montadora que chega com um novo projeto à F1, causava também alguma curiosidade. A empresa japonesa tinha uma passagem não muito gloriosa pela Zakspeed em 89, mas era apenas início de trabalho. Mesmo com esses descontos, a parceria Brabham-Yamaha foi um tremendo fracasso, conquistando apenas três pontos, e terminando na décima posição no campeão de construtores, a pior posição do time na história. Ao final do ano, cada um partiu por um caminho diferente.

7º – Footwork- Porsche (1991)

Michele Alboreto e seu Footwork-Porsche. Parceria durou poucas etapas
Michele Alboreto e seu Footwork-Porsche. Parceria durou poucas etapas

Um dos projetos mais desencontrados e confusos da história da Porsche. A cúpula da marca nem mesmo deu total apoio à iniciativa de um retorno à F1, categoria onde ela teve muito sucesso nos anos 80 com a McLaren. Foi construído um V12 grande, pesado e problemático. As dificuldades começaram ainda na pré-temporada, quando a Footwork não conseguiu encaixar o motor em seu chassi e precisou redesenhar o modelo de última hora, já causando um atraso na estreia do novo carro. Com um propulsor mal desenvolvido e um carro remendado, o time tinha dificuldades até para se classificar ao grid. Cansada, a Footwork encerrou a parceria já na sétima etapa, onde apelou para os velhos V8 da Cosworth. A Porsche voltou para casa e não voltou à F1.

6º – Williams-Judd (1988)

Patrese e Mansell com suas Williams-Judd em 88
Patrese e Mansell com suas Williams-Judd em 88

Famosa por ser uma boa preparadora, a Judd resolveu em 1988 partir para uma nova empreitada na F1 com um motor totalmente projetado dentro de casa, já de olho na grande mudança que viria no regulamento de 89, com o banimento dos turbos. A empresa começaria com duas boas equipes médias, March e Ligier, mas, de última hora, teve a chance de fechar simplesmente com a atual campeã Willliams, que tinha perdido a Honda para a McLaren. A responsabilidade era imensa, e se o equipamento não era terrível, também não conseguiu manter o nível que o time inglês de Frank Williams estava acostumado, principalmente por falta de potência. A Williams logo se acertou com a Renault para a temporada seguinte, mas a Judd conseguiu outra parceria campeã, a Lotus, que também terminou em frustração.

5º – Williams-Cosworth (2006 e 2010-11)

A Williams sofreu com a Cosworth nos anos 2000
A Williams sofreu com a Cosworth nos anos 2000

Se você procurar pelos nomes Williams e Cosworth, vai encontrar relatos cheios de títulos e vitórias. Incluindo das duas juntas, em 1982. Mas nos anos 2000, as duas empresas não eram mais as mesmas e se juntaram quase que em um desespero pela falta de opções da equipe inglesa. Em 2006, após ter perdido a BMW, que resolveu investir em um time próprio, e em 10 e 11, depois da Toyota resolver abandonar a categoria. O que se viu nas três temporadas foram os carros do tradicional time sofrendo e deixando a desejar principalmente pela falta de potência dos motores. Foi o último suspiro da Cosworth em parceria com uma grande equipe da F1, e que deixou apenas más impressões sobre o que ela era capaz. O resultado: oitava colocação por duas vezes entre os construtores e o sétimo lugar como melhor.

4º – Lotus-Lamborghini (1990)

A parceria da Lotus com a Lamborghini não deu nada certo para nenhum dos dois lados
A parceria da Lotus com a Lamborghini não deu nada certo para nenhum dos dois lados

Descontente com o Judd de 1989, a Lotus apostou em dar uma chance à Lamborghini e seu V12 para 1990, que tinham estreado no ano anterior. Nelson Piquet, desconfiado da escolha, resolveu pular fora do projeto e partiu para a Benetton. E não poderia estar mais certo. Mesmo com tantos canecos, o motor italiano ainda não tinha tanta potência e sofria muito com a falta de confiabilidade. Além disso, ele era grande, pesado e tinha um consumo muito alto, o que exigia tanques de combustível maiores. Isso tudo influenciou negativamente no desenho do chassi. A Lotus teve uma das piores temporadas de sua história, perdendo ao final do ano o patrocínio da Camel e entrando em uma descendente que nunca mais conseguiu reverter até o seu fim, em 94.

LEIA ESPECIAL MOTORES INDEPENDENTES NA F1:
– Judd, o V8 que reinou na F1 das equipes pequenas
– Hart, a pequena que quase surpreendeu os grandes
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– BRM, do sonho patriótico pós-Guerra ao título
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3º – Williams-Toyota (2007-09)

Williams achou que parceria com Toyota seria sua salvação. Não deu certo
Williams achou que parceria com Toyota seria sua salvação. Não deu certo

Passado o ano de transição com a Cosworth, a Williams conseguiu novamente uma montadora ao seu lado em 2007. É verdade que a Toyota tinha sua equipe própria na F1, mas a vontade de investir na categoria era latente por parte da marca japonesa, que queria uma parceria forte para desenvolver seus motores. Só que nem a Toyota acertou em seus motores, muito menos a Williams teve algum mérito com seus carros. As duas companhias nunca conseguiram trabalhar juntas para valer, o que resultou em afundar ainda mais a equipe para uma crise que ainda duraria mais alguns anos.

2º – McLaren-Peugeot (1994)

A parceria coma Peugeot parecia ser um novo momento para a McLaren. Acabou sendo um fracasso
A parceria coma Peugeot parecia ser um novo momento para a McLaren. Acabou sendo um fracasso

Depois de uma temporada como cliente da Ford em que teve que dividir as atenções com a Benetton, a McLaren conseguiu para 1994 o que mais queria: voltar a ter uma parceria oficial com uma grande montadora. No caso era a Peugeot, que fazia a sua estreia na categoria, prometendo um grande investimento. Só que a parceria não poderia ter dado mais errado. Dentro da pista, o motor francês se mostrou pouco potente em relação aos principais rivais e extremamente problemático, com sérios problemas de confiabilidade, causando diversos abandonos. Fora, equipe e fornecedora não se entendiam sobre quem deveria desenvolver o equipamento (McLaren queria Brundle e Peugeot, Alliot). No final das contas, a McLaren fez sua primeira temporada sem vitórias desde 1980 e logo rompeu a parceria para fechar com a Mercedes. Restou à Peugeot entrar em acordo com a Jordan para 1995.

1º – McLaren-Honda (2015-17)

Tudo errado na nova parceria entre McLaren e Honda na F1. Alonso que o diga...
Tudo errado na nova parceria entre McLaren e Honda na F1. Alonso que o diga…

Nada é comparável à frustração da atual parceria entre McLaren e Honda. Tudo foi anunciado ainda em 2013 como algo extremamente promissor, que incluía não só o retorno da montadora japonesa à F1, mas como a retomada de uma sociedade de muito sucesso dos anos 90. Tudo deu errado. Não existe nenhum momento em três anos de trabalho em que aparentou-se uma evolução. O motor Honda nunca se mostrou competitivo e, depois de aguardar ansiosamente o desenvolvimento por algum tempo, a McLaren acabou perdendo a paciência. Os três anos em que o time frequentou vergonhosamente as últimas posições do grid, lutando para marcar pontos, serão sempre lembrados como uma das piores fases da história da McLaren e uma das parcerias de pior resultado (principalmente frente à expectativa formada) da história da F1.

 

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Lucas Santochi

Mais um fanático da gangue que criou vínculo com automobilismo desde a infância. Acampou diversas vezes nas calçadas ao redor de Interlagos para assistir aos GPs e nunca esqueceu a primeira vez que, ainda do lado de fora do autódromo, ouviu o barulho de F1 acelerando pela reta. Jornalista formado em 2004, passou por redações na época da TV Band e Abril, teve experiência na área de assessoria de comunicação esportiva até chegar ao site especializado em esporte a motor Tazio, em 2010. Passou pelas funções de redator, repórter (cobrindo diversas corridas no Brasil e exterior de F1, Indy, WEC, Stock Car, entre outras) e subeditor até o final de 2013, quando o veículo encerrou suas atividades. Trabalhou ainda como redator do UOL Esporte em 2014 até que decidiu se juntar com os outros três membros do Projeto Motor para investir na iniciativa.

  • ANDRÉ WOLLMANN

    Sugestão Para as 10 Parcerias entre equipes e motores na F1 bem Sucedidas:

    10 – Red Bull – Renault (2007 – Hoje)
    9 – Ligier – Renault (1984 – 1986 e 1992 – 1994)
    8 – Lotus – Cosworth (década de 70)
    7 – Sauber – Ferrari (1997 – 2005)
    6 – Mclaren – Porsche (1983 – 1987)
    5 – Benneton – Ford (1988 – 1994)
    4 – Mclaren – Mercedes (1995 – 2014)
    3 – Brabham – BMW (1982 – 1987)
    2 – Williams – Renault (1989 – 1997)
    1 – Mclaren – Honda (1988 – 1992)

  • ANDRÉ WOLLMANN

    Sugestão Para as 10 Parcerias entre equipes e motores na F1 bem Sucedidas:

    10 – Red Bull – Renault (2007 – Hoje)
    9 – Ligier – Renault (1984 – 1986 e 1992 – 1995)
    8 – Lotus – Cosworth (década de 70)
    7 – Sauber – Ferrari (1997 – 2005)
    6 – Mclaren – Porsche (1983 – 1987)
    5 – Benneton – Ford (1988 – 1994)
    4 – Mclaren – Mercedes (1995 – 2014)
    3 – Brabham – BMW (1982 – 1987)
    2 – Williams – Renault (1989 – 1997)
    1 – Mclaren – Honda (1988 – 1992)

  • ANDRÉ WOLLMANN

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    9 – Benneton – Renault (1995 – 1997 e 2001)
    8 – Lotus – Cosworth (década de 70)
    7 – Sauber – Ferrari (1997 – 2005)
    6 – Mclaren – Porsche (1983 – 1987)
    5 – Benneton – Ford (1988 – 1994)
    4 – Mclaren – Mercedes (1995 – 2014)
    3 – Brabham – BMW (1982 – 1987)
    2 – Williams – Renault (1989 – 1997)
    1 – Mclaren – Honda (1988 – 1992)

  • ANDRÉ WOLLMANN

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    8 – Lotus – Cosworth (década de 70)
    7 – Sauber – Ferrari (1997 – 2005)
    6 – Mclaren – Porsche (1983 – 1987)
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    4 – Williams – Cosworth (1977 – 1983)
    3 – Brabham – BMW (1982 – 1987)
    2 – Williams – Renault (1989 – 1997)
    1 – Mclaren – Honda (1988 – 1992)