10+ Projeto Motor #9: Os piores carros já criados por equipes de ponta na F1

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Estamos em começo de ano, época em que as equipes mostram ao mundo os carros com os quais disputarão a nova temporada da F1. Em 2016, o favoritismo inicial evidentemente é da Mercedes, que dominou de forma categórica os últimos dois anos, e, seguindo o lema de que “em time que se ganha não se mexe”, segue com suas principais peças inalteradas para o novo campeonato.

Esse é o sentimento que domina a concorrência neste começo de ano. Felipe Massa recentemente afirmou que a Mercedes só deixará a posição de destaque caso cometa uma besteira. Mas, apesar de parecer improvável que o W07 seja um desastre, a F1 está repleta de exemplos de equipes poderosas que meteram os pés pelas mãos e fabricaram verdadeiras bombas, para deixar qualquer projetista envergonhado.

Duvida? Então confira abaixo mais uma lista do Projeto Motor, que menciona dez casos (mais algumas menções honrosas) em que as equipes grandes “pisaram na bola”. Se você lembrar de mais exemplos, fique à vontade para mencioná-los nos comentários!

10 – MCLAREN MP4-28, 2013:
Projetista:
Paddy Lowe, Neil Oatley, Tim Goss, Doug McKiernan
Pilotos:
Jenson Button, Sergio Perez
Melhor resultado:
4º (corrida), 6º (grid de largada)

F1 Testing Barcelona 1 - Day 1

Por ter terminado a temporada de 2012 como o time a ser batido, a McLaren iniciou o ano seguinte cheia de expectativas. Puro engano. O MP4/28 apresentava grandes mudanças em relação ao seu antecessor, como um bico mais alto, um desenho agressivo da carenagem ao redor do escapamento e a adoção da suspensão pull-rod. Como consequência, Jenson Button e Sergio Pérez sofreram por toda a temporada e não obtiveram um pódio sequer. Não à toa, Ron Dennis admitiu, anos mais tarde, que a equipe deveria ter abandonado o projeto e voltado ao carro de 2012 desde cedo.

9 – LOTUS 80, 1979
Projetista:
Colin Chapman, Martin Ogilvie, Peter Wright
Piloto:
Mario Andretti
Melhor resultado:
3º (corrida), 4º (grid de largada)

Mario Andretti (USA), Martini Racing Team Lotus 79.. Spanish Grand Prix, 29/04/1979, Jarama, Spain..

Após o sucesso do 79, a Lotus focou ainda mais na utilização do efeito-solo para seguir à frente. Assim, para 1979, a equipe desenvolveu o modelo 80, com desenho seguindo o conceito do nariz à traseira. O carro, porém, acabou se mostrando instável nas curvas de baixa, quando perdia pressão aerodinâmica e retomava repentinamente. Foi utilizado por Mario Andretti em apenas três provas, com um 3º e duas quebras.

8 – BRABHAM BT55, 1986
Projetista:
Gordon Murray
Pilotos:
Riccardo Patrese, Elio de Angelis, Derek Warwick
Melhor resultado:
6º (corrida), 4º (grid de largada)

Brabham 1986

A ideia por trás do Brabham BT55 era interessante. A intenção do projetista Gordon Murray, um dos mais brilhantes da história, era melhorar a eficiência aerodinâmica do conjunto ao criar um chassi de perfil baixo, visualmente diferente do que se via na época. Porém, na prática, não deu certo. O “carro-skate”, como ficou conhecido, exigia que o motor BMW e o câmbio ficassem mais baixos do que deveriam, o que prejudicou a entrega da potência e causou diversas falhas mecânicas. O conceito foi aprimorado para o lendário MP4/4 e o resultado foi avassalador.

7 – LOTUS 63, 1969
Projetista:
Colin Chapman
Pilotos:
Mario Andretti, Jo Bonnier, John Miles
Melhor resultado:
10º (corrida), 11º (grid de largada)

Lotus 1969

Desenhado para ser uma evolução do 49, o Lotus 63 usava um sistema de tração 4×4, mas logo se apresentou arisco à pilotagem e difícil de acertar. Graham Hill se recusou a usar o carro após um teste. Jochen Rindt assumiu a mesma posição após andar em uma prova extracampeonato. O 63 sobrou para John Miles e Mario Andretti, mas, em 7 participações, o modelo quebrou em 6 e Miles terminou em 10º em Silverstone.

6 – WILLIAMS FW12, 1988
Projetistas:
Patrick Head, Enrique Scalabroni, Frank Dernie
Pilotos:
Nigel Mansell, Riccardo Patrese, Martin Brundle, Jean-Louis Schlesser
Melhor resultado:
2º (corrida), 2º (grid de largada)

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Para 1988, a Williams se viu em situação de vulnerabilidade rara para quem havia se sagrado campeã com sobras no ano anterior. Sem os motores Honda, o time se viu obrigado a utilizar os modestos Judd aspirados, que pouco podiam fazer em plena era turbo. O FW12 era deficiente nas retas, e, nas curvas, ocasionalmente apresentava dificuldades com os problemas de uma suspensão ativa ainda em desenvolvimento. Apesar dos dois pódios, Mansell certamente esperava mais depois de “bater na trave” nos anos anteriores.

5 – MCLAREN MP4/19, 2004
Projetista:
Adrian Newey
Pilotos:
Kimi Raikkonen, David Coulthard
Melhor resultado:
5º (corrida), 4º (grid de largada)

McLaren 2004

Mais uma prova que grandes projetistas também erram. Descendente do natimorto MP4/18, que nem chegou a correr em 2003, o MP4/19 carregou os problemas de seu antecessor. Com o perfil compacto típico dos projetos de Newey, o carro apresentava sérios problemas de confiabilidade, o que fez com que Raikkonen, vice-campeão do ano anterior, marcasse apenas um ponto nas primeiras sete provas. A situação só melhorou com a introdução de um modelo B, que corrigiu os principais problemas e até venceu uma corrida – mas já era tarde demais.

4 – FERRARI F92A, 1992
Projetista:
Steve Nichols
Pilotos:
Jean Alesi, Ivan Capelli, Nicola Larini
Melhor resultado:
3º (corrida), 5º (grid de largada)

Ferari 1992

Os tifosi certamente querem esquecer o início dos anos 90. O ápice da crise foi em 1992, com o problemático F92A. A obra de Steve Nichols tinha nariz levemente mais alto que o carro de 91, mas também não contava com as principais tendências da época, como, por exemplo, a suspensão ativa. Por isso, Alesi comeu o pão que o diabo amassou, passando longe não só da dominante Williams, mas também da McLaren e Benetton.

3 – LOTUS 56B, 1971
Projetista:
Colin Chapman
Pilotos:
Emerson Fittipaldi, Dave Walker, Reine Wisell
Melhor resultado:
8º (corrida), 18º (grid de largada)

Lotus 1971

Inspirado em um carro que quase venceu a Indy 500, Colin Chapman projetou o 56B com uma turbina no lugar do motor e sistema 4×4. O resultado foi um modelo bastante problemático, que andava muito nas retas, mas não era confiável nas curvas. Como não tinha freio-motor, os pilotos precisavam contar apenas com o freio convencional. Entrou na pista 3 vezes, com Emerson Fittipaldi, quebrando em 2 e terminando em 8º em Monza.

2 – FERRARI 312T5, 1980
Projetista:
Mauro Forghieri
Pilotos:
Jody Scheckter, Gilles Villeneuve
Melhor resultado:
5º (corrida), 3º (grid de largada)

Ferrari 1980

Mesmo tendo monopolizado a luta pelo título de 1979, a Ferrari obteve a façanha de construir um de seus carros menos competitivos para o ano seguinte. O 312T5 mostrava que a Scuderia havia parado no tempo: enquanto ela usava a versão atualizada do carro de 1975, as demais investiam no conceito do carro-asa ou nos motores turbo. Foi um fim melancólico a um dos projetos mais bem-sucedidos da história.

1 – MCLAREN MP4/30, 2015
Projetista:
Tim Goss, Neil Oatley, Matt Morris
Pilotos:
Fernando Alonso, Jenson Button, Kevin Magnussen
Melhor resultado:
5º (corrida), 9º (grid de largada)

McLaren 2015

A reedição da parceria McLaren-Honda com dois campeões mundiais a bordo foi um deleite aos fãs mais nostálgicos. Contudo, a fabricante japonesa apanhou um bocado em seu ingresso ao regulamento V6 turbo ao apresentar dificuldades tanto de performance quanto de confiabilidade. As dificuldades da McLaren em 2013 e 2014, quando contava com os poderosos motores Mercedes, também levanta dúvidas quanto à eficácia do chassi. 2016 será um ano decisivo para a parceria.

MENÇÕES HONROSAS:

Lotus 100-T (1988): O 100-T foi tão decepcionante que até causou dúvidas a respeito da conduta ética do projetista Gerard Ducarouge. Apesar dos dois pódios de Nelson Piquet no ano, o carro tinha tantos problemas que nem chegou perto de ter os mesmos resultados de seus antecessores. Esse retumbante fracasso só ficou de fora de nossa lista pelo fato de a Lotus já não ser o poderoso time de outrora.

McLaren MP4/24 (2009): Focada na luta pelo título de 2008, a McLaren foi pega no contrapé na mudança de regulamento para o ano seguinte. Hamilton não teve a menor chance de defender seu título com sucesso, já que o MP4/24 simplesmente não rendeu no início de 2009. A situação melhorou no fim do ano, quando o inglês conseguiu vencer duas provas.

McLaren MP4/10 (1995): O primeiro ano da parceria McLaren-Mercedes foi de vacas magras para Woking, com um carro que, além de suas linhas estranhas, apresentava rendimento que nunca chegou a incomodar Benetton, Williams e até a Ferrari. A parceria começou a colher seus frutos em 97, com o domínio da categoria a partir do ano seguinte.

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