12H de Bathurst abre bem 2020 para o cada vez mais consolidado IGTC

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Com vitória histórica da Bentley, as 12 Horas de Bathurst, na Austrália, serviram de ponta pé para a quinta temporada do Intercontinental GT Challenge (IGTC), campeonato GT3 de endurance que vem dando o que falar.

O certame começou 2020 no tradicional circuito de Monte Panorama, como faz todos os anos desde sua inauguração, em 2016, com a participação de um total de 11 montadoras. Destas, nove anunciaram um comprometimento para toda a temporada: Audi (modelo R8 LMS Evo), Bentley (Continental GT3), BMW (M6 GT3), Ferrari (488 GT3), Honda (NSX GT3 Evo), Mercedes-AMG (AMG GT3 Evo), Porsche (911 GT3 R), Aston Martin (Vantage AMR GT3) e Lamborghini (Huracán GT3 Evo).

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Outras duas marcas correram especificamente na prova australiana com seus modelos GT3: McLaren (720S GT3) e Nissan (GT-R Nismo GT3). O grid total da corrida contou com 39 participantes, todos modelos que fazem qualquer fã de carros (de corrida ou não) ficar emocionado.

O IGTC é promovido pela SRO, famosa empresa que trabalhou junto à FIA para o desenvolvimento e homologação do regulamento GT3, que vem se tornando nos últimos anos uma das mais fortes classes GT do mundo. Diferente de outras modalidades deste tipo, como GTE e GT1, as montadoras não precisam desenvolver e construir carros especificamente para aquela série, com uma adaptação mais fácil de seus modelos de rua para as pistas, já que existem poucas restrições de tamanho de motor e peso. FIA e cada campeonato que utiliza a especificação, se encarregam depois de fazer um Balanço de Performance (BoP) para evitar domínio de uma marca.

Desta forma, a gama de carros homologados para este tipo de competição cresce a cada ano, sendo que ao final de 2019 já passava dos 50 modelos diferentes, de diversas marcas. Para 2022, mudanças no sistema estão sendo formuladas pela entidade reguladora para abrir subclasses, já que com a chegada de carros com características tão diferentes do mercado automotivo, principalmente entre os esportivos e os coupes, manter esse equilíbrio está ficando cada vez mais complexo.

Enquanto isso, a própria SRO promove diversas competições do tipo, a maioria regionalizada como GT World Challenge Europe Endurance Cup, Blancpain GT World Challenge America, Ásia, Campeonato Britânico de GT e por aí vai.

A ideia central é que as montadoras fabriquem os carros e deem apoio oficial para equipes, mas não precisem necessariamente abrir uma operação própria nos campeonatos, com parceiros muitas vezes regionais e pilotos clientes misturados com profissionais. No caso do IGTC, elas são incentivadas a entrarem com suporte técnico às equipes, até pela formação da classificação geral de fabricantes.

Carros do IGTC descem a monta de Panorama, na Austrália
Carros do IGTC descem a monta de Panorama, na Austrália (Foto: IGTC)

E com o crescimento do IGTC, a SRO ainda encontrou uma forma de fazer uma competição com requintes um pouco mais profissionais, com etapas em cinco continentes diferentes, atraindo patrocinadores, pilotos oficiais as marcas e estimulando ainda mais as montadoras a investirem neste mundo do GT3. Para melhorar, ela ainda se apoia em algumas provas feitas em parcerias com outras séries (muitas, dela mesmo), garantindo sempre um bom grid para suas corridas e mantendo a marca forte. A própria 12 Horas de Bathurst acontecem junto com o Australiano de GT.

As corridas do IGTC

No primeiro ano do campeonato, em 2016, o IGTC contou com três etapas: 12 Horas de Bathurst, 24 Horas de Spa e as 12 Horas de Sepang. As duas primeiras já existiam e tinham a sua tradição, se tornando assim base para o certame, assim como as 24 Horas de Le Mans são para o WEC e as 24 Horas de Daytona, para a IMSA. Naquele ano, quatro montadoras participaram da briga pelo título de marcas.

Em 2017, o calendário continuou com três etapas, mas Sepang foi substituída pelas 8 Horas da Califórnia, em Laguna Seca. Na temporada seguinte, novo aumento, agora para quatro provas, com a entrada das 10 Horas de Suzuka. E finalmente em 2019 chegamos às cinco disputas com a inclusão das 9 Horas de Kyalami.

Este ano, o IGTC segue com o mesmo número de provas, porém, com a mudança de sua etapa nos Estados Unidos, em que sai Laguna Seca para a entrada das 8 Horas de Indianápolis.

Brasileiros no IGTC 2020

Felipe Fraga irá participar da temporada completa do IGTC em 2020 pela equipe GruppeM, que recebe suporte oficial da Mercedes. Campeão da Stock Car de 2016, ele deixou a categoria nacional este ano para se concentrar em uma carreira internacional, que também irá incluir nesta temporada a participação em quatro etapas do Mundial de Endurance (WEC), incluindo Le Mans.

Outros dois nomes que deveremos ver em algumas provas são de Daniel Serra, que em 2020 passa a ser piloto oficial da Ferrari em provas de GT em diversas séries, e Augusto Farfus, que tem o mesmo papel na BMW.

Mercedes AMG GT3 que Felipe Fraga irá pilotar durante a temporada 2020 do IGTC
Mercedes AMG GT3 que Felipe Fraga irá pilotar durante a temporada 2020 (Foto: IGTC)

Especificamente em Bathurst, no último final de semana, eles tiveram a companhia de Marcos Gomes, que correu pela Ferrari ao lado de Daniel, e João Paulo de Oliveira, que participou pela equipe KCMG, com um Nissan GT-R Nismo.

E o que aconteceu na pista em Bathurst

As 12 Horas de Bathurst acontecem desde 1991, tentando seguir o estilo dos 1000 Km de Bathurst, ainda mais tradicional, mas com carros de produção. Após altos e baixos, a prova começou a crescer no final dos anos 2000, e principalmente depois que se abriu para os GT3, em 2011, quando se tornou também mais internacional.

A formação do IGTC em torno da corrida, junto com as 24 Horas de Spa, e o crescimento do Australiano de GT foram o impulso que ela precisava de vez para atrair a atenção do mundo, como os 1000 km já faziam.

Um dos grandes chamativos do evento é o tradicional, belo e perigoso circuito de Monte Panorama, um dos mais famosos do mundo por conta de seu traçado que sobe e desce as montanhas de Panorama e Wahluu. Até hoje, o traçado de 6.213 km cruza vias públicas, inclusive passando na porta de diversos residentes locais, que só conseguem acessar suas casas pela pista.

A largada, como sempre, aconteceu ainda na madrugada, pouco antes do nascer do sol. O início teve muitas brigas e movimentação. Em um circuito perigoso como o de Monte Panorama, isso obviamente acabou em acidentes, alguns bem fortes, e a entrada com certa frequência do safety car. Assim, as estratégias foram mudando durante a corrida, o que deixou sempre muito difícil fazer uma previsão de quem estaria na frente no trecho final da prova.

Aos poucos, o Bentley da equipe M-Sport foi dominando a prova e recebeu a bandeira quadriculada, mesmo depois de um pneu furado, com o trio formado por Jules Gounon, Maxime Soulet e Jordan Pepper. A segunda posição ficou com Álvaro Parente, Ben Barnicoat e Tom Blomqvist, de McLaren 720S GT3, seguidos pela Mercedes AMG GT3 de Jamie Whincup, Shane van Gisbergen e Maximilian Götz.

Modelos GT3 do IGTC cruzam as retas de Bathurst nas 12 Horas de 2020
Modelos GT3 do IGTC cruzam as retas de Bathurst nas 12 Horas de 2020 (Foto: IGTC)

Essa foi a primeira vitória da Bentley nas 12 Horas de Bathurst após seis tentativas da marca na prova australiana. Para se ter ideia da competitividade da corrida, os sete primeiros colocados terminaram na mesma volta, com o oitavo apenas um giro atrás.

Felipe Fraga, que correu com Raffaele Marciello e Maximilian Buhk, foi o melhor brasileiro e terminou na sexta posição com sua Mercedes AMG GT3. O trio esteve em vários momentos na briga pela vitória, mas acabou perdendo bastante tempo com duas penalizações que o deixou bem para trás.

Com o GT-R, João Paulo de Oliveira também fazia boa prova, mas perdeu ritmo no final por conta de um problema nos freios e ficou apenas na 13ª posição. Augusto Farfus, da BMW, não terminou, e os brasileiros da Ferrari, Daniel Serra e Marcos Gomes, nem puderam largar após um forte acidente nos treinos.


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Lucas Santochi

Mais um fanático da gangue que criou vínculo com automobilismo desde a infância. Acampou diversas vezes nas calçadas ao redor de Interlagos para assistir aos GPs e nunca esqueceu a primeira vez que, ainda do lado de fora do autódromo, ouviu o barulho de F1 acelerando pela reta. Jornalista formado em 2004, passou por redações na época da TV Band e Abril, teve experiência na área de assessoria de comunicação esportiva até chegar ao site especializado em esporte a motor Tazio, em 2010. Passou pelas funções de redator, repórter (cobrindo diversas corridas no Brasil e exterior de F1, Indy, WEC, Stock Car, entre outras) e subeditor até o final de 2013, quando o veículo encerrou suas atividades. Trabalhou ainda como redator do UOL Esporte em 2014 até que decidiu se juntar com os outros três membros do Projeto Motor para investir na iniciativa.