2020 será temporada de despedida ou de reinvenção para Rossi?

0

A Yamaha anunciou nesta quarta-feira (29) que Fabio Quartararo será o companheiro de Maverick Viñales em sua equipe oficial na MotoGP a partir de 2021. Sim, sabemos a pergunta que você está se fazendo: e Valentino Rossi?

Sem dúvida nenhuma um dos maiores pilotos da história da motovelocidade, Rossi, aos 40 anos (completa 41 em fevereiro), terá a temporada de 2020 para decidir o que vai fazer da vida. O heptacampeão mundial da principal categoria da modalidade (enea, se considerados os títulos nas 125cc e 250cc) passará alguns meses com a aquela questão que assombra muitos dos grandes esportistas da história quando chegam a certa altura da carreira: “chegou a hora de me aposentar?”

Fique ligado em nossas redes sociais: 
Twitter – @projetomotor
Facebook – Projeto Motor
Youtube – Projeto Motor
Instagram – @projetomotor

No comunicado emitido pela marca japonesa em conjunto com Rossi, minutos depois do que anunciou Quartararo, o italiano explicou que seguia em negociações para renovar seu contrato para 2021, mas que gostaria de esperar até a sétima ou oitava etapa de 20 para avaliar sua competitividade e aí sim tomar uma decisão. Só que a Yamaha resolveu não esperar.

“Por razões ditadas pelo mercado de pilotos, a Yamaha me pediu no começo do ano para tomar uma decisão sobre meu futuro. Consistente com que eu disse durante a última temporada, eu confirmei que não queria apressar uma decisão e precisava de mais tempo. A Yamaha agiu de acordo e finalizou as negociações. Está claro que depois das últimas mudanças técnicas e a chegada do meu novo chefe de equipe, meu principal objetivo este ano é de continuar minha carreira na MotoGP também em 2021. Antes disso, eu preciso de algumas respostas que só a pista e as primeiras corridas podem me dar”, explicou o Doutor.

O que acontece com Rossi agora

Rossi segue na Yamaha nesta próxima temporada e, segundo comunicado da marca japonesa, terá até o meio do ano para resolver se irá seguir na MotoGP. E quais seriam suas opções dentro da categoria? Apesar de perder sua vaga na equipe oficial, o italiano recebeu a opção da marca japonesa de continuar correndo em 21 com um modelo YZR-M1 com especificação de fábrica e suporte técnico de engenheiros da empresa em uma equipe satélite.

Valentino Rossi ainda tem velocidade para brigar por vitórias?
Valentino Rossi ainda tem velocidade para brigar por vitórias? (Foto: Yamaha)

O caminho natural é a própria SRT, de onde Quartararo está vindo. Seria uma forma dele estender em mais um ou dois anos sua carreira na MotoGP, além de seguir comercialmente ligado a uma das principais empresas da indústria.

Para o outro lado, a importância em termos de marketing de Rossi também conta. Manter um dos maiores nomes da história da MotoGP (e um dos mais carismáticos também) dentro de seu guarda-chuva, pelo menos no momento, é uma escolha que faz sentido. Nã podemos esquecer que ao final de 2020, contando as duas passagens, Rossi e Yamaha somarão 15 temporadas juntos.

A decisão não é fácil. Hoje, Rossi tem o poder de definir se quer seguir ou não, mesmo que em um degrau abaixo de onde está. Em alguns meses, ele pode perder esse direito, o que não é um final de carreira tão agradável para quem conquistou tantas coisas na modalidade.

Em 2019, o heptacampeão terminou o ano na sétima posição da classificação geral, 37 pontos atrás do companheiro Viñales, e a 18 de Quartararo, que competiu pelo time satélite da Yamaha. No final, foram apenas dois pódios. 2018, no entanto, foi bem melhor com o terceiro lugar geral à frente de todos os pilotos da Yamaha. Ou seja, nada mais natural do que querer ver 2020 como um tira-teima.

Uma coisa é certeza: nada apaga a linda história de Rossi na MotoGP. Ele ainda é o maior vencedor da história com 89 triunfos. O segundo, Giacomo Agostini, tem 68. Em campeonatos, a ordem se inverte, com Rossi logo atrás de Agostini, que tem oito. Marc Márquez já vem como um trem sem freios logo atrás com seis e apenas 26 anos, querendo tirar os dois italianos do topo da lista em breve.

E as quatro rodas?

Caso 2020 mostre que ele realmente não tem mais condições de brigar por vitórias ou até mesmo pódios, Rossi não descarta uma mudança das duas para as quatro rodas. Calma, não estamos falando em F1. Esse barco, se em algum momento realmente já esteve ancorado no porto, já zarpou.

E por que existem essas opções? Simples. Rossi já mostrou que não está pronto para parar totalmente. Poucos atletas conseguem ter essa maturidade. Não é fácil ser considerado velho para fazer algo que você tem como carreira desde a adolescência aos 40 anos de idade. Um exemplo disso pode ser revistado em nossa série que estamos publicando sobre o retorno de Michael Schumacher à F1.

Mas existem alternativas interessantes para o italiano, aos 41 anos, que pode tentar uma carreira principalmente em provas de endurance. Em 2019, ele participou com algum sucesso das 12 Horas do Golfo, em Abu Dhabi, com um terceiro lugar na classificação geral e vitória na classe GT3 Pro-Am, com uma Ferrari 488 GT3.

Talvez não na classe principal de um WEC, mas talvez exista espaço para mais algumas temporadas em uma GTE ou um Intercontinental GT, categoria que vem se fortalecendo bastante.

O importante é respeitar a decisão do ídolo e independente de seus resultados, julgarmos o desempenho atual sem apagar as conquistar do passado.


 Comunicar Erro

Lucas Santochi

Mais um fanático da gangue que criou vínculo com automobilismo desde a infância. Acampou diversas vezes nas calçadas ao redor de Interlagos para assistir aos GPs e nunca esqueceu a primeira vez que, ainda do lado de fora do autódromo, ouviu o barulho de F1 acelerando pela reta. Jornalista formado em 2004, passou por redações na época da TV Band e Abril, teve experiência na área de assessoria de comunicação esportiva até chegar ao site especializado em esporte a motor Tazio, em 2010. Passou pelas funções de redator, repórter (cobrindo diversas corridas no Brasil e exterior de F1, Indy, WEC, Stock Car, entre outras) e subeditor até o final de 2013, quando o veículo encerrou suas atividades. Trabalhou ainda como redator do UOL Esporte em 2014 até que decidiu se juntar com os outros três membros do Projeto Motor para investir na iniciativa.