5 pistas alternativas que podem pintar na F1 em 2020

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A direção da F1 vem quebrando a cabeça para organizar uma nova versão de calendário para a temporada de 2020. Depois de todos os contratempos causados pela pandemia da COVID-19, pouco a pouco a nova lista de provas vem sendo rearranjada, sendo que a própria categoria admite que terá de ser criativa para bolar algo que fuja do previsível.

No momento da conclusão deste texto, apenas as oito primeiras provas do campeonato foram confirmadas oficialmente, e o número ideal traçado como meta gira em torno do dobro disso. Para isso, algumas soluções incomuns foram adotadas: como, por exemplo, mais de uma prova em um mesmo circuito, como deverá acontecer ao menos com o Red Bull Ring, na Áustria, e Silverstone, na Grã-Bretanha. 

Para ter mais opções na manga, a F1 também observa a possibilidade de realizar corridas em outros circuitos que normalmente ficam de fora do calendário. As alternativas incluem as pistas que possuem a graduação 1 por parte da FIA – e já explicamos neste outro artigo do que se trata

Assim, o Projeto Motor lista cinco circuitos que podem aparecer de forma esporádica na F1 em 2020, tanto porque possuem a licença necessária como pelo fato de fazer sentido logístico. 

Mugello, Itália

O tradicional traçado, palco habitual do GP da Itália de MotoGP, pinta como uma possível alternativa para receber uma segunda corrida no país, logo após a etapa de Monza, em setembro. Sua escolha faria sentido por alguns motivos: primeiro, pela questão logística, já que a F1 poderia realizar duas corridas em sequência em uma mesma nação, reduzindo riscos ao atravessar fronteiras, mas ao mesmo tempo sem haver a repetição de competir em um mesmo traçado. 

Segundo, o circuito de Mugello é de propriedade da Ferrari, e sua presença no calendário casaria bem com as comemorações do milésimo GP da escuderia na F1. A Ferrari, aliás, conhece o local como ninguém, até porque costumava experimentar seus carros exaustivamente na pista em tempos de testes irrestritos na categoria. 

Oficialmente, a última atividade da F1 no local aconteceu em 2012, durante bateria de testes coletivos de três dias. Naquela ocasião, alguns pilotos mostraram preocupação: a pista não possui áreas de escape tão extensas como se vê em outros locais, o que deixa o traçado menos tolerante a erros. Isso, em um circuito com bastantes subidas e descidas, curvas cegas e outros pontos de alta velocidade (especialmente no trecho das Arrabbiata, um desafio particular ao pescoço dos pilotos), poderia acrescentar um molho diferente ao calendário. Por outro lado, haveria uma preocupação quanto às ultrapassagens, sobretudo pela pista ser relativamente estreita e com uma geração de carros tão largos. 

Imola, Itália

Esta pista não é uma desconhecida do grande público da F1 – o Autodromo Enzo e Dino Ferrari, na região de Bolonha, já recebeu 27 GPs oficiais da categoria, incluindo aquele que ficou registrado como um dos eventos mais trágicos do Mundial. Porém, o circuito está fora do calendário desde 2006, o que significa que, dos pilotos atuais, apenas Kimi Raikkonen sabe o que é largar em um GP de F1 em Imola. 

A versão “moderna” da pista, com as reformas pós-1994, deixou o traçado um tanto truncado, especialmente com chicanes que não necessariamente resultaram em pontos reais de ultrapassagem. Mesmo assim, Imola era marcado como um grande teste para o equilíbrio dos carros, que precisavam operar de forma eficiente em freadas e sobre zebras para se destacar em performance. 

Para quem não sabe, porém, a pista de Imola passou por mudanças desde o longínquo GP de San Marino de 2006. A antiga Variante Bassa não é mais utilizada, o que agora proporciona um longo trecho de pé cravado no acelerador entre as curvas Rivazza e Tamburello, passando pela linha de chegada. 

Algarve, Portugal

Quem diria que estaríamos falando sobre um possível retorno do GP de Portugal ao calendário? Pois é: o circuito de Portimão tem tido conversas com a direção da F1 para uma, ou até duas etapas do Mundial entre setembro e outubro. 

A pista situada na bela região do Algarve, no sul de Portugal, já havia flertado com a F1 anteriormente. O local recebeu testes coletivos da F1 entre 2008 e 2009, pouco após sua inauguração, e também sediou uma rodada da GP2 (antigo nome da atual F2). Existem fortes argumentos a favor de uma corrida em Portimão em 2020: Portugal se destacou por ter conseguido evitar grandes impactos provocados pela COVID-19, sendo que a estrutura do Algarve possui o espaço necessário para proporcionar um distanciamento seguro entre os membros do paddock – ao contrário do que aconteceria, por exemplo, no circuito do Estoril, antiga sede do GP de Portugal e que também possui licença Grau 1 da FIA.

Tecnicamente falando, Portimão possui vários atrativos: chama a atenção por suas sequências de subidas e descidas e curvas cegas, o que também representaria um desafio diferente. O calor forte na região entre setembro e outubro também influenciaria no trabalho das equipes. Mas atenção: a versão do traçado que possui permissão para receber a F1 inclui uma chicane na primeira freada, o que deixa a pista um pouco menos fluída do que a outra versão.  

Anel externo de Sakhir, Bahrein

Para evitar repetições em uma eventual rodada dupla, o circuito do Bahrein pode tirar proveito de sua estrutura de primeiríssima linha. Como a pista possui cinco traçados licenciados para receber a F1, a direção da categoria propôs um plano interessante: realizar uma prova no traçado convencional, e a corrida seguinte acontecer no anel externo.

Seria, de fato, uma mudança de paradigma. O traçado “Outer” é bastante simples para os padrões da F1, sendo que a pista nunca foi usada para qualquer tipo de competição oficial. Seriam apenas algumas freadas mais fortes, poucas curvas e muitos retões, o que traria um desafio técnico diferente e diminuiria o risco de mesmice com duas provas em um traçado exatamente igual. 

Aliás, caso o plano saia do papel, a F1 poderia ver algo incomum. Com um traçado curto (de apenas 3,6 km), mas de alta velocidade, a categoria teria grandes possibilidades de realizar voltas com tempos inferiores a um minuto – o que não acontece desde 1974, com a pole position de Niki Lauda em Dijon na casa de 58s7. Será?

Indianápolis, Estados Unidos  

Esta alternativa por ora soa um pouco menos provável que as demais, mas ainda assim é algo considerado pela F1 – pelo menos é o que garante a renomada publicação alemã Auto Motor und Sport. Indianápolis é analisada como uma opção caso a F1 de fato saia da Europa para realizar GPs do outro lado do Atlântico, já que possui estrutura e circuito licenciado para tal. 

Neste caso, a situação de Imola se repete. Trata-se de uma pista velha conhecida da F1, mas que está afastada do calendário há mais de uma década e que passou por mudanças desde então. A versão que está atualmente homologada para receber a F1 é diferente daquela que recebeu seu último GP, em 2007, e também não é a mesma atualmente usada pela Indy no traçado misto. Na verdade, se trata de uma mistura: toda a primeira porção é idêntica àquela antigamente usada pela F1, bem como o trecho que utiliza a pista oval. No entanto, o que antes era uma sequência de duas curvas lentas, agora é um trecho de curvas mais fluidas que conduzem os carros ao setor final. 

Entenda quais pistas do mundo poderiam receber um GP da F1:


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Bruno Ferreira

Sempre gostou de automobilismo e assiste às corridas desde que era criança. A paixão atingiu outro patamar quando viu – e ouviu – um carro de F1 ao vivo pela primeira vez. Depois disso, o gosto pelas corridas acabou se transformando em profissão. Iniciou sua trajetória como jornalista especializado em automobilismo em 2010, no mesmo ano em que se formou, quando publicou seu primeiro texto no site Tazio. De lá para cá, cobriu GPs de F1 no Brasil e no exterior, incluindo duas decisões de título (2011 e 2012), além de edições das 24 Horas de Le Mans e provas de categorias como Indy e WTCC.