A luta de Rosberg para não se tornar um novo Webber

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A história da F1 está recheada de bons pilotos que, em algum momento da carreira, tiveram que dividir equipe com companheiros melhores, geniais. A tendência, em quase todos os casos, é que o “bom” tenha a carreira jogada às sombras pelo “acima da média”.

De vez em quando, porém, há aqueles que conseguem ter momentos em que tiram algo a mais do carro, superam seus limites e equilibram disputas que pareciam não ter chances. Quando foi anunciada pela Mercedes a dupla formada por Nico Rosberg e Lewis Hamilton, mesmo que o alemão tivesse um passado relativamente promissor na categoria, era difícil apostar que ele conseguiria ser um competidor tão árduo para o inglês.

Tudo bem que Hamilton sofreu diversos problemas mecânicos durante a temporada de 2014, que deixaram sua campanha mais complicada. Além disso, o ex-McLaren venceu 11 corridas contra “apenas” cinco do companheiro. Mesmo assim, Rosberg mostrou uma competitividade que impressionou a muitos, principalmente nas classificações, com 11 pole positions, e levou a briga pelo título até a etapa final.

Só que 2015 começou, a Mercedes continuou com o melhor carro da categoria e Hamilton abriu a temporada com quatro pole positions e três vitórias, abrindo de cara 27 pontos de vantagem para o companheiro em apenas quatro etapas. Para piorar, a Ferrari reagiu em relação a 2014 com um carro mais competitivo e o Rosberg ainda viu Sebastian Vettel vencer uma corrida e teve que se contentar com um terceiro lugar no Bahrein, com Kimi Raikkonen entre ele e o parceiro inglês.                                                                                    Hamilton e Rosberg

Logo começou a discussão: teria acabado o encanto de Rosberg? E a situação do alemão logo se tornou um paralelo a um exemplo recente de um “segundo” piloto que passou perto do título mundial e que depois nunca mais conseguiu superar o companheiro: Mark Webber.

A partir de 2009, o australiano, já com 121 corridas no currículo, mas nenhuma vitória, teve que começar a dividir a equipe Red Bull com o garoto prodígio, Sebastian Vettel, que no ano anterior levou a Toro Rosso ao lugar mais alto do pódio no GP da Itália, além de diversos outros bons resultados.

Logo na primeira temporada entre os dois, o alemão já mostrou certa superioridade com quatro triunfos contra apenas dois do experiente companheiro. A expectativa geral era de que 2010 seria um passeio de Vettel, agora com mais quilometragem no Mundial. Só que o oponente surpreendeu.

Quatro vitórias durante o campeonato e a liderança da pontuação geral por seis etapas. Webber chegou ao último GP do ano, em Abu Dhabi, na segunda posição, como o principal concorrente de Fernando Alonso, da Ferrari, com Vettel em terceiro, em uma decisão que ainda teve Lewis Hamilton, da McLaren, em quarto, com chances matemáticas.

Um dia ruim, uma estratégia ruim, e o título acabou ficando com o alemão da Red Bull, em uma virada que parecida improvável.

Webber 2010Nos anos seguintes, Webber nunca mais conseguiu repetir o desempenho de 2010, e viu o companheiro dominar a categoria com mais três títulos e 29 vitórias até o final de 2013, quando a parceria foi desfeita. Webber decidiu abandonar a F1 e ir correr no Mundial de Endurance pela equipe oficial da Porsche.

O caso de Webber mostra que Rosberg precisa reagir rápido para também não acabar à sombra de Hamilton, como acabou acontecendo com o australiano. A vitória no último GP da Espanha importante para o alemão mostrar que ainda tem forças de brigar com o inglês, apesar de diversas variáveis específicas da prova terem lhe ajudado.

Agora, ele parte para Mônaco, onde venceu as últimas duas edições, para mostrar que o triunfo em Barcelona não foi por acaso. Com uma nova vitória, ele já traria a desvantagem em relação a Hamilton para 13 pontos no campeonato. No caso de o bicampeão voltar a chegar à sua frente, começa a ficar difícil apostar em uma reação do alemão, que começaria cada vez mais a se tornar um mero coadjuvante na Mercedes.

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Lucas Santochi

Mais um fanático da gangue que criou vínculo com automobilismo desde a infância. Acampou diversas vezes nas calçadas ao redor de Interlagos para assistir aos GPs e nunca esqueceu a primeira vez que, ainda do lado de fora do autódromo, ouviu o barulho de F1 acelerando pela reta. Jornalista formado em 2004, passou por redações na época da TV Band e Abril, teve experiência na área de assessoria de comunicação esportiva até chegar ao site especializado em esporte a motor Tazio, em 2010. Passou pelas funções de redator, repórter (cobrindo diversas corridas no Brasil e exterior de F1, Indy, WEC, Stock Car, entre outras) e subeditor até o final de 2013, quando o veículo encerrou suas atividades. Trabalhou ainda como redator do UOL Esporte em 2014 até que decidiu se juntar com os outros três membros do Projeto Motor para investir na iniciativa.