A maldição que persegue a família Andretti em Indianápolis desde 1969

1

Não existe dúvida de que os Andretti são uma família de sucesso no automobilismo americano e internacional. Títulos e vitórias nas categorias mais importantes do esporte não faltam no currículo do clã, como já contamos aqui no Projeto Motor.

Um triunfo em especial, no entanto, que aconteceu há 48 anos, é bastante marcante: o dia que Mario Andretti venceu as 500 Milhas de Indianápolis, na edição de 1969. Nenhum piloto da família, incluindo o próprio Mario, nunca mais repetiria o feito. Não faltaram chances perdidas por conta de azares com bandeiras amarelas que atrapalharam a estratégia ou quebras de equipe equipamentos.

Fique ligado em nossas redes sociais: 
Twitter – @projetomotor
Facebook – Projeto Motor
Youtube – Projeto Motor

E muitos culpam uma maldição, que teria sido iniciada quando o piloto ítalo-americano recebeu naquele dia um beijo do dono de sua equipe, Andy Granatelli, na celebração na linha de chegada, em uma referência à expressão americana “tongue-in-cheek” (em tração literal, “língua na bochecha”), que é levada como uma atitude irônica na cultura americana.

O famigerado beijo de Andy Granatelli em Mario Andretti, na Indy 500 de 1969, que teria iniciado a maldição da família
O famigerado beijo de Andy Granatelli em Mario Andretti, na Indy 500 de 1969, que teria iniciado a maldição da família

Curiosamente, neste 24 de maio, dois dos maiores reveses da família Andretti completam aniversários: 30 anos da prova de 1987, em que Mário perdeu a vitória, e 25 da de 92, em que Michael deixou escorregar o triunfo. Nas duas ocasiões, os vencedores vieram de outra família de muito sucesso na prova: os Unser.

As duas derrotas foram em situações incríveis e bastante doloridas para o clã. Em 87, Mario tinha conquistado a primeira vitória para a Ilmor na categoria, em Long Beach, acabando com uma sequência de 84 triunfos consecutivos da Cosworth. O seu conjunto na equipe Newman Haas, com chassi Lola, parecia estar muito forte.

Durante o mês de maio, ele foi o mais rápido em 11 dos 17 dias de treinos e largou na pole position. Na corrida, ele foi dominante, e já no trecho final, tinha uma vantagem de uma volta para o segundo colocado, Roberto Guerrero, com Al Unser Sr em terceiro.

A 23 voltas do final, após liderar 170 das 177 voltas completadas até aquele momento, ele resolveu começar a controlar sua liderança e diminuiu o RPM do motor. A ação, no entanto, teve um efeito contrário do imaginado. Com menos rotações, a vibração entrou em uma harmonia fora do comum dentro do motor que causou um estresse acima do natural nas molas do equipamento e a consequente quebra do propulsor.

Andretti foi obrigado a encostar e ficou parado na área do pitlane, perdendo o que parecia uma vitória certa. Guerrero ainda precisou fazer mais um pitstop para reabastecimento e Unser, que tinha começado o mês de maio sem desemempregado, venceu a prova.

Cinco anos depois, a maldição atacaria de novo, agora o filho de Mario, Michael. O então campeão da série, que no ano anterior já tinha passado perto da vitória em Indianápolis ao ficar com a segunda posição, largou na sexta posição e impôs seu ritmo na frente na maior parte da prova. Ele liderou 160 de 189 voltas até ter um problema na bomba de combustível, a 10 giros do final.

Naquele momento da corrida, assim como seu pai anos antes, ele tinha uma ótima vantagem na frente, de cerca de 30 segundos para o segundo colocado, Al Unser Jr, e parecia que rumaria para um triunfo tranquilo.

Para piorar a situação, além de perder a vitória, depois da corrida, Michael foi ao hospital visitar seu pai, Mário, e seu irmão, Jeff, ambos com fraturas por conta de acidentes durante a corrida.

Não na mesma data, mas também válida de lembrança, a derrota dos Andretti na edição de 2006, que aconteceu em um 28 de maio, entra certamente para essa lista de 500 Milhas doloridas para a família. Isso porque foi uma chance dupla que escorregou entre os dedos de Michael e seu filho, Marco Andretti, que fazia sua estreia na corrida.

A cinco voltas do final, foi dada uma relargada e os dois Andretti pularam na frente. No giro seguinte, Marco passou o pai e começou a abrir, mas Sam Hornish Jr veio logo atrás. O piloto da Penske conseguiu perseguir o jovem Andretti e na reta final fez a ultrapassagem, cruzando a linha apenas 0s0635 à frente em uma das chegadas mais apertadas da história da prova.

Resta saber se Marco ainda será o Andretti que conseguirá colocar fim a esta maldição ou a família terá que esperar por uma nova geração de pilotos.

 

Debate Motor #70: Quem ganha o que com presença de Alonso na Indy 500?

 Comunicar Erro

Lucas Santochi

Mais um fanático da gangue que criou vínculo com automobilismo desde a infância. Acampou diversas vezes nas calçadas ao redor de Interlagos para assistir aos GPs e nunca esqueceu a primeira vez que, ainda do lado de fora do autódromo, ouviu o barulho de F1 acelerando pela reta. Jornalista formado em 2004, passou por redações na época da TV Band e Abril, teve experiência na área de assessoria de comunicação esportiva até chegar ao site especializado em esporte a motor Tazio, em 2010. Passou pelas funções de redator, repórter (cobrindo diversas corridas no Brasil e exterior de F1, Indy, WEC, Stock Car, entre outras) e subeditor até o final de 2013, quando o veículo encerrou suas atividades. Trabalhou ainda como redator do UOL Esporte em 2014 até que decidiu se juntar com os outros três membros do Projeto Motor para investir na iniciativa.

  • Cláudio Henrique

    Perder uma indy 500 a mts do fim é duido