A tentativa fracassada de virar piloto que uniu Ecclestone à F1

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Antes de se tornar o homem mais poderoso da F1, Bernie Ecclestone já foi um simples apaixonado por corridas e que tentou ter algum sucesso atrás do volante.

Diferente de muitos dos fundos de investimento e abastados donos de holdings misteriosas que vemos cada vez mais desembarcando no esporte (não só no automobilismo), o empresário – de decisões bastante questionáveis no comando do Mundial – começou sua relação com o mundo motor de forma muito parecida com diversos outros garagistas.

Estudante de química na adolescência, o inglês, filho de pescador da classe média do país, abandonou a escola aos 16 anos para começar um comércio de motos em que comprava e vendia peças.

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Depois de um tempo, já mostrando seu tino empresarial e objetivo claro ao juntar dinheiro, abriu uma revendedora de motocicletas. Não demorou para Ecclestone comprar a parte de seu parceiro, Fred Compton, e se tornar único proprietário do negócio, que mais tarde se tornaria uma rede de tamanho considerável dentro da Inglaterra.

Com a paixão aos roncos dos motores e, agora, um dinheiro relevante no bolso, o empresário resolveu se meter no mundo das competições como piloto. E seguiu pelo caminho que quase todos trilham. Em 1949, ele passou a competir na F3 500cc, não de forma regular, mas em diversas provas, principalmente nas realizadas em Brands Hatch, com um Cooper Mk V, conseguindo até alguns bons resultados segundos relatos.

Ecclestone correndo na F3 500cc
Ecclestone correndo na F3 500cc

Em 1953, ele participou de algumas provas não válidas da F2, com um Cooper T20. Chegou a ficar na quinta posição no Troféu Londres de 1953, realizado em Crystal Palace, e que foi vencido por Stirling Moss.

Só que a ideia de se tornar um profissional do volante durou pouco tempo, já que ele desistiu depois de causar um sério acidente em Brands Hatch, quando bateu no carro de Bill Whitehouse e decolou, caindo fora da pista, na área de estacionamento. O inglês ficou levemente ferido e assustado o bastante para não querer mais ser um piloto. Pelo menos naquele momento.

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Ecclestone então voltou sua atenção para sua vida empresarial, em que já começava a acumular um patrimônio de chamar a atenção, incluindo novas empresas ligadas ao setor automotivo e com especulação imobiliária.

Sua ligação com o esporte, no entanto, foi reatada poucos anos depois quando se tornou empresário do piloto Stuart Lewis-Evans. Em 58, ele comprou os carros da equipe Connaught para inscrevê-los sob a bandeira da BC Ecclestone.

Bernie Ecclestone tentando a classificação ao GP de Mônaco de 1958
Bernie Ecclestone tentando a classificação ao GP de Mônaco de 1958

A primeira tentativa foi no GP de Mônaco de 1958, quando além de Bruce Kessler e Paul Emery, o próprio Ecclestone assumiu o volante do modelo B para tentar a classificação para a corrida, sem sucesso.

Além de um carro nada competitivo, o inglês logo mostrou que seu talento não era realmente dentro da pista. Ele fez o pior tempo na classificação e, assim como seus dois outros ases, não conseguiu se classificar para a corrida. A equipe ainda faria mais uma tentativa de alinhar seus carros no GP da Inglaterra daquele ano, também sem conseguir passar para o evento principal.

Até onde se sabe, aquele GP de Mônaco acabou sendo a última incursão de Ecclestone como piloto. Além de não ter habilidade, os acidentes que sofreu nos tempos de F3 o afastaram da vontade de seguir tentando correr.

Por outro lado, a carreira dele como empresário nunca mais se desligou da F1. Primeiro, agenciando pilotos, como o futuro campeão Jochen Rindt, e depois, como dono de equipe, a Brabham, e um dirigente bastante influente nas decisões da categoria, até se tornar o grande chefe do certame, praticamente ditando todas as regras e se colocando por trás de quase todas os movimentos importantes dos bastidores.

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Lucas Santochi

Mais um fanático da gangue que criou vínculo com automobilismo desde a infância. Acampou diversas vezes nas calçadas ao redor de Interlagos para assistir aos GPs e nunca esqueceu a primeira vez que, ainda do lado de fora do autódromo, ouviu o barulho de F1 acelerando pela reta. Jornalista formado em 2004, passou por redações na época da TV Band e Abril, teve experiência na área de assessoria de comunicação esportiva até chegar ao site especializado em esporte a motor Tazio, em 2010. Passou pelas funções de redator, repórter (cobrindo diversas corridas no Brasil e exterior de F1, Indy, WEC, Stock Car, entre outras) e subeditor até o final de 2013, quando o veículo encerrou suas atividades. Trabalhou ainda como redator do UOL Esporte em 2014 até que decidiu se juntar com os outros três membros do Projeto Motor para investir na iniciativa.

  • Angelito

    ” Em 1949, ele passou a competir na F3 500cc, não de forma regular, mas em diversas provas, principalmente nas realizadas em Brands Hatch, com um Cooper Mk V, conseguindo até alguns bons resultados segundos relatos.”

    Vamos botar um pouco em perspectiva pra ver o quanto ele é idoso e relacionado com motores.

    ELE COMEÇOU A COMPETIR QUANDO NEM EXISTIA FÓRMULA 1!!!!