A visão de Roger Penske de Nascar e Indy próximas no pós-pandemia

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Já imaginou um final de semana com corridas da Indy e da Nascar na mesma pista, uma no sábado e outra no domingo? E se isso acontecesse ainda em Indianápolis? Parece um belo evento para o automobilismo americano, não? Roger Penske está trabalhando para isso acontecer assim que for possível a retomada do automobilismo pós-pandemia.  

Com os cancelamentos e adiamentos dos dois campeonatos por conta da pandemia do novo coronavírus, Roger Penske, que tem equipe em ambos e recentemente assumiu o controle da Indy e do Autódromo de Indianápolis no final de 2019, resolveu aproveitar a oportunidade para colocar o projeto em frente.

A ideia seria de juntar o GP de Indianápolis da Indy, que acontece em misto, com a Brickyard 400 da Nascar, no final de semana de 4 e 5 de julho. Isso, claro, se a pandemia do Covid-19 já estiver melhor controlada e a situação nos Estados Unidos permitir um evento deste porte com público.

Segundo entrevista que o dirigente deu para o canal americano NBC Sports, a ideia já tinha vinha de alguns meses atrás, antes mesmo da crise do coronavírus, quando ele achou que seria interessante buscar formas diferentes de interação do público nos finais de semana de corridas.

“Conheço Jim France [diretor executivo da Nascar]e a família France há muito tempo. Fomos inclusive sócios quando reconstruímos o Autódromo da Califórnia. Fui falar com Steve Phelps [presidente da Nascar]e Jim sobre o que poderíamos fazer para fazer os finais de semana melhores. E saiu essa ideia de realizarmos a corrida da Indy no final de semana da Brickyard. E acho que veremos mais disso. É uma experiência para os fãs. E acho que será muito bom de uma perspectiva da TV, ver essas duas modalidades”, explicou Penske.

O objetivo é que se aproveite a data, que ainda está de pé, da corrida da Nascar de 400 Milhas em Indiánapolis no dia 5 de julho de 2020, para se fazer a prova da Indy no sábado anterior, 4. Desta forma, ainda existiria o simbolismo de uma corrida no dia da independência americana, o que pode servir como ferramenta de marketing.

Indy e Nascar fariam algo inédito

Este evento da Indy com a Nascar, caso realmente seja realizado, será algo que nunca aconteceu antes. As duas categorias sempre tiveram públicos bem diferentes, com a competição de stock cars mais ligada ao tradicionalismo e fãs mais avessos às evoluções tecnológica e internacionalização.

Sendo assim, os dois campeonatos nunca se viram exatamente como concorrentes diretos ou brigando pela mesma fatia de mercado. É claro que a Nascar soube aproveitar bem a queda da popularidade da Indy entre o final dos anos 90 e começo dos 2000 para angariar mais seguidores.

Só que o evento da categoria em Indianápolis sofre com problemas de popularidade desde o final dos anos 2000, quando teve uma corrida atrapalhada por conta de mudanças técnicas nos pneus que provocaram problemas durante toda a corrida. Algo que lembra o fiasco da F1 também no circuito em 2005.

Etapa da Nascar em Indianápolis em 2019. Público longe do que a Indy normalmente leva
Etapa da Nascar em Indianápolis em 2019. Público longe do que a Indy normalmente leva (Foto: Chris Jones)

Desde que assumiu o controle do autódromo de Indianápolis, Roger Penske tem trabalhado arduamente para renovar a etapa. E alguns passos, antes mesmo da pandemia, já tinham sido dados. O primeiro foi um acordo para antecipar a corrida de setembro para o final de semana de 4 e 5 de julho, que além de ser nas férias de verão americanas, ainda tem o apelo da data comemorativa da independência do país. Para se ter ideia da importância da mudança, a data era antes da segunda etapa da Nascar em Daytona, um dos principais templos da categoria.

Além disso, também já tinha sido acertado que a Xfinity, espécie de segunda divisão da Nascar, correria pela primeira vez em sua história em traçado misto, no dia 4. O sábado da independência também contaria no final do dia com uma apresentação do dueto Florida Georgia Line, seguido por show de fogos de artifício para o público no autódromo.

Com a chegada da pandemia que provocou os adiamentos do GP de Indianápolis e das 500 Milhas (esta, por enquanto, para 23 de agosto), Penske logo viu uma oportunidade para evoluir mais algumas casas com seu plano de melhorar o evento e ainda impulsionar seu outro negócio, a própria Indy. Assim, entrou rapidamente em acordo para incluir o GP na programação da Brickyard.

O pós-coronavírus

A atitude de Penske mostra também a visão de que será essencial Nascar e Indy trabalharem juntas após a pandemia do Covid-19 para retomarem as atividades em alto nível. O automobilismo em todo mundo já sofre com os impactos da crise por conta da possível grande diminuição do investimento de montadoras e de patrocinadores, dos mais diversos setores, todos com problemas financeiros pela queda da atividade econômica mundial.

GP de Indianápolis, da Indy, no misto do tradicional circuito (Foto: Doug Mathews)

Além disso, já mostra que Penske, que agora é o principal controlador da empresa que administra a Indy, também não quer ter pudor nas estratégias para tentar acelerar o crescimento da categoria de monopostos, que teve uma pequena recuperação nas últimas temporadas. Ele acredita que uma relação mais próxima com a Nascar pode trazer um novo público para o campeonato.

“Espero que isso seja apenas o começo de outras coisas que podemos fazer juntos a partir de 2020 e no futuro. Obviamente, a Nascar tem uma grande base de fãs, e adoraríamos estar com eles em alguns finais de semana e vice-versa. Precisamos garantir que possamos trazer o automobilismo de volta para onde estava antes desta pandemia. E acho que este é o primeiro trabalho não só para a Nascar, mas também para a IndyCar e nossa equipe”, apontou Penske.

Sendo assim, o mega evento seria uma forma de contribuir também com patrocinadores, equipes, televisão e demais stake holders dos dois campeonatos, que teriam uma grande oportunidade para um retorno de marketing maior no retorno do automobilismo.

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No meio de tantos planos, no entanto, ainda é difícil uma previsão para retomada das atividades das duas categorias. Os Estados Unidos hoje é o epicentro da pandemia, com cerca de 770 mil infectados pelo Covid-19 e mais de 41 mil mortes (dados de 20/04). Só no estado de Indiana, onde fica Indianápolis, são 11 mil casos confirmados e mais de 560 mortes por conta do vírus.

Além disso, diversos campeonatos e eventos que aconteceriam no começo do segundo semestre e até mesmo em agosto na Europa, que já passa uma fase posterior da crise pela qual passa os americanos, estão sendo adiados e cancelados. Por isso, ainda é difícil afirmar que o grande plano de Roger Penske para o final de semana da independência americano vá em frente, ou pelo menos tenha seus portões abertos para o público. Mesmo assim, está desenhado o caminho que o dirigente pretende seguir em sua administração da Indy e do autódromo de Indianápolis.


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Lucas Santochi

Mais um fanático da gangue que criou vínculo com automobilismo desde a infância. Acampou diversas vezes nas calçadas ao redor de Interlagos para assistir aos GPs e nunca esqueceu a primeira vez que, ainda do lado de fora do autódromo, ouviu o barulho de F1 acelerando pela reta. Jornalista formado em 2004, passou por redações na época da TV Band e Abril, teve experiência na área de assessoria de comunicação esportiva até chegar ao site especializado em esporte a motor Tazio, em 2010. Passou pelas funções de redator, repórter (cobrindo diversas corridas no Brasil e exterior de F1, Indy, WEC, Stock Car, entre outras) e subeditor até o final de 2013, quando o veículo encerrou suas atividades. Trabalhou ainda como redator do UOL Esporte em 2014 até que decidiu se juntar com os outros três membros do Projeto Motor para investir na iniciativa.