Além de Hamilton x Rosberg: relembre outras parcerias explosivas da F1

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Até pouco tempo atrás parecia improvável, mas aconteceu: Lewis Hamilton e Nico Rosberg vêm protagonizando uma das mais explosivas rivalidades entre companheiros de equipe da história recente da F1.

Desde o início de 2014, quando a Mercedes se tornou incontestavelmente a principal força da categoria, o inglês e o alemão já se estranharam em mais de uma oportunidade, o que exigiu esforços hercúleos de Toto Wolff e Niki Lauda, chefões das Flechas de Prata, para acalmar os ânimos internamente.

Já foram vários os momentos em que houve polêmica de sobra entre os dois. Apenas choques na pista foram três: Bélgica-2014, Espanha-2016 e Áustria-2016, além de vários outros episódios em que um piloto aplicou “jogo duro” visível no outro.

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Rivais desde os tempos de kart, os pilotos pareciam manter, por muito tempo, uma relação sadia fora da pista. Quando Rosberg obteve seu primeiro pódio na F1, em 2008, recebeu um abraço efusivo de Hamilton, o vencedor da prova, o que indicava haver uma amizade latente entre os dois. Tudo mudou quando passaram a ser parceiros de equipe, praticamente tendo de duelar sozinhos na pista por títulos e vitórias.

Se a missão da Mercedes parece complicada na administração da relação, ao menos não se trata de algo inédito na F1. A história da categoria está recheada de rivalidades ferrenhas entre companheiros de equipe, o que quase sempre culminou na saída de um dos pilotos do time. Não lembra? Então o Projeto Motor lista abaixo algumas rixas sanguinárias entre colegas de equipe. Fique à vontade para mencionar mais exemplos nos comentários!

RUDOLF CARACCIOLA X LUIGI FAGIOLI (MERCEDES, 1935-1936)

Caracciola

Começamos nossa lista mostrando que rivalidades internas provocam dores de cabeça para a Mercedes antes mesmo da existência do Mundial de F1. Nos anos 30, Fagioli se juntou à marca alemã e logo nos primeiros dias na nova casa recebeu ordens de equipe, às quais obedeceu a contragosto. Nos anos seguintes, voltou a viver tensões internas, especialmente com Caracciola, com quem criou certa inimizade. Depois de deixar a Mercedes, em 37, os dois chegaram a ir às vias de fato após um desentendimento no GP de Trípoli, na Líbia.

JACK BRABHAM X DENNY HULME (BRABHAM, 1965-1967)

Hulme e seu primeiro 'patrão', Jack Brabham, em 1966

Apesar de ter sido apadrinhado por Brabham desde as categorias de base até a F1, Hulme se desentendeu com “Black Jack” no ano em que ambos centralizaram a disputa pelo título da categoria máxima, em 1967. Há quem garanta que os pilotos não trocavam uma palavra sequer durante as provas, apesar de trabalharem sob o mesmo teto. Depois de conquistar um insólito título, Hulme deixou a equipe para se juntar ao seu compatriota Bruce McLaren, que há pouco havia criado seu próprio time.

JAMES HUNT X JOCHEN MASS (MCLAREN, 1976-1977)

Devido ao filme “Rush”, muitos relacionam Hunt à rivalidade que teve com Niki Lauda na conquista do título de 76. Contudo, foi contra seu então companheiro de equipe, Jochen Mass, que o boêmio inglês viveu seus maiores momentos de tensão. Em 77, os dois chegaram a bater na fase final do GP do Canadá, o que fez com que Hunt, irritado, aplicasse um knockdown digno de pugilista em um fiscal de prova. Mass deixou a McLaren ao fim daquele ano, indo para a ATS.

ALAN JONES X CARLOS REUTEMANN (WILLIAMS, 1980-1981)

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Talvez esta seja a rivalidade mais subestimada da lista. Jones e Reutemann desenvolveram uma relação de ódio intenso quando o argentino desrespeitou uma ordem de equipe no GP do Brasil de 81, meses depois de Jones garantir seu primeiro título mundial. A partir disso, o que se viu foi uma verdadeira guerra interna na Williams, que culminou em um título de Nelson Piquet sobre Reutemann – resultado bastante comemorado por Jones.

LEIA TAMBÉM: Jones x Reutemann: a maluca briga que custou um título à Williams

GILLES VILLENEUVE X DIDIER PIRONI (FERRARI, 1981-1982)

Pironi Gilles Villeneuve

A rivalidade entre os ferraristas certamente daria um bom roteiro de cinema, infelizmente com fim trágico. Antes amigos íntimos, Villeneuve e Pironi viram a relação azedar quando o francês ultrapassou o canadense nos metros finais do GP de San Marino de 82, o que supostamente foi fruto de uma desobediência de uma ordem de equipe. Na prova seguinte, Villeneuve morreu no treino classificatório em Zolder enquanto tentava superar o ex-amigo. A carreira de Pironi durou mais poucos meses, quando bateu na Alemanha e lesionou as pernas. O francês morreria anos depois, em 87, em um acidente de lancha. Ele deixou dois filhos gêmeos: Didier Jr e Gilles.

LEIA TAMBÉM: Por que Gilles, um piloto instável e sem títulos, é endeusado até hoje?

NELSON PIQUET X NIGEL MANSELL (WILLIAMS, 1986-1987)

Mansell Piquet

Ninguém esperava, mas a disputa entre o bicampeão Piquet e o até então inexpressivo Mansell foi uma disputa acirradíssima. O duelo envolveu muito jogo psicológico, brigas na pista, além de um título perdido para a escuderia de Grove. Há quem diga que o fator político teve enorme peso no duelo, enquanto que outros acham que o brasileiro subestimou o rival. No fim de 87, mesmo com o título, Piquet deixou a Williams para trás e se mandou para a Lotus.

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AYRTON SENNA X ALAIN PROST (MCLAREN, 1988-1989)

Senna Prost

Não é exagero considerar esta a rivalidade mais intensa da história da F1, talvez até a maior que já se viu em todos os esportes. Senna x Prost foi um duelo histórico entre dois dos maiores gênios da raça, o que também viu o fator psicológico ser até mais importante que o técnico. Assim que os ânimos estouraram, em 89, Prost permaneceu na McLaren por apenas mais alguns meses, partindo para a Ferrari após a conquista de um título para lá de controverso.

FERNANDO ALONSO X LEWIS HAMILTON (MCLAREN, 2007)

Hamilton Alonso

Este é mais um caso em que um piloto consagrado sofre nas mãos de um com menos experiência e conquistas. Apesar de contar com um bicampeão mundial e um então estreante, o duelo da McLaren em 2007 contou com um imenso equilíbrio técnico, extrapolado em divergências entre o espanhol e a chefia da McLaren – o que teve até mesmo chantagem envolvida. Com várias brigas na equipe, o título daquele ano ficou nas mãos de Kimi Raikkonen, e Alonso se mandou o time após apenas uma temporada.

SEBASTIAN VETTEL X MARK WEBBER (RED BULL, 2009-2013)

Vettel Webber

Um caso raro em que uma rivalidade espinhosa não foi acompanhada por equilíbrio na pista. Vettel superou Webber em todos os cinco anos que dividiram a Red Bull, incluindo quatro títulos, mas não faltaram momentos de animosidade. Em 2010, quando chegou perto da taça, Webber queixava-se de um suposto tratamento preferencial dado ao alemão, inclusive com direito a um acidente entre ambos; três anos depois, o mundo viu, ao vivo, Vettel desobedecer uma ordem de equipe e ultrapassar Webber por uma vitória. A relação entre os dois só ganhou trégua quando o australiano se aposentou da F1 e deixou a Red Bull.

* Colaboraram Leonardo Felix e Lucas Berredo

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Bruno Ferreira

Sempre gostou de automobilismo e assiste às corridas desde que era criança. A paixão atingiu outro patamar quando viu – e ouviu – um carro de F1 ao vivo pela primeira vez. Depois disso, o gosto pelas corridas acabou se transformando em profissão. Iniciou sua trajetória como jornalista especializado em automobilismo em 2010, no mesmo ano em que se formou, quando publicou seu primeiro texto no site Tazio. De lá para cá, cobriu GPs de F1 no Brasil e no exterior, incluindo duas decisões de título (2011 e 2012), além de provas de categorias como Indy, WEC, WTCC e Stock Car.

  • Gustavo Segamarchi

    Sempre fico imaginando como seria essa rivalidade entre Alonso e Hamilton, mas na Mercedes.

    Como fã de F1, é meu sonho ver Alonso e Hamilton em uma equipe de ponta.

  • ituano_voador

    Hunt com Mass? Não acho que uma besteira em uma corrida seja capaz de gerar uma rivalidade a ser classificada em uma lista como esta, ainda por cima. Os dois nunca tiveram entreveros (fora essa do Canadá), e Mass acabou saindo da McLaren porque, além de ter feito, em todas suas temporadas na equipe, menos pontos que Hunt fez só em 76, ainda tomou tempo do Villeneuve, com um chassi antigo, na inglaterra.