Altos e baixos e título improvável: a carreira de Button na F1 em dez atos

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Piloto mais longevo da F1 na atualidade e um dos cinco campeões mundiais em atividade no grid, Jenson Button está de saída – pelo menos por enquanto. O inglês não disputará a temporada de 2017, o que interrompe uma bem sucedida carreira que contém 15 vitórias e 50 pódios.

Button deixou sua marca na F1 com seu estilo de pilotagem suave, que respeita os limites dos pneus e é pouco propenso a erros. Além disso, o campeão de 2009 mostrou como poucos sagacidade em condições climáticas adversas, o que lhe rendeu vitórias memoráveis.

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Se Button sai de cena em posição respeitável, saiba que nem sempre o piloto gozou de prestígio na F1. Seu começo de carreira foi conturbado, com diversas críticas e contestações não só em cima de sua habilidade ao volante, mas também sobre seu real desejo de se manter no competitivo ambiente da categoria.

Contudo, o inglês conseguiu sobreviver aos diversos altos e baixos de sua carreira até chegar a uma improvável conquista do Mundial. Além disso, conseguiu se manter por vários anos como um competidor de ponta, calando os críticos que alegavam que seu título foi mera questão de sorte. Por isso, relembramos a história de Button na F1 em dez capítulos. Confira!

1 – A chegada empolgante (2000)

Button 2000
Button fez sua estreia na F1 aos 20 anos de idade (Divulgação)

Com pouco mais de 20 anos de idade, Button, terceiro colocado na F3 Inglesa no ano anterior, chegava à F1 pela Williams. Para conquistar a vaga, ele teve de superar uma seletiva contra Bruno Junqueira, destaque da F3000 Internacional. Mesmo sendo regularmente superado por seu mais experiente colega de time, Ralf Schumacher, o inglês mostrou lampejos de brilho, como o quarto lugar no GP da Alemanha e a segunda fila no grid da Bélgica – algo promissor para um estreante com sua idade.

2 – Reputação contestada (2001)

Button, Briatore e Fisichella durante lançamento de carro de 2001 (Divulgação)
Button, Briatore e Fisichella durante lançamento de carro de 2001 (Divulgação)

Com a ida de Juan Pablo Montoya para a Williams em 2001, Button acabou parando na Benetton, que viraria Renault no ano seguinte. Mas ali as coisas saíram dos eixos: o carro era ruim e o inglês foi frequentemente batido por Giancarlo Fisichella. Para piorar, o jovem foi duramente criticado por seu então chefe, Flavio Briatore, que chegou a dizer que o piloto era um “playboy preguiçoso”. Em 2002 a situação melhorou, mas não havia mais espaço para ele no time.

3 – A volta por cima (2003)

Button viveu breve rivalidade com Villeneuve em 2003 (Divulgação)
Button viveu breve rivalidade com Villeneuve em 2003 (Divulgação)

Sem vaga na Renault, Button assinou com seu terceiro time em quatro anos na F1: a BAR. O inglês chegou à equipe tendo de lidar com o “trash talk” de seu novo companheiro, o campeão mundial Jacques Villeneuve, que dizia que não respeitaria o colega até que ele mostrasse seu valor na pista. Foi exatamente o que Button fez: superou o canadense e mostrou ao mundo que havia se tornado um competidor muito mais maduro. Sua posição na F1 finalmente estava firmada.

4 – Mostrando seu valor (2004)

Carro de 2004 permitiu a Button conquistar dez pódios no ano (Divulgação)
Carro de 2004 permitiu a Button conquistar dez pódios no ano (Divulgação)

Líder absoluto dentro da BAR, Button teve a grata surpresa de ver o modelo 006 como uma das grandes forças do grid de 2004. Isso permitiu ao inglês conquistar dez pódios naquele ano e terminar o campeonato em terceiro, logo atrás de Michael Schumacher e Rubens Barrichello. No entanto, dada a superioridade dos carros da Ferrari, a primeira vitória na carreira não veio.

No meio daquele ano, porém, Button estranhamente assinou contrato para retornar à Williams em 2005, mesmo ainda tendo acordo válido com a BAR. A situação se arrastou por meses nos tribunais, e, no fim, o piloto foi obrigado a ficar onde estava. Se na pista a situação havia engrenado, fora dela ainda faltava maturidade.

5 – Vitória, finalmente (2006)

Button comemora insólita vitória em Hungaroring (Divulgação)
Button comemora insólita vitória em Hungaroring (Divulgação)

Button continuou a mostrar potencial na equipe (que virou Honda a partir de 2006), com bons pódios e pole positions. De quebra, reiterou ainda mais sua força como piloto ao superar seu novo companheiro Rubens Barrichello, que chegava da Ferrari depois de seis anos árduos ao lado de Schumacher.

Contudo, o momento que ergueu Button a um novo patamar veio em sua 113ª largada na F1. No chuvoso GP da Hungria, o inglês aliou uma pilotagem cirúrgica com uma pitada de sorte para vencer a corrida saindo de 14º do grid. Tudo apontava que Button e a Honda viriam fortes em 2007, quem sabe até lutando pelo título.

6 – O quase adeus (2008)

Button teve poucos motivos para sorrir entre 2007 e 2008
Button teve poucos motivos para sorrir entre 2007 e 2008

Mas tudo começou a dar errado para a Honda a partir de 2007. Os carros fabricados em Brackley passaram a mostrar pouca competitividade, deficientes aerodinamicamente. Isso rebaixou Button à briga no pelotão intermediário, raramente com chances de pontos.

Em 2008 a má fase permaneceu, e a Honda decidiu, em meio à crise global, desativar sua equipe para o ano seguinte. O problema é que isso foi anunciado depois de a temporada já estar encerrada, o que colocou seus pilotos em situação complicada na tentativa de uma vaga para 2009. Com isso, Button, aos 28, vivia séria possibilidade de ficar a pé na F1.

7 – O título improvável (2009)

Button foi o campeão da temporada de 2009
Button foi o campeão da temporada de 2009

O espólio da Honda acabou permanecendo na F1, sob o nome de Brawn GP. Os pilotos, Button e Barrichello, também foram mantidos, com a expectativa mais otimista em fazer melhor do que a Honda vinha apresentando nos anos anteriores.

Mas o carro quase que sem patrocinadores e equipado com motor Mercedes se mostrou uma grata surpresa, especialmente por se aproveitar da controversa brecha do regulamento no que dizia respeito aos difusores duplos. Button venceu seis das sete primeiras corridas do ano e, mesmo com uma queda de rendimento na segunda metade da temporada, controlou a distância na tabela até sacramentar o título no GP do Brasil, com uma corrida de antecipação.

8 – Querendo se testar (2010)

Button se juntou à McLaren para correr contra Hamilton (Divulgação)
Button se juntou à McLaren para correr contra Hamilton (Divulgação)

Button havia realizado o sonho de se sagrar campeão mundial, mas mesmo assim evitou se acomodar. Para 2010, mudou-se para a McLaren com o objetivo de se testar ao lado de Lewis Hamilton, um dos pilotos mais badalados da nova geração.

E Button passou longe de fazer feio. Com atuações de gala, como Austrália em 2010 e Canadá e Hungria em 2011, o piloto deu um belo trabalho a Hamilton, inclusive vencendo o duelo interno com certa tranquilidade em sua segunda temporada em Woking. Em três anos de parceria, Hamilton até mostrava no geral rendimento superior em relação ao seu compatriota, mas acumulou menos pontos (657 a 672). Para quem tinha dúvidas, Button mostrou que pertencia de fato ao grupo de campeões mundiais.

9 – A hora de liderar (2013)

Inglês era o principal nome da McLaren em 2013, mas carro decepcionou
Inglês era o principal nome da McLaren em 2013, mas carro decepcionou

Quando Hamilton se mandou para a Mercedes, em 2013, Button assumiu o papel de líder dentro da McLaren. A expectativa era alta, principalmente porque a equipe havia vencido bem as duas corridas finais de 2012, inclusive com o próprio inglês em Interlagos.

Mas o carro da McLaren para 2013 foi um pesadelo, sendo incapaz de conquistar um pódio sequer na temporada. Em 2014 a situação mudou pouco, com um terceiro lugar como melhor resultado. A expectativa era de que tudo voltaria aos trilhos com a retomada da parceria com a Honda, reeditando o conjunto que dominou a F1 no fim dos anos 80 e começo dos anos 90.

10 – Saindo de cena (2016)

Ano de 2015 marcou despedida de Button da F1
Ano de 2015 marcou despedida de Button da F1

Em tese, 2015 marcaria o início de um promissor capítulo tanto para Button como para seu novo companheiro de equipe, Fernando Alonso. Não que o MP4-30-Honda pudesse lutar pelo título: esperava-se somente que o conjunto mostrasse o mínimo de competitividade, servindo como um embrião de um projeto que se tornasse bem sucedido em alguns anos.

Como todos sabem, o projeto começou desastroso para a McLaren, com um motor de pouca potência e confiabilidade entregue pelos japoneses. A situação melhorou sensivelmente em 2016, mas, com Alonso garantido para 2017 e Stoffel Vandoorne batendo na porta, o inglês se viu sem lugar dentro da equipe. Assim, Button sai de cena no ano que vem. É um “adeus” ou um “até logo”? Só o tempo vai dizer.

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Bruno Ferreira

Sempre gostou de automobilismo e assiste às corridas desde que era criança. A paixão atingiu outro patamar quando viu – e ouviu – um carro de F1 ao vivo pela primeira vez. Depois disso, o gosto pelas corridas acabou se transformando em profissão. Iniciou sua trajetória como jornalista especializado em automobilismo em 2010, no mesmo ano em que se formou, quando publicou seu primeiro texto no site Tazio. De lá para cá, cobriu GPs de F1 no Brasil e no exterior, incluindo duas decisões de título (2011 e 2012), além de provas de categorias como Indy, WEC, WTCC e Stock Car.

  • Renato Rafa Souza

    Grande texto. Concordo 100%, parabéns pela precisão das informações. O Button é um dos pilotos mais subestimados da F1. Ele é forte, o confronto parelho com o Alonso e com o Hamilton é a prova disto. O próprio Alonso colocou ele como o mais forte piloto que ele enfrentou (na frente do Hamilton)

  • Angelito

    Um dos melhores competidores do grid (no quesito gente boa e fairplay) e uma falta tremenda para a categoria, se ele der adeus.

  • Guilherme Laporti