Antes da F1, GP de Mônaco se tornou palco de corridas e criou heróis

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A história do GP de Mônaco vem de muito antes da formação do campeonato da F1, do qual é etapa de forma contínua desde 1955. A prova foi formulada ainda no final dos anos 20, e palco nesta era pré-II Guerra de grandes provas e para pilotos que fizeram seus nomes nas estreitas esquinas do principado.

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Quando olhamos para esta época, é difícil entendermos ao analisarmos os carros e tipo de corridas, por que se resolveu promover uma prova desta natureza, em um lugar tão apertado e longe das características de pistas de corridas, que na maioria das vezes eram feitas em grandes estradas europeias. A resposta para isso é simples: necessidade política.

O Automóvel Clube de Mônaco (ACM) já promovia desde 1911 o rali local, que inclusive acontece até hoje e faz parte do calendário do campeonato mundial. Em meados dos anos 20, a entidade fez um pedido à Federação Internacional para ser reconhecida como um clube nacional, e não regional como era até então.

A requisição foi negada sob alegação de que o clube não administrava nenhuma competição nacional em Mônaco, sendo que o rali de Monte Carlo não poderia ser considerado porque ele não era realizado dentro das fronteiras do pequeno país, já que na época também utilizava estradas de outros países ao entorno como França e Itália.

Desde seus primórdios, o GP de Mônaco utilizou as ruas apertadas de Monte Carlo
Desde seus primórdios, o GP de Mônaco utilizou as ruas apertadas de Monte Carlo

O presidente do ACM, Alexandre Noghès procurou o príncipe Louis II com a ideia então da criação de uma corrida nas ruas da cidade. Obviamente que a autoridade adorou a sugestão e logo encaminhou a sanção à competição. O filho de Alexandre, Anthony Noghès (que hoje está imortalizado ao dar nome à última curva do traçado), Comissário geral do ACM, ficou responsável por toda organização, partindo da burocracia, arrumar dinheiro para realização do evento e até logística.

O piloto local Louis Chiron ainda deu seu apoio promocional e contribuiu no desenho do traçado. O engenheiro Jacques Taffe liderou o lado técnico da instalação e montagem da pista, que passava por trilhos de bonde, calçadas e outros.

Sendo assim, em 14 de abril de 1929, foi realizada a primeira corrida de Mônaco, ainda sem o status de Grande Prêmio internacional. O grid foi formado apenas por equipes e pilotos convidados, sendo que várias ausências foram sentidas como alguns dos nomes principais dos times oficiais de Maserati e Alfa Romeo. Chiron foi outra falta, pois já tinha fechado um acordo para competir nas 500 Milhas de Indianápolis, no mesmo dia.

Mesmo assim, a prova contou com competidores de peso da Bugatti e a Mercedes levou um de seus principais ases, o alemão Rudolf Caracciola. A vitória, no entanto, ficou com o francês William Grover-Williams, com um Type 35B da equipe de fábrica da Bugatti.

No ano seguinte, a Mercedes não recebeu permissão para correr em Mônaco, enquanto Chiron fez sua estreia com um segundo lugar, batido pela francês René Dreyfus, que competiu com Bugatti Type 35B independente. O piloto monegasco conquistaria sua vitória local apenas na edição de 1931.

Com o rápido crescimento da corrida em Mônaco, em 1933, a Federação Internacional finalmente reconheceu o ACM e concedeu à prova o status de Grande Prêmio. Assim, a etapa entrou para o calendário internacional das competições mais importantes.

Achille Varzi e Tazio Nuvolari foram os grandes protagonistas da edição daquele ano. Após uma intensa abriga e várias trocas de posição, A vitória ficou com Varzi, da Bugatti, graças ao abandono de Nuvolari na última volta, quando sua Alfa Romeo pegou fogo por conta de um superaquecimento no motor.

Tazio-Nuvolari (28), Achille-Varzi (10) e László-Hartmann (24) na luta pelo GP de Mônaco de 1933
Tazio-Nuvolari (28), Achille-Varzi (10) e László-Hartmann (24) na luta pelo GP de Mônaco de 1933

Três anos depois, em mais uma demonstração do crescente prestígio do GP de Mônaco, a prova passou a constar no calendário do Campeonato Europeu. A edição de estreia na nova competição contou com uma forte chuva, o que resultou em uma corrida cheia de acidentes. Caracciola, que tinha o apelido de “mestre da chuva”, superou as dificuldades e venceu com sua Mercedes W25K.

Na temporada seguinte, o alemão voltou a protagonizar a briga pela vitória em Monte Carlo, mas desta vez foi batido pelo seu companheiro de equipe, Manfred von Brauchitsch, em um trifeta do time da Daimler-Benz AG, com seus Mercede W125, completada pelo suíço Christian Kautz.

Para 1938, o Clube de Mônaco não conseguiu bancar a taxa de £500 por inscrição de pilotos de nível internacional exigida pela Federação, e a corrida foi cancelada. Com a II Guerra paralisando as competições de automobilismo a partir de 1939, o GP voltaria a ser realizado apenas em 48.

Em 49, por conta do luto pela morte do príncipe Louis II, a corrida novamente não aconteceu. Mônaco entrou para o calendário do primeiro Campeonato de F1, em 50, e foi palco da primeira das 24 vitórias de Juan Manuel Fangio no Mundial.

O GP, porém, voltou a ter problemas de organização nos anos seguintes, não sendo realizado em 1951, 53 e 54. Em 52, a prova aconteceu seguindo o regulamento de esporte-protótipos. O GP de Mônaco voltaria definitivamente ao calendário da F1 em 55, para nunca mais sair.

De qualquer maneira, sua história pré-F1 ficou marcada pela participação das mais importantes equipes e pilotos da época, consolidando muito antes da formação do Mundial a posição do GP de Mônaco como um dos mais importantes do mundo em termos de prestígio dentro e fora das pistas.

 

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Lucas Santochi

Mais um fanático da gangue que criou vínculo com automobilismo desde a infância. Acampou diversas vezes nas calçadas ao redor de Interlagos para assistir aos GPs e nunca esqueceu a primeira vez que, ainda do lado de fora do autódromo, ouviu o barulho de F1 acelerando pela reta. Jornalista formado em 2004, passou por redações na época da TV Band e Abril, teve experiência na área de assessoria de comunicação esportiva até chegar ao site especializado em esporte a motor Tazio, em 2010. Passou pelas funções de redator, repórter (cobrindo diversas corridas no Brasil e exterior de F1, Indy, WEC, Stock Car, entre outras) e subeditor até o final de 2013, quando o veículo encerrou suas atividades. Trabalhou ainda como redator do UOL Esporte em 2014 até que decidiu se juntar com os outros três membros do Projeto Motor para investir na iniciativa.