As melhores decisões de título da F1 na corrida final do campeonato

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Decisões de campeonato na última corrida da temporada sempre têm uma expectativa mais alta. Por mais que o título já esteja encaminhado para um dos lados, a possibilidade do improvável definitivo, sem chances para uma nova chance, acompanha cada volta.

O Comitê Editorial do Projeto Motor discutiu muito quais teriam sido as melhores destas ocasiões. Fizemos votação e tudo para chegarmos aos cinco melhores casos. Muitas batalhas foram lembradas e acabaram ficando fora deste artigo, mas claro que têm seu lugar na história.

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Mesmo para nós, do site, se a lista fosse feita por um ou outro, seria completamente diferente. Muito por que é difícil encontrar o critério correto para comparar essas decisões. Em alguns casos, tivemos uma briga intensa na tabela de pontuação, mas nem tanto na corrida. Em outros, um momento dentro da prova, que definiu o destino de toda a temporada.

Bem, chegamos a cinco decisões. Fique à vontade para relembrar outras nos comentários e nos ajudar a analisar estas disputas de título:

5º – GP do Japão de 1976 – James Hunt x Niki Lauda

Circuito: Fuji
Pontuação antes da prova:
1º. Niki Lauda – 68
2º. James Hunt – 65
Pontuação final:
1º. James Hunt – 69
2º. Niki Lauda – 68

A temporada de 1976 já até ganhou um filme, “Rush”, de 2013, de tão simbólica. A corrida final também teve suas nuances, mas é importante a contextualização geral.

Niki Lauda parecia rumar tranquilamente para o bicampeonato com sua Ferrari quando sofreu um grave acidente no GP da Alemanha. James Hunt aproveitou para iniciar sua recuperação. Naquele momento da temporada, o inglês estava em terceiro na classificação a 35 pontos do austríaco.

Lauda perdeu duas provas depois de Nurburgring, ambas vencidas pelo rival da McLaren, e, apesar do heroico quarto lugar em Monza, no seu retorno às pistas, 42 dias após seu acidente quase fatal, ele ainda estava longe da melhor forma física e psicológica.

fuji-1976
Largada do GP do Japão de 1976, com James Hunt pulando na ponta

Hunt continuou conquistando vitórias e os dois chegaram ao Japão, que fazia sua estreia no calendário da F1, separados por apenas três pontos. No dia da prova, uma forte chuva caiu na região de Fuji, o que gerou até um debate de bastidores sobre se a corrida deveria acontecer ou não.

Na largada, Hunt assumiu a ponta, com John Watson, da Penske, em segundo, e o pole position Mario Andretti, da Lotus, em seguida. Lauda caiu de terceiro do grid para décimo na primeira volta.

Ao final da segunda volta, porém, diante das péssimas condições do tempo e temendo a falta de segurança, Lauda entrou nos boxes e desistiu. Assim, Hunt precisaria apenas de um quarto lugar para conquistar o título. Larry Perkins, da Brabham, também tinha deixado a prova por não aceitar a situação de periogo ainda na primeira volta. Nos giros sete e nove, os brasileiros José Carlos Pace, da Brabham, e Emerson Fittipaldi, da Copersucar, seguiram o mesmo caminho.

Correndo atrás do título, Hunt permaneceu na ponta até a 61ª volta, quando seus pneus de chuva começaram a sofrer com a pista mais seca. Ele foi superado por Andretti e Patrick Depailler, da Tyrrel. O pneu traseiro esquerdo do francês, no entanto, acabou estourando e ele precisou fazer um pitstop. A quatro voltas do fim, o mesmo aconteceu com o composto de Hunt, que também precisou parar nos boxes para uma troca.

Ele voltou em quinto, em uma posição dramática, já que estaria perdendo o título mesmo sem o rival direto na pista. O piloto da McLaren partiu para cima e, na penúltima volta, conseguiu as ultrapassagens sobre Clay Regazzoni e Alan Jones para terminar em terceiro, conquistando o Mundial por um ponto.

4º – GP do México de 1964 – John Surtees x Graham Hill x Jim Clark

Circuito: Hermanos Rodríguez
Pontuação antes da prova:
1º. Graham Hill – 39 (2 pontos descartados)
2º. John Surtees – 34
3º. Jim Clark – 30
Pontuação final:
1º. John Surtees – 40
2º. Graham Hill – 39 (2 pontos descartados)
3º. Jim Clark – 32

A decisão de 1964 na Cidade do México foi daquelas em que a cada volta novas contas tinham que ser feitas e o título passou pelas mãos de todos os concorrentes até a bandeira quadriculada.

Graham Hill, da BRM, liderava o campeonato com cinco pontos de vantagem para John Surtees, da Ferrari, e nove para Jim Clark, da Lotus, que chegava à etapa final com remotíssimas chances.

Surtees e Clark já tinham quatro resultados fora dos pontos a serem descartados enquanto Hill sabia que além dos dois tentos que carregava, qualquer posição entre os quatro primeiros o faria descartar outros três. Quinto ou sexto, ele descartaria os tentos da corrida.

O GP começou promissor para o candidato com menos chances, já que Clark não só arrematou a pole, como ainda classificou com 0s8 de vantagem para o segundo colocado do grid, Dan Gurney, da Brabham, enquanto o rival mais próximo na briga pelo título, Surtees, ficou em quarto, a 1s4. Hill foi apenas o sexto a 2,5.

A corrida começou ainda melhor para o escocês. Enquanto ele pulava na frente, seus adversários tinham problemas. O elástico dos óculos de Hill estourou poucos momentos antes da largada e o inglês cruzou a primeira volta em 10º. Surtees começou a prova com o motor de sua Ferrari falhando, o que o fez cair para 13º.

Os dois, porém, conseguiram superar as falhas. Na 12ª volta, Hill chegou ao terceiro lugar, que lhe daria o título mesmo com a vitória de Clark. A Ferrari de Surtees voltou ao normal sozinha e o empurrou para quinta posição a 18ª passagem. Desta forma, o piloto da BRM, mesmo com os descartes, estaria em posição de título, com 40 pontos, um a mais que Clark e quatro que Surtees.

As posições se mantiveram até a volta 31, quando o companheiro de Surtees na Ferrari, Lorenzo Bandini, em um lance bastante polêmico, bateu na traseira da BRM de Hill, o fazendo rodar e sair da pista. Hill retornou com os escapes de seu carro quebrados e apenas na 10ª posição, praticamente sem chances de uma nova recuperação.

Companheiros de Ferrari, Surtees e Bandini, no GP do México de 1964
Companheiros de Ferrari, Surtees e Bandini, no GP do México de 1964

Com as posições de momento, Clark ainda seria campeão com 39 pontos (batia Hill no desempate com mais vitórias), enquanto Surtees, em quarto – mas com o companheiro em terceiro pronto para deixa-lo ultrapassar a qualquer momento – chegaria aos 38. Mesmo fora da zona de pontuação, Hill permanecia com 39, e precisava torcer contra os rivais.

O escocês, com 18 segundos de vantagem para o segundo colocado, Dan Gurney, da Brabham, parecia que iria conseguir a improvável virada. Mas o destino resolveu dar mais uma ajuda para o piloto de Maranello.

A sete voltas do final, a Lotus de Clark começou a vazar óleo e perder rendimento. Gurney ultrapassou o escocês na penúltima volta, já tirando suas chances de título. No último giro, o carro parou de vez. Para deixar seu piloto à frente de Hill na pontuação, a Ferrari mandou Bandini dar passagem a Surtees também no giro final para que ele cruzasse em segundo.

Com o resultado, Surtees conquistou o título e se tornou o único piloto da história campeão mundial tanto na F1 quanto na Motovelocidade (tetracampeão da categoria 500cc e tri na 350cc).

3º – GP do Brasil de 2012 – Sebastian Vettel x Fernando Alonso

Circuito: Interlagos
Pontuação antes da prova:
1º. Sebastian Vettel – 273
2º. Fernando Alonso – 260
Pontuação final:
1º. Sebastian Vettel – 281
2º. Fernando Alonso – 278

Com um olhar frio tanto sobre a situação geral quanto em cima da tabela de pontuação, é difícil entender por que a decisão de 2012 está nesta lista. Só que este é daqueles casos em que a dramaticidade de uma corrida cheia de alternativas em uma prova com chuva em Interlagos coloca esta disputa de título entre as mais emocionantes.

Vettel e a Red Bull começaram o ano sofrendo com os pneus da Pirelli. A McLaren parecia ter o melhor carro do grid, porém, cometia diversos erros. Kimi Raikkonen surpreendia a todos, voltando de dois anos afastando da F1, andando de forma constante, o que o colocou na briga.

Quem despontou foi Fernando Alonso. Se a Ferrari não era o carro mais rápido, era certamente o único que conseguia estar em todos as ocasiões brigando pelo pódio. Depois da 13ª etapa, ele liderava o campeonato com 179 pontos, 37 à frente de Hamilton, 38 de Raikkonen e 39 de Vettel.

A virada veio após atualizações no carro da Red Bull e uma mudança, por segurança, nos pneus da Pirelli,. Assim, o alemão encaixou uma sequência de quatro vitórias e mais dois pódios que o levaram para a corrida final, em São Paulo, na liderança da classificação com 13 pontos de vantagem para Alonso.

A classificação deixou o piloto da equipe austríaca em uma posição ainda mais confortável, na quarta posição do grid, enquanto o espanhol da escuderia de Maranello era apenas o sétimo. Momentos antes da largada, porém, uma pequena garoa caiu na região de Interlagos, dando sinais que a prova poderia ter surpresas.

Vettel se envolve em acidente na primeira volta do GP do Brasil de 2012
Vettel se envolve em acidente na primeira volta do GP do Brasil de 2012

Ao apagar das luzes vermelhas, Vettel saiu mal, caindo para sétimo, enquanto Alonso conseguiu avançar para quinto. Para piorar a situação do alemão, alguns metros depois, na Curva do Lago, ele foi acertado por Bruno Senna. Ao final da primeira volta, o espanhol era quinto e o alemão estava em 22º (último) e com a lateral de seu carro avariada.

Na segunda volta, em uma boa manobra tática do companheiro Felipe Massa, que segurou Mark Webber, da Red Bull, Alonso ultrapassou os dois e pulou para terceiro, colocação que, naquela situação, já lhe dava o título.

Nico Hulkenberg, da Force India, começou a mostrar sua destreza na pista úmida, ao deixar Webber, Massa e Alonso para trás e ir atrás das McLaren, que lideravam. A quarta posição não servia para o espanhol. Com pista molhada, Vettel também conseguiu escalar rapidamente o pelotão, e na nona volta ele já era sexto, logo atrás das duas Ferraris. O posicionamento novamente o colocava em situação confortável para o campeonato. Na 18ª volta, o alemão já estava à frente do rival, o que lhe deixava em condição ainda mais confortável.

Após um período em safety car por conta de detritos na pista, a pista começou a secar novamente. Na relargada, sem o asfalto tão molhado, Vettel começou a mostrar que não conseguia ser tão rápido quanto os concorrentes, por conta dos danos na lateral de sua Red Bull. Assim, ele caiu para sétimo, enquanto Alonso seguia em quarto.

A chuva seguiu intermitente, obrigando os pilotos a trocas de pneus para slicks e depois para intermediários de novo. Na frente, um acidente tirou Hamilton e Hulk da corrida, deixando Button livre na liderança, o que ajudou Alonso, que não mostrava ter rendimento para brigar com eles. Para aumentar as esperanças do espanhol, com problemas no rádio, Vettel entrou nos boxes sem a equipe Red Bull estar pronta, o que o derrubou para fora dos pontos.

Massa tirou o pé na segunda posição para deixar o companheiro de Ferrari passar, mas em nenhum momento Alonso conseguiu ameaçar Button. Enquanto isso, Vettel aproveitou o retorno da chuva para uma nova recuperação.

A chuva apertou no final e Paul di Resta bateu na reta dos boxes, causando nova entrada do safety car a duas voltas do final. Assim, o campeonato terminou sob intervenção da bandeira amarela e Alonso cruzou em segundo, com Vettel em sexto. O espanhol acabou perdendo o título, que parecia impossível antes do GP, por apenas três pontos.

2º – GP da Austrália de 1986 – Alain Prost x Nigel Mansell x Nelson Piquet

Circuito: Adelaide
Pontuação antes da prova:
1º. Nigel Mansell – 70 (2 pontos descartados)
2º. Alain Prost – 64 (1 ponto descartado)
3º. Nelson Piquet – 63
Pontuação final:
1º. Alain Prost – 72 (2 pontos descartados)
2º. Nigel Mansell – 70 (2 pontos descartados)
3º. Nelson Piquet – 69

A temporada de 1986 é certamente uma das mais incríveis da história da F1. Tanto que no Projeto Motor fizemos um especial sob a ótica dos quatro pilotos que brigaram aquele título.

Não deixe de ler para ter uma ideia melhor de todo o contexto da época e de como a briga pelo título se arrastou até a corrida final em que três concorrentes chegaram em condição de conquistar o título:

Leia “1986, a temporada que definiu uma geração”:
PARTE 1 – Ayrton Senna
PARTE 2 – Nelson Piquet
PARTE 3 – Nigel Mansell
PARTE 4 – Alain Prost

A Williams tinha o melhor carro do ano, mas incrível constância de Alain Prost, que soube levar o campeonato de maneira cerebral, o deixou em posição de brigar na corrida final contra os dois rivais que se digladiavam em uma disputa interna: Nigel Mansell e Nelson Piquet.

O inglês chegou a corrida de Adelaide como favorito e líder do campeonato com 70 pontos. O francês da McLaren tinha 64 enquanto que o brasileiro da Williams ainda nutria chances com 63.

A classificação deixou a posição de Mansell ainda mais forte, com a pole position. Piquet era o segundo do grid, seguido de Ayrton Senna, de Lotus, e Prost apenas na quarta colocação.

Só que a corrida logo virou isso do avesso: Mansell pulou na frente, com Senna em segundo, Piquet em terceiro enquanto Prost caiu para quinto, atrás do companheiro Rosberg. Na terceira curva, o piloto da Lotus mergulhou para cima do inglês e não só tomou a ponta, como trouxe o compatriota e o finlandês da McLaren logo atrás. Pouco depois, ao final da grande reta, Piquet fez uma bela ultrapassagem por fora para assumir a ponta. Assim, o brasileiro da Williams abria a corrida na frente, com Senna em segundo, Rosberg em terceiro, Mansell em quarto e Prost apenas em quinto.

Pneu de Mansell estoura durante o GP da Austrália de 1986
Pneu de Mansell estoura durante o GP da Austrália de 1986

O finlandês da McLaren passou Senna na segunda volta e Piquet na sétima. Mansell e Prost também conseguiram a ultrapassagem sobre a Lotus. A movimentação continuou com o francês deixando o inglês para trás no 11º giro. Mesmo atrás dos dois concorrentes, a situação de pista após este início deixava Mansell com o título.

Entre as voltas 23 e 32, as coisas pareciam melhorar ainda mais para o inglês. Primeiro, Piquet rodou, caindo para depois dos rivais. Depois, foi a vez de Prost sofrer um furo no pneu, o que o obrigou a parar para um pit inesperado.

Piquet voltou a apertar o ritmo e recuperou a segunda posição em cima do companheiro, enquanto Prost vinha atrás dos dois. O pneu de Rosberg estourou na volta 63, deixando os candidatos ao título na frente nas três primeiras posições.

O cenário ainda era bom para Mansell, que com um terceiro lugar, independente da posição dos rivais, levaria o título. Só que duas voltas depois do problema de Rosberg, seu pneu também explodiu, o tirando da prova e deixando suas chances na torcida por problemas dos adversários.

Prost comemora bicampeonato após vitória em Adelaide
Prost comemora bicampeonato após vitória em Adelaide

Piquet assumiu a liderança, em posição de título, com Prost em segundo. Só que diante das falhas seguidas nos compostos tanto de Rosberg quanto de Mansell, a Williams resolveu chama-lo imediatamente aos boxes para uma troca. No retorno, ele era o segundo, 15 segundos atrás de Prost, com 17 voltas pela frente.

O brasileiro até conseguiu reduzir a desvantagem para quatro segundos, mas Prost controlou bem a corrida para receber a bandeira quadriculada na frente e conquistar seu bicampeonato.

1º – GP do Brasil de 2008 – Lewis Hamilton x Felipe Massa

Circuito: Interlagos
Pontuação antes da prova:
1º. Lewis Hamilton – 94
2º. Felipe Massa – 87
Pontuação Final:
1º. Lewis Hamilton – 98
2º. Felipe Massa – 97

A decisão de 2008 não lidera a lista por ser o ápice de uma grande temporada, muito menos por ter sido uma corrida em que o tempo todo, como na maioria dos casos aqui apresentados, o título mudou de mãos em vários momentos, em uma prova cheia de alternativas.

A verdade é que tudo se resumiu a cinco voltas. Só que, provavelmente, foram as cinco voltas finais mais emocionantes da história das decisões de título da F1. E com tamanho nível de intensidade, não tínhamos como colocar outra corrida neste posto.

Massa e Hamilton em 2008
Massa e Hamilton em 2008

Em um campeonato marcado por muitos erros tanto das equipes quanto dos favoritos, Felipe Massa e Lewis Hamilton acabaram se destacando entre os favoritos e chegaram à última etapa, no Brasil, para a decisão. É verdade que, ao olhar a pontuação, a fatura na corrida final parecia já estar liquidada. Com sete pontos de vantagem para o brasileiro da Ferrari, apenas uma catástrofe poderia tirar o título do inglês da McLaren.

Sem muitas esperanças, Massa fez naquele final de semana o que se esperava dele. Cravou a pole position com tranquilidade, metendo mais de meio segundo no segundo colocado, Jarno Trulli, da Toyota, enquanto Hamilton era o quarto.

Na largada, o piloto local pulou na ponta e foi embora, com seu rival na decisão mantendo sua posição de largada, em quarto. A situação daria o título ao inglês, que precisava apenas de um quinto lugar.

A corrida prosseguiu sem grandes sustos. Massa liderou praticamente o tempo inteiro, assim como se manteve em sua segura quarta colocação.

Só que tudo mudou nos quilômetros finais A tradicional chuva da etapa paulistana caiu em Interlagos nas últimas seis voltas. Massa e os outros cinco primeiros partiram a troca de pneus. Timo Glock, da Toyota, então sexto, acreditando que a intensidade da garoa não iria aumentar, resolveu arriscar a ficar na pista com slicks, pulando para quarto.

Hamilton caiu para quinto, no limite do posicionamento que lhe dava o título, com Sebastian Vettel, da Toro Rosso, na sua cola. Ao ser atrapalhado por Kubica, que estava descontando uma volta, o inglês cometeu um erro na Junção que permitiu o alemão fazer a ultrapassagem a três voltas para o final.

Os últimos metros de corrida passaram a ser de uma intensa perseguição de Hamilton a Vettel, enquanto Massa seguia tranquilo na frente, prestes a conquistar o título mundial em frente ao seu público local.

Na última volta, no entanto, a chuva apertou e Glock perdeu muito ritmo. Massa recebeu a bandeira quadriculada para a vitória em um momento em que as posições lhe davam o Mundial. Mas Hamilton conseguiu a ultrapassagem sobre o alemão da Toyota na Junção, restando apenas a subida para a reta para cruzar a linha de chegada na quinta posição, resultado que lhe valeu o título por um ponto.

Muito se discutiu no Brasil sobre a queda de desempenho de Glock na volta final, mas aqui no Projeto Motor já fizemos uma matéria mostrando em números como o alemão realmente não só ficou sem condições de segurar sua posição, como na verdade deveria ser lembrado como o homem que quase deu o título a Massa.

De qualquer maneira, mesmo não tendo sido a temporada mais espetacular ou nem mesmo a corrida mais incrível da história, o GP do Brasil de 2008 acabou, sem sombra de dúvidas, criando o maior clímax que uma decisão de título já teve na F1, por mais curto que tenha sido.

 

Debate Motor #53: a F1 dá o devido valor a Alain Prost?

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Lucas Santochi

Mais um fanático da gangue que criou vínculo com automobilismo desde a infância. Acampou diversas vezes nas calçadas ao redor de Interlagos para assistir aos GPs e nunca esqueceu a primeira vez que, ainda do lado de fora do autódromo, ouviu o barulho de F1 acelerando pela reta. Jornalista formado em 2004, passou por redações na época da TV Band e Abril, teve experiência na área de assessoria de comunicação esportiva até chegar ao site especializado em esporte a motor Tazio, em 2010. Passou pelas funções de redator, repórter (cobrindo diversas corridas no Brasil e exterior de F1, Indy, WEC, Stock Car, entre outras) e subeditor até o final de 2013, quando o veículo encerrou suas atividades. Trabalhou ainda como redator do UOL Esporte em 2014 até que decidiu se juntar com os outros três membros do Projeto Motor para investir na iniciativa.

  • Dox

    Vejo uma supervalorização do Alonso e vi uma corrida medíocre dele em Interlagos 2012, saindo da pista 2 vezes no S do Senna, enquanto Vettel, em 15 voltas, subia de último para escapamento do espanhol.
    Foi o segundo campeonato que Alonso perdeu, junto com 2010, outra temporada que teve uma decisão emocionante na última prova.
    Dentre outros campeonatos decididos na última corrida, temos os 2 primeiros do Piquet, a vigarice do Schumacher em 94, a briga interna da McLaren em 84, entre outros.

  • MPeters

    Só dois comentários.
    1º: Faltou 2007, ano em que quase ninguém apostava no Raikkonen, lembro inclusive que a Globo fez uma série de charges antes da corrida falando só do Alonso e do Hamilton.
    2º: Interessante notar que a Red Bull patrocinava o Massa em 2008.

  • Eli Carlos Miranda dos Santos

    Comecei a descer a lista, descer, descer e pensei que não iam colocar a de 2008. Ufa! Lembro que quase tive um ataque cardíaco nesse dia.