Até os grandes gênios da F1 já tiveram seu dia de Maldonado

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Não tem jeito. Todo mundo na vida, por mais que seja bom em sua profissão, já teve aquele dia em que nada deu certo no trabalho. Por algum motivo ou outro, a pessoa acaba tomando as decisões erradas, ou não conseguindo resolver algum tipo de situação que tiraria de letra em qualquer outra oportunidade.

Na F1, isso não é diferente. Até os grandes pilotos da categoria já passaram por um domingo em que fizeram tudo errado. Todos eles.

Claro que o que os diferencia de um Pastor Maldonado é que enquanto o venezuelano de vez em quando faz uma boa corrida, os gênios conseguem inverter essa tendência e apenas em um outro momento de suas carreiras cometem erros que não condizem com o que se espera de um piloto do mais alto nível do automobilismo.

Para exemplificar essa situação de domingos estabanados, pegamos nada mais nada menos do que exemplos de cinco dos melhores pilotos da história e da atualidade para mostrarmos que até mesmo eles têm seus dias de meros mortais do volante.

ALAIN PROST – Silverstone 1988

Prost disputa posição com a Minardi de Pierluigi Martini (Divulgação)
Prost disputa posição com a Minardi de Pierluigi Martini (Divulgação)

A relação de Alain Prost com a chuva nunca foi amistosa. Um dos exemplos disso é o GP da Inglaterra de 88. Numa medonha apresentação, caiu de quarto para 11º na primeira volta e permaneceu a prova inteira virando tempos abaixo da média. Para piorar, ainda no primeiro terço do percurso, tomou uma volta do companheiro Ayrton Senna – diga-se de passagem, numa temporada em que o carro da McLaren era infinitamente superior ao resto do páreo.

Na 25ª volta, Prost desistiu da corrida, alegando que correr em condições chuvosas era muito arriscado. Na ocasião, o francês ocupara uma ridícula 16ª colocação. Senna venceu a prova.

JIM CLARK – Nurburgring 1966

Clark no comando do grid de Nurburgring, da esquerda para a direita (Schlegelmilch/Corbis)
Clark no comando do grid de Nurburgring, da esquerda para a direita (Schlegelmilch/Corbis)

Nos anos 60, Jim Clark se tornou famoso por liderar corridas com maestria. Uma vez que o escocês estivesse na ponta, era difícil tirá-lo dali, pois raramente cometia erros na condução do carro. Não foi o caso do GP da Alemanha de 66.

Clark escolheu os pneus errados e, logo na volta inicial, despencou da pole para o quarto lugar. Ao longo do percurso, perdeu posições para Dan Gurney e Graham Hill e, no fim, encerrou sua participação com uma visita a um dos fossos no velho Nurburgring. Em toda sua carreira na F1, Clark protagonizou apenas três acidentes – este foi um deles.

LEWIS HAMILTON – Mônaco 2011

O ano de 2011 não foi fácil para Lewis Hamilton. Com uma Red Bull no auge da forma, o britânico da McLaren, ainda na primeira parte do campeonato, se viu fora da briga pelo título. Não obstante, envolveu-se em diversas polêmicas fora da pista: em Mônaco, insinuou que estava sendo vítima de racismo após sair do fim de semana com um saldo de três punições no bolso.

Mas Hamilton fez de tudo para ser castigado. Ainda na classificação, perdeu duas posições no grid por cortar uma chicane em sua volta rápida. Depois, na corrida, abalroou a Ferrari de Felipe Massa na Loews (veja no vídeo acima), tirando o brasileiro da prova e tomando um drive through. E para fechar, ainda se enroscou com Pastor Maldonado na Ste. Devote, a três voltas do fim. No pós-corrida, culpou a Deus e o mundo pelos acidentes, exceto a si próprio. Cruzou em sexto, com um acréscimo de 20s no tempo pela colisão com Maldonado.

MICHAEL SCHUMACHER – China 2004

Schumacher foi o barbeiro do fim de semana em Xangai-04 (Divulgação)
Schumacher foi o barbeiro do fim de semana em Xangai-04 (Divulgação)

Michael Schumacher provavelmente foi o melhor piloto da história. Mas mesmo os gênios cometem seus deslizes. Em Xangai-04, enquanto Rubens Barrichello venceu o páreo, o alemão, já heptacampeão mundial, se mostrou irreconhecível.

Ainda no sábado, rodou na primeira curva e abortou sua volta rápida, partindo de último no grid. Já no dia seguinte, cometeu uma profusão de erros: bateu no Jaguar de Christian Klien, na 11ª volta, e rodou sozinho na última curva, cinco giros depois. Na metade final do percurso, teve um furo no pneu traseiro esquerdo e precisou arrastar a Ferrari até os boxes.

Fim da ópera: 12º posto, a uma volta do “escudeiro” Rubens Barrichello – a pior colocação final do heptacampeão em seu período na Ferrari.

AYRTON SENNA – Espanha 1991

Talvez o piloto mais virtuoso da história da F1, Ayrton Senna, vez ou outra, protagonizava fanfarronices na pista. No GP da Espanha de 91, o brasileiro da McLaren optou por uma estratégia equivocada de pneus e, na 13ª volta, acabou rodando sozinho na entrada da reta dos boxes, quando ocupava a segunda posição (veja no vídeo acima).

Daí para frente, Senna não conseguiu recuperar o terreno perdido. Foi ultrapassado por Riccardo Patrese, da Williams, e Jean Alesi, numa limitada Ferrari, tendo que se contentar com a quinta colocação. O tricampeão ficou a mais de 1min do vencedor Nigel Mansell.

Com colaboração de Lucas Santochi

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Lucas Berredo

Natural de Belém do Pará, tem uma relação de longa data com o automobilismo, uma vez que, diz sua família, torcia por Ayrton Senna quando sequer sabia ler e escrever. Já adolescente, perdeu o pachequismo e passou a se interessar pelo estudo histórico do esporte a motor, desenvolvendo um estranho passatempo de compilar matérias e dados estatísticos. Jornalista desde os 18 anos, passou por Diário do Pará e Amazônia Jornal/O Liberal, cobrindo primariamente as áreas cultural e esportiva como repórter e subeditor. Aos 22, mudou-se para São Paulo, trabalhando finalmente com automobilismo no site Tazio, onde ficou de 2011 até o fim de 2013. Em paralelo ao jornalismo, teve uma rápida passagem pelo mercado editorial. Também é músico.