Quatro Rodas

Barrichello de volta aos fórmulas: falamos com o piloto sobre a S5000

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Rubens Barrichello irá encarar um novo desafio em sua longa carreira e participará como convidado especial em setembro da corrida inaugural da S5000, campeonato de monopostos de alto desempenho na Austrália.

Aos 47 anos, Barrichello volta a pilotar um carro de fórmula após sete anos. Sua última experiência com este tipo de modelo de competição foi em 2012, quando participou da temporada da Indy. Depois disso, o piloto passou a correr regularmente na Stock Car e andar ocasionalmente em outras provas, como as 24 Horas de Daytona, de Spa e de Le Mans.

A nova categoria australiana tem o objetivo de ser porto para jovens talentos que já acumulam quilometragem em campeonatos de base e também pilotos mais velhos com passagens por competições de turismo ou internacionais. A ideia é retomar a tradição da antiga F5000.

O carro se caracteriza principalmente por sua grande potência para seu tamanho. Resultado da escolha de um motor V8 Ford Coyote de 5 litros, o mesmo que utilizado no Mustang, que com preparação a preparação da empresa australiana InnoV8, chega a desenvolver 560 cavalos aos 8 mil RPM. O torque é de 63,5 kgfm.

“Recebi o convite. Eles sabiam que eu nunca parei de correr. Perguntaram se eu estava apto a um carro de 580 cavalos [sic]e aquela coisa toda. Eu falei que estava e que seria um prazer. Minha única dúvida é que o Dudu [Eduardo Barrichello, filho de Rubens que compete na americana USF2000] corre no mesmo dia em Laguna Seca. Eu fiquei meio assim, mas aí falei ‘Dudu, você segura a ponta aí que eu vou me divertir e voltar a um monoposto com tanta potência…”, disse Barrichello, em entrevista EXCLUSIVA ao Projeto Motor.

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O campeão de 2014 da Stock Car admitiu que sua participação no Festival de Goodwood deste ano, em que andou com a Brawn de 2009 (modelo com o qual conquistou suas últimas duas vitórias na F1), reascendeu a vontade de olhar para novos desafios deste tipo em sua carreira.

“A Brawn, quando eu guiei em Goodwood, foi algo que fez renascer uma situação. Eu tenho muito prazer de estar correndo ainda, de estar tão ativo e estar me sentir tão apto para a velocidade. Vou para a Austrália, que é um país que eu adoro, e vou correr de S5000!”, disse com entusiasmo.

O chassi da S5000 é projeto feito sob encomenda e produzido sob medida pela fabricante francesa Onroak-Ligier. Ele tem um monocoque em fibra de carbono e homologado pela FIA. Por isso, logo nesta primeira versão, ele já tem o halo, dispositivo de segurança obrigatório em categorias de monopostos da entidade e passou por testes de impacto dentro das exigências da federação regulamentadora.

Suas dimensões estão entre a de um F3 e a de carros como o da Indy e a F2, porém, com potência mais próxima das duas últimas. Outra preocupação dos organizadores foi manter a dependência aerodinâmica em um mínimo necessário para tentar promover corridas próximas entre os carros, sem tanta turbulência. A estreia acontece em um evento entre os dias 20 e 22 de setembro no circuito de Sandown, nas cercanias da cidade de Melbourne.

“Mais do que um F3 maior, eu diria que é um Indy reduzido. O peso, aquela coisa toda, pela potência, acho que a diversão vai ser mais por esse lado”, explicou Barrichello. “Vai ser primeiro um aprendizado. Segundo, acho que eles também estão contando com a minha experiência para fazer um desenvolvimento do carro. Eu vou fazer um teste na quarta-feira antes da corrida em Phillip Island para depois ir correr em Melbourne. Mas não é Albert Park. É na região, mas não na mesma pista da F1. E aí é diversão pura. Não sei qual é a condição que vou conseguir de resultado. Vou correr com uma molecada, né. Estou supercompetitivo, mas precisa ver como eu chego lá e consigo atuar”, continuou.

Barrichello não esconde que estas novas experiências no automobilismo o deixam empolgado para outros voos. Ao ser questionado pelo Projeto Motor sobre quais são os próximos passos, ele admite que gostaria de uma volta a Le Mans. Em sua única participação na tradicional prova de Sarthe, ele correu pela Nederland na classe LMP2, porém, sem condições de brigar por um bom resultado.

“Eu tenho vontade de voltar em formas competitivas em Daytona e Le Mans. Nos Estados Unidos, eu adoro aquele campeonato, mas Le Mans, para mim, eu acho que fiz de uma forma que não foi tão competitiva e gostaria de voltar de forma mais competitiva. E aí tem outros namoros. Não vale a pena falar, mas está acontecendo”, concluiu, deixando em aberto novas possibilidades.

Confira no vídeo que está no alto deste texto ou diretamente em nosso canal no Youtube, a entrevista completa com Rubens Barrichello e mais informações sobre a S5000.


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Lucas Santochi

Mais um fanático da gangue que criou vínculo com automobilismo desde a infância. Acampou diversas vezes nas calçadas ao redor de Interlagos para assistir aos GPs e nunca esqueceu a primeira vez que, ainda do lado de fora do autódromo, ouviu o barulho de F1 acelerando pela reta. Jornalista formado em 2004, passou por redações na época da TV Band e Abril, teve experiência na área de assessoria de comunicação esportiva até chegar ao site especializado em esporte a motor Tazio, em 2010. Passou pelas funções de redator, repórter (cobrindo diversas corridas no Brasil e exterior de F1, Indy, WEC, Stock Car, entre outras) e subeditor até o final de 2013, quando o veículo encerrou suas atividades. Trabalhou ainda como redator do UOL Esporte em 2014 até que decidiu se juntar com os outros três membros do Projeto Motor para investir na iniciativa.