Batidas, caos e surpresas: as 5 corridas mais malucas da F1 em Melbourne

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Presente no calendário da F1 há duas décadas, o circuito de Albert Park, em Melbourne, já se tornou local tradicional para a abertura das temporadas. E, por uma série de motivos, a pista já foi palco das mais diversas corridas malucas.

Por receber o GP inaugural de cada ano, a prova com certa frequência é marcada por surpresas, com reviravoltas nas relações de força do grid quando os novos carros largam para uma corrida pela primeira vez. Acrescente a isso o fato de pilotos e equipes estarem ainda se readaptando ao ritmo de competições, o que sempre propicia erros de todos os tipos.

A própria característica do traçado de 5,303 km também contribui para as incertezas do GP da Austrália. A pista, montada em um parque, é traiçoeira, rápida, com o agravante de ter muros muito próximos, o que a torna implacável com os erros. Por fim, não é raro ver chuvas fortes nos fins de semana da corrida, apimentando ainda mais toda essa mistura.

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Justamente por isso, o GP da Austrália em Melbourne já foi palco de diversas provas movimentadas e emocionantes. Assim, o Projeto Motor relembra a história das cinco provas mais caóticas que Melbourne já viu com seus próprios olhos. Será que a edição de 2016 surpreende e entra na lista?

1997 – O calvário de Villeneuve e o ressurgimento da McLaren

Coulthard 1997

Com a Williams em estado de graça, Jacques Villeneuve era o homem a ser batido no começo da temporada de 1997. O filho de Gilles Villeneuve conquistou a pole position em Melbourne com uma confortabilíssima margem de 1s7 (você não leu errado: um segundo e sete décimos) para o competidor mais próximo.

O que se esperava no domingo seria um passeio no parque do canadense, que começaria com tudo sua campanha rumo ao título mundial. Mas, como diria Garrincha, só faltou combinar com os russos – ou, no caso, com Eddie Irvine e Johnny Herbert.

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Villeneuve largou mal e já via seu companheiro de equipe, Heinz-Harald Frentzen, pulando na ponta. O canadense lutava para se manter em segundo, mas viu tudo ir para o espaço quando Irvine mergulhou por dentro, tocou na lateral do Williams #3 e “ensanduichou” o favorito com Herbert, que vinha por fora. Fim de prova para Villeneuve.

Com o favorito de fora do páreo, parecia que a vitória seria tranquila para Frentzen, estreante na Williams. Que nada: o alemão precisou fazer uma parada a mais que seus adversários e também abandonou, com um problema nos freios.

No fim, a sorte sorriu para David Coulthard, que fez um trabalho competente para se manter à frente de Michael Schumacher e conquistar a segunda vitória de sua carreira, naquele que era o primeiro triunfo da McLaren desde o GP da Austrália de 1993, com Ayrton Senna.

1999 – A sorte sorri e dá a Irvine sua primeira vitória

Eddie Irvine 1999 2

O domínio completo no treino classificatório indicava que a McLaren começaria o campeonato de 1999 da mesma forma que terminou o ano anterior: envergonhando a concorrência. Mas, independentemente do que todos tentavam, aquele 7 de março estava destinado a consagrar Eddie Irvine.

O norte-irlandês obteve o sexto lugar no grid, mas ganhou posições antes mesmo do apagar das luzes para a largada. Michael Schumacher, o terceiro, e Rubens Barrichello, o quarto, sofreram problemas com seus carros e tiveram de começar a prova do fundo do pelotão.

Irvine superou Heinz-Harald Frentzen na largada e andava em terceiro, mas assumiu a ponta com pouco mais de 20 voltas após falhas mecânicas em ambos os carros da McLaren. Assim, Irvine só precisou administrar a liderança para vencer pela primeira vez na F1 em sua 81ª largada.

2003 – Todos vacilam, Coulthard aproveita

Coulthard 2003

Para tentar frear o domínio da Ferrari e de Michael Schumacher, a F1 estreou em 2003 um novo sistema de treino classificatório. Os pilotos definiriam as posições do grid de largada com somente uma volta lançada, feita individualmente na pista.

O que causou dores de cabeça foi o fato de que estas voltas rápidas deveriam ser feitas já com o combustível utilizado na largada da corrida. Assim, as equipes ainda não sabiam àquela altura qual era a estratégia ideal: treinar mais leve, obter uma boa posição de largada e parar para reabastecer mais cedo, ou sacrificar o posto no grid e iniciar a corrida com o tanque mais cheio.

Schumacher, com tanque leve, disparava na frente e parecia com a vitória encaminhada. No entanto, com uma estratégia agressiva, o então pentacampeão danificou os defletores de seu carro ao passar sobre uma zebra e foi obrigado pela direção de prova a fazer um pitstop extra para remover os detritos.

A luta pela vitória, então, ficou limitada a Juan Pablo Montoya e os pilotos da McLaren. Mesmo tendo largado dos boxes, Raikkonen esteve em posição favorável para vencer, mas extrapolou o limite de velocidade em seu único pitstop e virou carta fora do baralho com a punição. Montoya ficou com a ponta e desperdiçou a chance ao rodar sozinho, a 11 voltas para o fim. Coulthard aproveitou e venceu pela 13ª e última vez na F1.

Schumacher cruzou em quarto lugar, o que fez com que a Ferrari ficasse de fora de um pódio pela primeira vez em 53 corridas, o que não acontecia desde a antepenúltima etapa de 1999.

2009 – Brawn GP choca o mundo e Hamilton é pego na mentira

Button 2009

No GP da Austrália de 2009, a F1 fazia a estreia de um novo (e revolucionário) regulamento aerodinâmico, além do retorno dos pneus slick. A grande dúvida, porém, era se a força apresentada pela Brawn GP na pré-temporada seria de fato vista na hora do “vamos ver”.

Para a surpresa de muitos, os carros brancos de Jenson Button e Rubens Barrichello dominaram as ações do fim de semana. O inglês marcou a pole position e venceu sem grandes contratempos, enquanto que o brasileiro precisou fazer prova de recuperação após uma largada desastrosa.

Barrichello só recuperou o segundo lugar graças a um acidente entre Robert Kubica e Sebastian Vettel a três voltas para o fim. O polonês da BMW vinha em ritmo alucinante e poderia até mesmo ameaçar Button pela vitória, mas se enroscou quando tentava superar o jovem prodígio da Red Bull.

Quem também chamou a atenção foi o campeão mundial reinante, Lewis Hamilton. A bordo de uma sofrível McLaren, o inglês largou em 18º (entre 20 carros) e foi escalando o pelotão para receber a bandeirada em quarto lugar. Hamilton chegou a herdar o pódio quando disse aos comissários de prova que havia sido superado pelo terceiro colocado, Jarno Trulli, sob o safety car, mas foi desmentido por suas conversas no rádio e desclassificado da prova como punição.

2013 – Raikkonen dá ‘nó tático’ e supera favoritos

2013 Australian Grand Prix - Sunday 

Campeã mundial em 2010, 2011 e 2012, a Red Bull iniciava 2013 como a grande candidata a dominar o GP da Austrália. Sebastian Vettel confirmou o favoritismo ao conquistar a pole position, em primeira fila completada por seu companheiro de equipe, Mark Webber.

Vettel comandou a prova no início e vinha forte na liderança, mas foi pego no contrapé quando percebeu que Kimi Raikkonen, que partiu de um discreto sétimo lugar na largada, faria uma parada a menos. Para piorar sua situação, o piloto da Red Bull também foi superado por Fernando Alonso em seu segundo pitstop, caindo para terceiro.

Graças à estratégia eficiente, Raikkonen venceu com folgados 12s de vantagem para Alonso e 22s à frente de Vettel. O resultado foi surpreendente: foi a última vitória da Lotus e do finlandês (até o momento) na F1, sendo que Vettel viria a triunfar por 13 vezes somente naquele ano. Mais uma vez ficava claro que a zebra adora passear nas curvas do Albert Park.

Qual foi a sua edição favorita do GP da Austrália? Deixe sua opinião nos comentários abaixo!

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Bruno Ferreira

Sempre gostou de automobilismo e assiste às corridas desde que era criança. A paixão atingiu outro patamar quando viu – e ouviu – um carro de F1 ao vivo pela primeira vez. Depois disso, o gosto pelas corridas acabou se transformando em profissão. Iniciou sua trajetória como jornalista especializado em automobilismo em 2010, no mesmo ano em que se formou, quando publicou seu primeiro texto no site Tazio. De lá para cá, cobriu GPs de F1 no Brasil e no exterior, incluindo duas decisões de título (2011 e 2012), além de provas de categorias como Indy, WEC, WTCC e Stock Car.