BT62: o primeiro passo da nova encarnação da Brabham

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Em 2014, David Brabham, filho mais novo do tricampeão de F1 Jack e vencedor das 24 Horas de Le Mans de 2009 pela Peugeot, lançou uma campanha de crowdfunding, a famosa vaquinha na internet, para levantar recursos para o seu projeto de ressuscitar a equipe fundada pelo pai nos anos 60.

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Nesta semana, a nova empresa, batizada de Brabham Automotive, apresentou ao mundo seu primeiro grande fruto: o BT62, um supercarro projetado para pistas de corrida. Com um motor aspirado de 8 cilindros com 5.8 litros, a fera gera cerca de 700 cavalos de potência. Infelizmente, não foram divulgados muitos detalhes sobre sua base.

O modelo é todo construído em fibra de carbono e partes em kevlar, com asa traseira, entradas de ar aerodinâmicas, aletas e bargeboard, em um pacote que tem capacidade de gerar 1.200 kg de pressão aerodinâmica.

As rodas são de aro 18, o volante é removível e os bancos em fibra de carbono seguem especificação da FIA com cinto de seis pontos. O piloto ainda terá acesso a um painel de 12 polegadas sensível ao toque para acessar e controlar informações de desempenho, além de uma segunda tela no console com outras funções do carro. Ou seja, uma verdadeira máquina de corrida extremamente detalhista que custará 1 milhão de euros (cerca de R$ 4,2 milhões), sendo que apenas 70 unidades serão construídas na fábrica localizada nas cercanias de Adelaide, na Austrália.

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Esse é só o primeiro passo que David está dando para reestabelecer a marca Brabham no setor esportivo, com seu legado de engenharia de primeira linha. O foco inicial é chegar na classe nas 24 Horas de Le Mans, provavelmente primeiro ainda na GTE com o BT62 e depois com na LMP1, para então, quem sabe, um retorno à F1.

“Eu coloquei como objetivo há 12 anos reestabelecer o icônico nome Brabham, determinado em vê-lo de voltar às competições de nível global. Meu pai tinha uma determinação incrível e, como ele, eu trabalhei muito neste tempo desenvolvendo minha experiência como piloto, líder e mentor, nunca perdendo de vista nosso alvo”, declarou o filho do tricampeão no lançamento do carro.

Para quem não lembra, Jack Brabham foi um revolucionário das pistas de corrida. Além de grande piloto, era um ótimo acertador e desenvolvedor de carros, graças ao seu talento mecânico, fruto dos tempos em que trabalhou na Força Aérea Australiana na juventude.

O novo Brabham BT 62 já passou por testes de pista no circuito de Phillip Island, na Austrália (Foto: Brabham/Divulgação)
O novo Brabham BT 62 já passou por testes de pista no circuito de Phillip Island, na Austrália (Foto: Brabham/Divulgação)

Ele foi um dos principais responsáveis por fazer funcionar, por exemplo, os motores traseiros da Cooper, onde ele conquistou seus dois primeiros títulos mundiais. A posição dos propulsores se tornou padrão nas principais categorias do mundo até hoje. O terceiro campeonato é o mais lembrado por boa parte do público por ser até hoje o único de um piloto com o carro de sua própria equipe na história, em 1966.

Em torno do time foi construída a Motor Racing Developments, que tinha como objetivo vender o know how de desenvolvimento tecnológico e fabricação de carros para outros times de diferentes competições além da F1, como a F2, F3, F5000 e esporte-protótipos, na parceria do piloto com o projetista e sócio Ron Tauranac, que veio a adquirir a empresa.

De qualquer forma, o BT62 é uma excitante novidade que serve como ponta pé inicial para o retorno do nome Brabham como desenvolvedora de tecnologia para o automobilismo. E o mais legal disso tudo é que essa nova fase acontece dentro da família que iniciou todo esse caminho e não na mão de pessoas que não possuem ligação mais íntima com a marca, como ocorreu no começo da última década com a Lotus.

 

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Lucas Santochi

Mais um fanático da gangue que criou vínculo com automobilismo desde a infância. Acampou diversas vezes nas calçadas ao redor de Interlagos para assistir aos GPs e nunca esqueceu a primeira vez que, ainda do lado de fora do autódromo, ouviu o barulho de F1 acelerando pela reta. Jornalista formado em 2004, passou por redações na época da TV Band e Abril, teve experiência na área de assessoria de comunicação esportiva até chegar ao site especializado em esporte a motor Tazio, em 2010. Passou pelas funções de redator, repórter (cobrindo diversas corridas no Brasil e exterior de F1, Indy, WEC, Stock Car, entre outras) e subeditor até o final de 2013, quando o veículo encerrou suas atividades. Trabalhou ainda como redator do UOL Esporte em 2014 até que decidiu se juntar com os outros três membros do Projeto Motor para investir na iniciativa.