Cancelamento do GP da França e os planos para 2020 da F1

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A manhã desta segunda-feira (27) teve movimentações importantes na F1. A primeira notícia foi o anúncio dos organizadores do GP da França do cancelamento do evento de 2020.

No comunicado, Eric Boullier, diretor da etapa, afirmou que os promotores locais já olham para 2021 e assim não consideram viável, diante das atuais restrições francesas a aglomerações e viagens por conta da pandemia do novo coronavírus, que se faça apenas um adiamento ainda para este ano.

Desta forma, a corrida de Paul Ricard se junta a Austrália e Mônaco, que também anunciaram que não irão remarcar suas etapas do Mundial este ano. Outras sete foram adiadas e ainda estão na expectativa de conseguirem novas datas ainda em 2020: Bahrein, China, Vietnã, Holanda, Espanha, Azerbaijão e Canadá.

F1 divulga planos iniciais para retomada

A própria F1 também anunciou seu projeto para a retomada das atividades e o início da temporada de 2020. Segundo o comunicado, assinado pelo CEO da categoria, Chase Carey, a pretensão é iniciar as atividades no final de semana de 03 a 05/07, na Áustria.

O planejamento dividiu o calendário por regiões no mundo para evitar maiores deslocamentos entre países longínquos. A previsão é que o Mundial faça provas em território europeu durante os meses de julho e agosto, Eurásia e Ásia em setembro/outubro, Ásia e Américas em outubro/novembro e, finalmente, Oriente Médio em dezembro. A expectativa é de ainda termos uma temporada com entre 15 e 18 corridas.

Circuito Red Bull Ring, na Áustria, deve abrir a temporada de 2020 da F1 (Foto: Pirelli)

A F1 já admite que as primeiras provas, com a confirmação inicial de Áustria e Inglaterra, acontecerão sem a presença de público nos autódromos. O calendário completo deverá ser publicado em breve, e ainda depende de acordos com governos locais e aprovação do Conselho Mundial da FIA.

Para fechar essa nova programação, no entanto, Carey explicou que a F1 ainda trabalha diretamente com promotores e autoridades para garantir uma operação que seja segura não só para as pessoas que viajam a trabalho com a categoria a cada etapa como também para os locais que recebem as corridas, já que existe o risco de o próprio campeonato leve novos infectados.  Entre funcionários das equipes, FIA, imprensa, marketing, organização do evento e produção da transmissão, são aproximadamente 4 mil pessoas que viajam a cada GP.

“A saúde e segurança de todos envolvidos continua ser a prioridade um e vamos em frente apenas se estivermos confiantes que temos procedimentos confiáveis para lidar com ambos os riscos e possíveis problemas”, destacou Carey na nota.

Ajuda às equipes

A F1 está realizando algumas ações para ajudar suas equipes durante este período sem corridas, que causa um impacto direto nas receitas. Parte das verbas vindas da categoria foram adiantadas para que os times não sofram problemas para pagar salários ou precisem demitir funcionários durante este período.

Em uma operação administrativa, a Liberty também realizou mudanças na árvore de empresas que compõe o Grupo F1 de uma maneira que abriu a possibilidade de a companhia principal que administra comercialmente o campeonato tenha acesso a uma liquidez de até U$ 1,5 bilhão nos próximos meses, caso seja necessário.

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Essas medidas têm como objetivo garantir a saúde financeira da competição e de seus participantes. Além disso, estão acontecendo conversas entre FIA, F1 e equipes sobre a redução do teto orçamentário, que está previsto para entrar em vigor em 2021 com um limite de gastos em U$ 175 milhões.

Segundo relatos na imprensa internacional, já existe certo consenso de baixar o valor para U$ 145 milhões, porém, equipes médias e pequenas ainda brigam para diminuir ainda mais o teto enquanto as grandes, principalmente Ferrari e Red Bull, não concordam.


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Lucas Santochi

Mais um fanático da gangue que criou vínculo com automobilismo desde a infância. Acampou diversas vezes nas calçadas ao redor de Interlagos para assistir aos GPs e nunca esqueceu a primeira vez que, ainda do lado de fora do autódromo, ouviu o barulho de F1 acelerando pela reta. Jornalista formado em 2004, passou por redações na época da TV Band e Abril, teve experiência na área de assessoria de comunicação esportiva até chegar ao site especializado em esporte a motor Tazio, em 2010. Passou pelas funções de redator, repórter (cobrindo diversas corridas no Brasil e exterior de F1, Indy, WEC, Stock Car, entre outras) e subeditor até o final de 2013, quando o veículo encerrou suas atividades. Trabalhou ainda como redator do UOL Esporte em 2014 até que decidiu se juntar com os outros três membros do Projeto Motor para investir na iniciativa.