Castro Neves deixa Indy com conquistas que amenizam ausência do título

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O ano de 2017 foi o último de Hélio Castro Neves como piloto da Indy em tempo integral. Foram 20 temporadas na categoria, que ele agora deixa para trás para seguir com a Penske para a IMSA, certame de provas de endurance.

Neste tempo, o paulista conseguiu, sem dúvida nenhuma, entrar no panteão das grandes carreiras internacionais de brasileiros no automobilismo. Não está no topo, mas pode se vangloriar de sucessos que são para poucos. Seus números são proporcionais a este tempo em que se manteve em destaque na categoria americana.

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Com 30 triunfos, ele é o maior vencedor da história da equipe Penske na Indy, 12º no total, terceiro da história da categoria em pole positions, com 50, sexto em pódios, 93, e, com 344 largadas, terceiro em participações. Isso tudo somando as estatísticas da IndyCar/IRL e ChampCar/Cart.

De todas as estatísticas, as três vitórias nas 500 Milhas de Indianápolis são com certeza as que têm mais peso em sua carreira. Ele está a apenas um triunfo do recorde. Sim, “está” e não “ficou”, pois mesmo na IMSA a Penske promete lhe dar a chance de seguir correndo na prova mais importante da Indy, talvez do mundo.

Castro Neves: 30 vitórias na Indy, todas pela Penske (Foto: Divulgação)
Castro Neves: 30 vitórias na Indy, todas pela Penske (Foto: Divulgação)

Algo de especial acontece com Castro Neves quando ele pisa em Brickyard. Ele venceu em suas duas primeiras participações por lá, em 2001 e 2002. A terceira conquista, em 2009, veio semanas depois de um dos piores momentos da sua vida, quando escapou de um sério processo judicial nos Estados Unidos. Nada mais marcante do que isso.

Mesmo quando não venceu, sua passagem pelo quadrioval é recheada de grandes atuações. Inclusive no segundo lugar da edição de 2017, quando claramente a Penske não tinha um bom acerto para seus carros e o motor Chevrolet não acompanhava os Honda, e ele conseguiu acompanhar o vencedor, Takuma Sato, até o final.

Se alguém tem alguma dúvida do tamanho do nome de Helinho nos Estados Unidos é só ler as palavras do próprio Roger Penske, dono time, no anúncio da troca de categorias. “Competidores como Hélio, Rick Mears e Mark Donohue são o que fizeram a equipe Penske o que é hoje.” Quem conhece um pouco de corrida de carro entende o que significa ter o nome do brasileiro ao lado desses outros dois ídolos do esporte a motor americano.

Além disso, é impossível tirar da equação de sucesso o carisma dele. O cara participou (e ganhou!) concurso de dança na televisão. E soube construir uma imagem, especialmente nos Estados Unidos, bastante positiva, mesmo com seu problema na Justiça.

Chamou a atenção do Comitê do Projeto Motor a repercussão entre fãs americanos de uma entrevista que fizemos com ele em 2015. Recebemos várias mensagens na linha “não entendo o que você está falando [a entrevista foi em português, claro], mas admiro muito você”. Já tive a oportunidade de entrevistar o piloto diversas vezes e ele sempre mostrou uma paciência enorme para responder todo tipo de pergunta, pedido de explicação e análise.

Isso tudo criou uma empatia muito grande do público, que sempre esteve atento aos passos do Helinho.

Castro Neves passa por corredor de fãs (Foto: Divulgação)
Castro Neves passa por corredor de fãs (Foto: Divulgação)

Afinal, falta do título pesa contra?

A grande discussão em torno da carreira de Castro Neves na Indy fica pela falta de um título na. Os críticos vão dizer que é inaceitável ele não ter conquistado o campeonato pelo menos uma vez, os defensores, que seus outros números e sucessos amenizam a questão.

Não sejamos hipócritas. A carreira do paulista na categoria americana tem um enorme peso sim e ela não precisa ser desvalorizada por isso. Ao mesmo tempo, o título faz falta sim, e talvez seja a maior demonstração de um dos defeitos dele como piloto. Castro Neves nunca foi consistente o bastante para ser campeão e viveu de altos e baixos.

É difícil entender como um piloto que andou por 18 anos em uma das melhores equipes da Indy, provavelmente a mais estruturada da categoria durante todo este tempo, não venceu um campeonato. Mais do que isso, durante este tempo ele teve cinco companheiros de equipe que levaram a taça: Gil de Ferran (2000 e 2001), Sam Hornish Jr. (2006), Will Power (2014), Simon Pagenaud (2016) e Josef Newgarden (2017).

Isso aconteceu porque Castro Neves falhou em alguns momentos decisivos em que precisava mostrar aquela marca de campeão. Nestes anos todos, ele terminou por 13 vezes entre os quatro primeiros do campeonato. Ou seja, carro ele tinha, faltou mesmo o “a mais”.

Novo capítulo

Este novo momento da carreira de Castro Neves também não é uma tragédia. A Indy já não é mais aquela categoria de antes e a IMSA está em plena evolução, atraindo cada vez mais montadoras e patrocinadores. O protótipo DPi está fazendo sucesso, até mesmo chamando a atenção dos europeus, com seu o regulamento LMP1 que tem sua morte mais que anunciada para os próximos anos.

Castro Neves ao lado de sua nova ferramenta de trabalho: protótipo da Penske (Foto: Divulgação)
Castro Neves ao lado de sua nova ferramenta de trabalho: protótipo da Penske (Foto: Divulgação)

Ele irá competir em um time Penske, sempre forte, com apoio da Honda, no novo protótipo Acura. Nada mal! Existirá um período óbvio de desenvolvimento, mas a chance de se tornar competitivo já na próxima temporada é grande.

Por isso tudo, aos 42 anos, Castro Neves tem uma bela oportunidade nas mãos. Está partindo para um novo momento, com grandes chances de continuar se destacando, envolvimento em um projeto importante e ainda com chances de voltar a Indianápolis para buscar aquele recorde. Bola para frente.

 

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Lucas Santochi

Mais um fanático da gangue que criou vínculo com automobilismo desde a infância. Acampou diversas vezes nas calçadas ao redor de Interlagos para assistir aos GPs e nunca esqueceu a primeira vez que, ainda do lado de fora do autódromo, ouviu o barulho de F1 acelerando pela reta. Jornalista formado em 2004, passou por redações na época da TV Band e Abril, teve experiência na área de assessoria de comunicação esportiva até chegar ao site especializado em esporte a motor Tazio, em 2010. Passou pelas funções de redator, repórter (cobrindo diversas corridas no Brasil e exterior de F1, Indy, WEC, Stock Car, entre outras) e subeditor até o final de 2013, quando o veículo encerrou suas atividades. Trabalhou ainda como redator do UOL Esporte em 2014 até que decidiu se juntar com os outros três membros do Projeto Motor para investir na iniciativa.

  • Carlos Alberto Junior

    Hélio é um cara admirável, verdade que faltou um titulo da Indy, mas suas estatísticas são ótimas, a sua relação com o fã é ótima. Faltou chegada no fim das temporadas, mas com certeza não faltou habilidades e dedicação, da para ver que o cara ama a o que faz, ama a categoria, os fãs etc. Show de piloto e humildade. Vai ter novas motivações agora no mundo do automobilismo, vai estar com caras que são muito bons também, e quem sabe não vem boas novas, nessa nova etapa de sua vida. Sucesso Hélio! Gratidão equipe projeto motor Abç.

  • Mavscelo

    O cara escreveu Castroneves separado kkkkkkkkk

    • Leonardo Felix

      O nome dele é Hélio Castro Neves separado. A junção é apenas uma forma de facilitar a pronúncia em inglês (provavelmente porque ele não queria ser conhecido apenas como “Hélio Neves”).

      • Mavscelo

        Puxa vida, ia morrer sem saber disso. Obrigado pela informação!

        • Continue acompanhando e lendo o Projeto Motor, que vamos continuar nos esforçando para você aprender e conhecer muita coisa nova antes de morrer. Abraço!

      • Leandro Farias

        Não é só isso, Leonardo. Também foi pra evitar uma associação ao Fidel Castro por causa do primeiro sobrenome. E não foi caso único: pra não ficar com a imagem associada ao Che Guevara, Ernesto Viso mudou seu nome pra E.J.Viso.

  • ituano_voador

    Apesar dos altos e baixos (ou talvez por isso mesmo), ele foi 4 vezes vice-campeão da Indy. A impressão que dá é que de uns anos para cá ele perdeu um pouco o entusiasmo pelo título, tendo focado mais nas 500 Milhas. No fim, acho que Helinho, Gil de Ferran e Tony Kanaan foram a nossa geração perdida em relação à F1, sempre tive a sensação de que esse trio tinha talento de sobra para se dar bem na F1.