Cinco documentários que todo fã de automobilismo deve assistir

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Existem alguns poucos filmes com temática de automobilismo que realmente agradam ao público fã de corridas, como o primoroso Grand Prix (1966), ou o mais recente Rush (2013). Contudo, quando corridas e cinema se misturam, também vêm a mente algumas “bombas”, como o risível Alta Velocidade (2001), de Sylvester Stallone, ou a versão cinematográfica de Speed Racer (2008).

No ramo de documentários, em contrapartida, o cenário é muito mais farto. Justamente pelo fato de automobilismo ser um terreno fértil para grandes histórias, existem várias obras que são absolutamente imprescindíveis para quem é verdadeiramente entusiasta de corridas, não só pela narrativa em si, mas também pelas belas (e algumas vezes raras) imagens.

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Alguns documentários relativamente recentes trouxeram os holofotes para o gênero, como aconteceu com Senna (2010). Este acaba sendo hors-concours, já que foi assistido por uma grande massa, seja ela fã ou não de corridas. Outro, embora menos badalado, é Gonchi (2015), que conta a trajetória do piloto uruguaio Gonzalo Rodriguez, morto em um acidente na CART em 1999, que recentemente passou a integrar o catálogo brasileiro do Netflix.

Assim, o Projeto Motor lista cinco documentários que todo fã de automobilismo em geral não pode deixar de assistir. Existem menções honrosas: TT3D: Closer To The Edge (2011), sobre a tradicional corrida de motos na Ilha de Man; Fastest (2011), uma espécie de introdução ao mundial de MotoGP; Truth in 24 (2008), que mostra a tentativa da Audi em vencer novamente as 24 Horas de Le Mans. É claro que ainda existem outras excelentes opções que acabaram ficando de fora, mas o cinco escolhidos abaixo valem um destaque especial. Confira!

JACKIE STEWART: WEEKEND OF A CHAMPION (1972)

Começamos nossa lista com uma obra de característica única. O nome, que se traduz como “fim de semana de um campeão”, resume bem do que se trata o documentário. O diretor Roman Polanski (que conduziu clássicos como Bebê de Rosemary e, posteriormente, Chinatown) acompanhou de perto a rotina de Jackie Stewart durante os quatro dias de evento do GP de Mônaco de 1971.

E “acompanhar de perto”, neste caso, não é mera expressão. O filme segue de forma íntima o piloto durante a corrida, em um nível de detalhes pouco visto para a F1 daquela época. Isso inclui conversas ao café da manhã, reuniões técnicas, as dicas dadas ao seu companheiro de equipe François Cévert, comentários sobre o estilo de pilotagem de seus concorrentes, ou até mesmo as festas que fazem parte da agenda de um piloto durante a corrida em Monte Carlo.

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É justamente esse o grande charme de Weekend of a Champion, já que o filme faz com que o espectador “volte no tempo” e mergulhe de cabeça na F1 do início dos anos 70. Além disso, o relançamento do filme, de 2013, conta com uma entrevista de Stewart a Polanski nos tempos atuais, onde eles comentam o conteúdo do documentário quase que 40 anos depois.

Porém, ao contrário de Senna, este documentário pode não agradar quem não é muito chegado a automobilismo, já que possui ritmo um pouco mais lento e se prende mais a detalhes técnicos das corridas. Mas quem gosta com certeza se esbalda.

JIM CLARK: THE QUIET CHAMPION (2009)

Nosso segundo filme também aborda um escocês campeão mundial, embora de uma perspectiva diferente. Produzido pela emissora inglesa BBC, The Quiet Champion mostra o que havia por trás da acanhada figura de Jim Clark, considerado um dos maiores pilotos da história do automobilismo.

E o documentário realmente vai fundo no passado do primeiro “Escocês Voador” da F1, com fotos de sua infância, depoimentos de familiares e amigos próximos, além de entrevistas raras dadas pelo piloto ao longo de sua trajetória.

Mas o filme também dá bastante importância à carreira de Clark nas pistas, desde seu início, a chegada à F1, e as conquistas dos títulos mundiais e das 500 Milhas de Indianápolis. Os momentos controversos também não ficam de fora, incluindo o ponto de vista do piloto sobre o acidente que causou na morte de Wolfgang von Trips e de 14 torcedores presentes em Monza, 1961.

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Um destaque também é dado ao acidente fatal de Clark, em Hockenheim, 1968, que gerou comoção na época equivalente à morte de Ayrton Senna ,em 1994. The Quiet Champion ajuda a entender todas as nuances que fizeram de Clark, apesar de discreto, um dos grandes que o mundo das corridas já viu.

GRAND PRIX: THE KILLER YEARS (2011)

Este outro belíssimo documentário produzido pela BBC expõe como a F1 lidou com a mudança de percepção sobre o perigo em sua era inicial, especialmente entre as décadas de 60 e 70. Na época, o índice de fatalidade entre os pilotos era assustador, devidamente simbolizado pelas mortes de Alan Stacey/Chris Bristow (história já contada por aqui), Wolfgang von Trips, Jim Clark e Jochen Rindt.

Com depoimentos de figuras como Emerson Fittipaldi, Jackie Stewart, John Surtees e Jacky Ickx, o documentário relata como os próprios pilotos lidavam com o medo para continuar desafiando o limite em circuitos que não acompanhavam a evolução dos carros. Stewart, aliás, ganha destaque em parte do filme com sua cruzada para a melhoria na segurança da F1, motivado pela morte de Clark e de um acidente grave que ele próprio sofreu na Bélgica.

Grand Prix: The Killer Years relata com precisão a evolução da categoria neste quesito, com depoimentos ricos e detalhados. A seleção de imagens também é brilhante, inclusive com cenas dramáticas da morte de Lorenzo Bandini (Mônaco-1967) e Roger Williamson (Holanda-1973).

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THE SPEED MERCHANTS (1972)

Dirigido por Michael Keyser e narrado pelos pilotos Mario Andretti e Vic Elford, do documentário conta com detalhes a história do Campeonato Mundial de Marcas de 1972.

Esta é mais uma obra que se destaca não só pelas imagens dos carros na pista (que são bastante numerosas), mas também pelos detalhes de bastidores que são exibidos. The Speed Merchants mostra basicamente como era a rotina dos principais pilotos da categoria, tanto durante as corridas e no trabalho de suas equipes nas fábricas, quanto nos períodos de descanso com suas famílias, em casa.

O documentário conta com as participações de pilotos como Ronnie Peterson, Jacky Ickx e Helmut Marko, ex-competidor e que hoje exerce a função de consultor da Red Bull no automobilismo.

A ERA DOS CAMPEÕES (2011)

O último item da lista, mas não menos importante, já se tornou um dos grandes clássicos entre os fãs brasileiros de automobilismo na década passada, mas ganhou uma reedição em 2011. A Era dos Campeões tenta responder uma pergunta bastante simples: por que o Brasil conseguiu formar três campeões mundiais em um período tão curto de tempo?

Para isso, os diretores César Mello Franco e Marcos Bernstein investigaram a fundo e ouviram vários pilotos e jornalistas envolvidos com automobilismo entre as décadas de 70 e 90. Assim, o filme praticamente reconta a trajetória dos principais competidores brasileiros que tiveram participação no período que transformou a nação em verdadeira potência das corridas.

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A narrativa do filme é deixada totalmente nas mãos dos entrevistados, o que acaba deixando o documentário um pouco cansativo. Porém, as histórias são bastante ricas, o que acaba prendendo o espectador mesmo assim. Os destaques ficam com um Nelson Piquet inspirado, que comenta de maneira bastante espontânea sua infância em Brasília, a rivalidade com Ayrton Senna e as narrações de Galvão Bueno, além do depoimento emocionado de Emerson Fittipaldi quando relembra das tragédias que vivenciou nas pistas.

E você? Qual documentário que assistiu que recomendaria? Deixe sua dica no espaço de comentários abaixo!

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Bruno Ferreira

Sempre gostou de automobilismo e assiste às corridas desde que era criança. A paixão atingiu outro patamar quando viu – e ouviu – um carro de F1 ao vivo pela primeira vez. Depois disso, o gosto pelas corridas acabou se transformando em profissão. Iniciou sua trajetória como jornalista especializado em automobilismo em 2010, no mesmo ano em que se formou, quando publicou seu primeiro texto no site Tazio. De lá para cá, cobriu GPs de F1 no Brasil e no exterior, incluindo duas decisões de título (2011 e 2012), além de provas de categorias como Indy, WEC, WTCC e Stock Car.