Cinco duplas da Williams que estiveram abaixo de seu potencial na F1

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A Williams é conhecida historicamente por gostar de manter o foco de seu investimento mais na área de engenharia do que na contratação de pilotos estrelas. Claro que a equipe já teve em seus carros diversos grandes nomes da história do automobilismo, mas também já teve duplas que se não eram ruins, também não eram o que se imaginava para um time tão tradicional da F1.

Motivado pela confirmação do par Lance Stroll e Sergey Sirotkin para 2018, o Comitê Editorial do Projeto Motor resolveu relembrar cinco desses momentos da história da Williams em que as escolhas de pilotos do time não foram condizentes com expectativa de seus fãs.

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Importante destacar que para elaboração desta lista, foi tomado como critério o momento da Williams, que em sua história na F1 passou por diversos altos e baixos, como qualquer outra escuderia. Obviamente que isso influencia nas escolhas possíveis por maior ou menor atração de grandes nomes.

Além disso, foram consideradas apenas as duplas regulares da Williams, e não as que correram em uma corrida ou outra por algum motivo qualquer. Por exemplo, no GP da Itália de 1988, os pilotos do time foram Ricardo Patrese e Jean-Louis Schlesser, algo longe do que a então campeã mundial poderia ter. Porém, Nigel Mansell era o titular normal e apenas não correu por estar com catapora e seu substituto direto, Martin Brundle, estar participando de uma prova do Mundial de Marcas pela Jaguar.

Thierry Boutsen e Riccardo Patrese (1989 e 90)

Thierry Boutsen e Ricardo Patrese formaram a dupla da Williams em 1989 e 90
Thierry Boutsen e Ricardo Patrese formaram a dupla da Williams em 1989 e 90

Depois de uma temporada difícil com o motor Judd, a Williams voltaria a crescer ao ter em seus carros o novo V10 da Renault. O time, no entanto, perdeu sua principal estrela, Nigel Mansell, que partiu para a Ferrari. Para seu lugar, nenhuma grande contratação: Thierry Boutsen, que vinha de uma boa temporada com a Benetton e era até um piloto em ascensão, mas longe de ter o peso do britânico. Ao seu lado, foi mantido Ricardo Patrese, que também passava longe do perfil de líder que o time precisava.

A dupla seguiu junta por duas temporadas e conseguiu resultados muito bons, como o vice-campeonato de construtores de 1989 e três vitórias de Boutsen. Apesar dos triunfos, o belga nunca conseguiu manter uma boa regularidade.

Não era uma dupla ruim, mas não tinha carisma e nem um líder para puxar a Williams para brigar de forma mais regular por vitórias.

Damon Hill e David Coulthard (1995)

Apresentação da equipe Williams para 1995 com Damon Hill e David Coulthard
Apresentação da equipe Williams para 1995 com Damon Hill e David Coulthard

Com a morte de sua grande estrela, Ayrton Senna, em 1994, era esperado que a Williams tentasse repor o nome do brasileiro a altura e buscar algum grande líder para encarar a ascensão de Michael Schumacher e a Benetton.

Em um primeiro momento, a escolha foi pelo novato David Coulthard, deixando a cargo de Damon Hill, que vinha sendo o piloto número dois desde o começo de 1993, para ser o piloto a brigar pelo título. Ainda durante 1994, o time resolveu repatriar Nigel Mansell, que estava na Indy, para algumas corridas no lugar do escocês, na tentativa de ajudar Hill.

O campeonato até quase veio, sendo perdido na etapa final. Só que para 1995, em vez de aproveitar a mudança de temporada para buscar um novo nome para liderar a equipe, a Williams resolveu apostar com mais firmeza em Hill e Coulthard como titulares regulares.

Para uma equipe que vinha de uma sequência de Mansell, Prost e Senna, com dois dos três últimos títulos, não era exatamente o que os fãs esperavam. E mesmo com um bom carro, a dupla foi totalmente dominada por Schumacher e a Benetton, que conquistaram os títulos de pilotos e construtores. Para 96, a Williams resolveu apostar mais alto, trazendo para o lugar de Coulthard o campeão da Indy, Jacques Villeneuve.

Mark Webber e Nick Heidfeld (2005)

Mark Webber e Nick Heidfeld conversam com Frank Williams
Mark Webber e Nick Heidfeld conversam com Frank Williams

Depois de contar por alguns anos com os explosivos Ralf Schumacher e Juan Pablo Montoya, a Williams resolveu mudar radicalmente seus pilotos apostando em dois nomes de equipes médias. Webber e Heidfeld eram pilotos que já estavam na F1 com alguns bons resultados, porém, nenhuma grande atuação que os fizesse serem considerados grandes estrelas do futuro.

O time, no entanto, acreditava que mesmo com dois pilotos que não atraíam muita atenção, poderia ganhar com a soma de uma dupla regular e o foco na engenharia, aproveitando o bom motor BMW.  A estratégia não deu muito certo, com a Williams ficando apenas na quinta posição no campeonato de construtores. Para a temporada seguinte, a estratégia foi mudada, com a aposta no então campeão da GP2, Nico Rosberg.

Bruno Senna e Pastor Maldonado (2012)

Bruno Senna e Pastor Maldonados foram os pilotos da Williams em 2012
Bruno Senna e Pastor Maldonados foram os pilotos da Williams em 2012

A Williams passava por uma momento delicado financeiramente e precisava de pilotos que pudessem trazer um retorno dentro da pista, mas que também chegassem com patrocinadores fortes que pudessem injetar algum dinheiro. Sendo assim, a aposta foi em uma dupla sul-americana que não tinha grandes resultados no currículo, mas com aportes em dólares.

Pastor Maldonado já estava na equipe e não tinha um bom nome na F1, rapidamente se tornando sinônimo de piloto perigoso, apesar de algumas boas apresentações, principalmente nas classificações, mas que principalmente contava com o apoio estatal da Venezuela. Já Bruno Senna estava desde 2010 tentando se estabilizar na categoria, principalmente graças ao apoio de empresas que apostavam no retorno de marketing de seu sobrenome, e acabou se tornando a opção para o lugar do experiente Rubens Barrichello, que já vinha com dificuldades de se manter em alto nível e não levava dinheiro.

A dupla passava longe de inspirar confiança nos fãs. E apesar da surpreendente vitória de Maldonado na Espanha, acabou ficando apenas em uma oitava posição no campeonato, em uma temporada em que a equipe parecia ter carro para muito mais.

Felipe Massa e Lance Stroll (2017)

Felipe Massa e Lance Stroll foram os pilotos da Williams em 2017
Felipe Massa e Lance Stroll foram os pilotos da Williams em 2017

Ao contrário de que aconteceu por muitos anos, a Williams vinha em anos anteriores com uma dupla bastante interessante com Valtteri Bottas e Felipe Massa. Com a necessidade de ter uma injeção de dinheiro, a aposta para 2017 foi no campeão da F3 Europeia, Lance Stroll, um novato rápido, porém, já conhecido por causar muitos acidentes, no lugar no experiente brasileiro, que iria se aposentar.

Só que antes do início da temporada, o time perdeu Bottas para a Mercedes e se viu em uma situação em que tinha apenas um piloto que nunca tinha realizado uma corrida na F1 em um ano de grande mudança no regulamento técnico. Sem grandes opções de mercado, já que todas as outras equipes já tinham fechado suas duplas, a decisão foi de chamar Massa de volta da aposentadoria.

Assim, a Williams ficou com um desaposentado Massa e um novato Stroll, de quem não se sabia muito bem o que esperar. Para um time que tem o melhor motor da categoria e vinha pregando a vontade de voltar a brigar por pódios e vitórias, uma dupla longe do que parecia ser necessário para cumprir os objetivos.

Apesar de um pódio do canadense, o par não conseguiu grandes resultados e suou para terminar na quinta posição do campeonato de construtores.

 

Willams escolhe Sirotkin. E agora? | Plantão Motor

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Lucas Santochi

Mais um fanático da gangue que criou vínculo com automobilismo desde a infância. Acampou diversas vezes nas calçadas ao redor de Interlagos para assistir aos GPs e nunca esqueceu a primeira vez que, ainda do lado de fora do autódromo, ouviu o barulho de F1 acelerando pela reta. Jornalista formado em 2004, passou por redações na época da TV Band e Abril, teve experiência na área de assessoria de comunicação esportiva até chegar ao site especializado em esporte a motor Tazio, em 2010. Passou pelas funções de redator, repórter (cobrindo diversas corridas no Brasil e exterior de F1, Indy, WEC, Stock Car, entre outras) e subeditor até o final de 2013, quando o veículo encerrou suas atividades. Trabalhou ainda como redator do UOL Esporte em 2014 até que decidiu se juntar com os outros três membros do Projeto Motor para investir na iniciativa.