Cinco ensinamentos que a F1 nos deixa em 2019

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Com o final da temporada de 2019 da F1, entramos em um período de reflexões e análises sobre o campeonato. Ainda mais em uma virada de época em que o regulamento pouco muda e que muito do que foi visto na reta final da disputa, servirá de base para o começo da próxima competição.

A F1 acabou marcada por um campeonato dividido de forma gritante em duas fases neste ano. Na primeira, durante as oito primeiras corridas, um incrível domínio da Mercedes, que venceu todas estas etapas, sendo seis com Lewis Hamilton e duas com Valtteri Bottas. A qualidade das provas incomodou a muitos, com pouca movimentação.

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Já a segunda, teve uma cara completamente diferente. Corridas bem agitadas e pouco previsíveis, mudanças a cada tipo de traçado nas forças do grid, e cinco vencedores diferentes de três equipes. Algo mais próximo das melhores temporadas que a F1 teve nos últimos anos.

De olho em tudo isso, separamos alguns tópicos sobre ensinamentos que a F1 nos deixa para olharmos para o futuro.

Por que a Mercedes e Hamilton dominaram a F1?

Mesmo com as corridas mais movimentadas, mais uma vez vimos a Mercedes e Hamilton definirem os títulos de forma bastante antecipada. E se uma característica da equipe alemã ficou em evidência novamente foi a eficiência.

Hamilton celebra com sua Mercedes
Hamilton sobre sua Mercedes, marca que lhe deu as principais alegrias na F1 (Foto: Steve Etherington/Mercedes)

A Mercedes aproveitou um primeiro momento de guarda baixa dos principais adversários nas etapas iniciais para praticamente matar a disputa principal na classificação geral. Enquanto a Ferrari ainda tentava se entender com um conceito questionável de carro extremamente rápido de retas e com dificuldades na administração do desgaste dos pneus e o pacote Red Bull e Honda ainda se ajeitava, os alemães passaram o carro por cima.

Com um modelo que nem sempre era o mais rápido em velocidade pura, mas com ótimo aproveitamento dos pneus e imbatível nas curvas de baixa e média, a Mercedes estava pronto desde a corrida um, em Melbourne. E contanto com um piloto do calibre de Hamilton, ficou fácil.

Fracasso da Ferrari depois de uma forte pré-temporada

A Ferrari não entregou o que prometeu. A equipe italiana entrou na pré-temporada dominando a tabela de tempos e parecia que seria o time a ser batido em 2019. Não foi. Nem de perto.

A equipe terá que rever conceitos para 2020 se quiser brigar por títulos na F1. O carro é imbatível em poucas pistas e pouco ou nada eficiente na maioria. Em diversos traçados, não se mostrou ao nível nem da Red Bull, que veio crescendo durante o ano.

Além disso, erros nas estratégias, problemas em pit stops e de confiabilidade voltaram a ser assunto nos corredores de Maranello.

Para completar, a escuderia ainda mostrou diversos problemas na administração de seus pilotos. A guerra entre Charles Leclerc e Sebastian Vettel só escalou durante o ano, culminando no acidente do GP do Brasil. E em diversos momentos, a Ferrari pareceu não conseguir tirar o melhor resultado que poderia com sua dupla, por ficar muito preocupada com táticas entre eles, o que também foi minando a confiança dentro do time.

Red Bull e Honda deram algum indício de progresso para o futuro?

Sim. A desconfiança sobre como seria o desempenho da Red Bull com os motores da Honda era enorme no começo do ano. E o desempenho foi crescendo aos poucos, assim como os resultados. Terminar a temporada com três vitórias provavelmente é mais do que todos esperavam em março.

Claro que ainda falta um pouco para a consistência necessária para brigar por títulos. Além disso, os bons resultados e atuações ficaram bastante a cargo de Max Verstappen. O holandês ainda bateu os dois pilotos da Ferrari na classificação geral de pilotos, o que deixa claro seu ótimo momento.

Por outro lado, o segundo carro da Red Bull não foi tão bem. Pierre Gasly não se mostrou à altura do desafio no início e Alex Albon até andou melhor, mas ainda longe do necessário para ajudar a equipe. O resultado foi o terceiro lugar de construtores longe da Ferrari.

De qualquer forma, a base para um novo crescimento em 2020 parece sólida.

No pelotão intermediário: quem sai por cima e por baixo?

A chamada zona da pasmaceira da F1 no pelotão intermediário mais uma vez ficou bastante equilibrada com mudanças a cada etapa. A McLaren, no entanto, foi a equipe mais constante de longe, o que a levou ao quarto lugar entre os construtores com alguma vantagem.

Entre os pilotos, Carlos Sainz termina 2019 por cima. O espanhol fechou o ano na sexta posição entre os pilotos e com atuações bastante sólidas, mostrando que pode sim liderar a equipe inglesa neste seu novo momento.

Por outro lado, três projetos decepcionaram bastante. A Haas, que vinha em ascendência desde sua estreia na F1, teve um ano complicado tanto dentro da pista, com um carro ruim, quanto fora, com um contrato de patrocínio que só deu dor de cabeça. Os pilotos também não ajudaram se envolvendo em acidentes e toques e o penúltimo lugar no campeonato resume bem a temporada.

Carlos Sainz e Lando Norris, companheiros na McLaren
Carlos Sainz e Lando Norris: brincadeiras nas redes sociais e muita camaradagem fora da pista. Até quando? (Foto: McLaren)

A Renault mais uma vez não mostrou a que veio. Com a chegada de Daniel Ricciardo, a expectativa era de um salto de desempenho para se consolidar como a quarta força da F1, mas o time francês passou longe disso. Conquistou um suado quinto lugar, apenas seis pontos à frente da Toro Rosso, o time B da Red Bull, e ficando várias vezes fora do Q3 nas classificações. Uma revisão total do projeto terá que ser feita.

E para terminar, se já vinha mal, a Williams conseguiu piorar ainda mais. Atrasou-se na pré-temporada e andou o ano inteiro nas últimas duas posições. O único ponto conquistado, no GP do Alemanha, foi mais um golpe de sorte graças a punições e abandonos de adversários do que competência. Difícil saber o que será da tradicional equipe de Grove.

Quem precisa provar algo em 2020?

Sebastian Vettel é hoje um dos pilotos mais questionados do grid. O tetracampeão entra em 2020 precisando mostrar que ainda tem condições de liderar uma equipe do porte da Ferrari a vitórias e conquistas.

Não são apenas os erros, mas a falta de desempenho durante o ano e até mesmo a derrota frente um quase novato, Charles Leclerc, não pegou bem para o alemão. A próxima temporada pode ser decisiva para o restante da carreira do alemão na F1.

Para conferir nossa análise com mais detalhes, assista ao vídeo que está no alto deste texto ou diretamente no nosso canal no Youtube.


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