Cinco fatores que podem fazer Alonso penar nas 500 Milhas de Indianápolis

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Foi a notícia mais surpreendente do automobilismo dos últimos anos. Fernando Alonso, bicampeão mundial de F1 e até hoje considerado um dos melhores pilotos da categoria, deixará de participar do GP de Mônaco para se aventurar nas 500 Milhas de Indianápolis.

Trata-se de um fato que parecia inimaginável no automobilismo moderno, em que a distância que separa F1 da Indy é muito maior do que o simbólico espaço geográfico do Oceano Atlântico entre a América e a Europa.

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Por mais que a decisão de Alonso mostre coragem e ambição, fica no ar a enorme incógnita: como será o rendimento do espanhol na prova? Ele tem alguma chance minimamente realista de surpreender e deixar sua sala de troféus ainda mais recheada?

Isso, infelizmente, só o tempo irá dizer. No entanto, podemos enumerar alguns fatores aos quais Alonso deverá se atentar nas próximas semanas, pois podem ser alguns de seus maiores obstáculos na aventura.

1 – Alonso nunca correu em um circuito oval

Alonso

“Ferdi” possui uma enorme bagagem na F1, onde disputou mais de 270 GPs em 16 anos e se estabeleceu como um dos nomes mais gabaritado das últimas décadas. Porém, é importante ressaltar as grandes diferenças entre provas em misto e em ovais: mesmo que ambas sejam corridas de carro, é como se fossem esportes completamente diferentes.

A dinâmica de uma corrida em oval se distancia de tudo o que Alonso já vivenciou no automobilismo. Não estamos falando apenas de andar com a roda colada no muro, mas também das dificuldades em guiar no meio do pelotão, com turbulência, nas disputas por posição (que podem ter três carros, lado a lado, separados por milímetros), a dificuldade de andar no tráfego e fazer ultrapassagens com o pneu do lado sujo da pista (lembra de JR Hildebrand?).

Provas em oval também possuem outras especificidades, como o bom uso do vácuo e da economia de combustível para fazer a estratégia funcionar. Sim, as dificuldades são muitas, e Alonso terá de superá-las para ser competitivo.

2 – Alonso não conhece o carro da Indy

indy

Ambos são monopostos, mas são carros completamente diferentes – e quem garante é justamente os que pilotaram os dois. O bólido da Indy tem reações mais lentas e é mais exigente fisicamente por não possuir recursos como direção hidráulica, o que causa maior estresse nos membros superiores, especialmente ombros, braços e punhos.

Por outro lado, o DW12 não exige a atenção incessante do piloto nos comandos do volante, ao contrário do que se passa na F1 com suas inúmeras configurações diferentes do motor.

A questão não é avaliar qual é a vantagem de um bólido para outro, mas sim destacar os pontos que serão estranhos a Alonso. Em situação à qual não está habituado, um piloto corre maior risco de ser pego no contrapé – especialmente em uma corrida tão impiedosa como a Indy 500.

Por exemplo, uma escapada de traseira no meio de uma curva pode exigir determinada reação que Alonso, acostumado à dinâmica dos mistos da F1, pode não ser capaz de tomar de maneira instintiva. De maneira resumida: bobeou, é muro.

3 – Alonso não conhece a equipe

Alonso

O bicampeão mundial provavelmente terá um choque de realidade em seus primeiros dias na América. Piloto da F1 praticamente desde que entrou na vida adulta, Alonso foi “moldado” pelo método de trabalho da categoria, o que se diferencia e muito do que ele encontrará na Indy.

Na principal categoria do planeta, Alonso está habituado a lidar com uma equipe muito mais numerosa, com mais engenheiros e que, consequentemente, possui maior velocidade na tomada de decisões. Além disso, a Indy não conta com uma telemetria tão detalhada como acontece na F1.

Em contrapartida, o ambiente da Indy é mais direto e despojado, o que deve permitir, por exemplo, maior colaboração de seus companheiros de equipe (sobretudo dos veteranos Ryan Hunter-Reay, Marco Andretti, e, quem diria, Takuma Sato).

4 – O tempo de preparação vai ser curto

Indy

As 500 Milhas é a prova da Indy com cronograma mais extenso se comparada às demais. Mesmo assim, Alonso terá muito pouco tempo de preparação para quem precisará praticamente “reeducar” a sua tocada.

No total, o espanhol terá cinco dias de treinos livres antes da tomada de tempos que forma o grid. E a agenda estará apertada: o primeiro treino oficial acontecerá no dia seguinte ao GP da Espanha de F1, o que inclui o Rookie Orientation Practice, período destinado aos estreantes na corrida e que possui velocidade limitada nos carros.

Ou seja, Alonso terá de correr contra o tempo para se preparar de maneira adequada. A equipe Andretti Autosport tentará colocá-lo para andar na pista antes do início da programação oficial, além de programar sessões no simulador da Dallara, fabricante do chassi da Indy. Para terminar, o espanhol, a fim de se familiarizar com o modus operandi da categoria, fará uma visita durante a etapa do Alabama. É o máximo que Alonso poderá fazer nos 46 dias que separam o anúncio da corrida, mas, ainda assim, insuficiente para uma preparação ideal.

5 – A concorrência será forte

Juan Pablo Montoya

mencionamos isso no passado aqui no Projeto Motor: alguns dos protagonistas das 500 Milhas são os mesmos em muitos anos. Por mais que isso possa expor uma falta de renovação, para Alonso isso significa que a concorrência é composta por pilotos habilidosos, vencedores e que conhecem todos os atalhos do mítico oval.

O espanhol dividirá o grid com nomes como Scott Dixon, Hélio Castroneves, Tony Kanaan, Juan Pablo Montoya e Ryan Hunter-Reay, todos vencedores da prova, além de outros como Will Power e Simon Pagenaud, campeões da categoria. Também há uma série de pilotos que querem aproveitar a oportunidade para buscar o estrelato, assim como fez Alexander Rossi em 2016. Enfim, não vai ter moleza.

O LADO POSITIVO

Alonso

Mas calma lá: não temos apenas más notícias para Alonso. Existem bons motivos que podem deixá-lo minimamente esperançoso para a disputa, e, quem sabe, propiciar que ele alcance um bom resultado.

Talento: Sim, o espanhol é um dos pilotos mais gabaritados que a F1 conheceu nas últimas décadas. Pode parecer estranho que mencionemos isso depois de listar todos os motivos acima, mas sua trajetória na F1 mostra uma enorme capacidade de aprendizado e de adaptação a condições diversas. Ou seja, se há alguém da F1 que pode brilhar nas 500 Milhas, este é Alonso.

Corrida maluca: Indianápolis possui uma corrida que constantemente é afetada pelo imponderável. Trata-se de uma disputa longa, tática, repleta de macetes que podem gerar um resultado surpreendente. É claro que estes fatores tendem a punir os mais inexperientes e favorecer os “macacos velhos”, mas, mesmo assim, a imprevisibilidade pode aprontar das suas. Como disse Rubens Barrichello, que participou das 500 Milhas, Alonso precisa “esperar o inesperado”.

Grande respaldo: Alonso terá em sua estreia em Indianápolis o suporte perfeito. A Andretti Autosport levantou o troféu Borg-Warner por duas vezes nos últimos três anos – incluindo em 2016, quando fez um ex-F1, inexperiente em ovais, vencer logo em sua primeira participação na Indy 500. Alonso também será monitorado de perto por Michael Andretti, que será seu estrategista na disputa. Estrutura para ser competitivo não faltará.

Debate Motor #70: Quem ganha o que com presença de Alonso na Indy 500?

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  • Dox

    Corrida de 3 horas num carro de volante mais pesado vai fazer o Alonso sofrer.
    Acho que vem aí mais um capítulo da saga “As Sábias Decisões de um Asturiano”.

  • kriminal diabolik

    hum.terá 3 companheiros de equipe…briatore vai acessorar…ele entra nos boxes…troca pneus..e o sato bate… e por ai vai alonso vencedor…o pessoal critica o schumacher mas dick vigarista é esse alonso…

    • Leandro Farias

      O tempo passa e as pessoas amadurecem. Alonso arrumou encrenca em uma Ferrari onde ele brigava por título e uma Renault que, apesar de reduzida à coadjuvância, tinha lá sua dignidade. Se não tivesse mudado, teria chutado o balde já naquele primeiro ano onde a McLaren acabou em nono.

      Não discordo que Alonso era mais digno do apelido de Dick Vigarista que Schumacher. Mas hoje, sinceramente, eu vejo um Alonso mais maduro e responsável, ainda reclamão mas menos ególatra.

  • Tagid Malatesta

    Será em devidas proporções, como o Ronaldo Fenômeno foi no Corinthians…

    Maior que seu desempenho em campo, foi a repercussão do seu nome atrelado ao time, às partidas e aos campeonatos.

    Alonso será o Brilhante e Pomposo Garoto Propaganda da Mclaren-Honda mostrando ao mundo que o time pode ser muito mais que F1…..

  • Guilherme Laporti

    Prevejo Cenas Lamentáveis™ nos primeiros treinos livres, e se não se adaptar ali, teremos mais Cenas Lamentáveis™ durante a corrida. Mas enfim, tomara que minha previsão falhe e essa corrida pegue fogo

  • achsanos

    Gostaria de estar mais empolgado com as chances de Alonso em Indianápolis do que realmente estou. Pra mim vai mais pela peculiaridade da coisa toda em si.

  • Leandro Farias

    Uma lista dessas pode se tornar um “Cinco fatores que definiram a vitória de Fernando Alonso na Indy 500″.

    1 – Aprendeu a dinâmica de um circuito oval
    2 – Sensibilidade com o carro da Indy
    3 – Adaptação e entrosamento com a equipe
    4 – Bom aproveitamento do pouco tempo de treinos
    5 – Se nivelou com uma concorrência fortíssima

    • Guilherme Laporti

      Adaptação e ENTROSAMENTO com a equipe eu duvido. O bixin com gênio forte esse tal do Alonso.

      • Leandro Farias

        Uma coisa que me faz acreditar nisso é justamente o ambiente mais leve dos EUA. Na primeira vez que o Alonso falou de 500 milhas, eu lembrei de ele reclamando no rádio falando algo do tipo “Deixa eu me divertir.”

        Essa fase atual está tornando o trabalho pelo qual se empenha tanto já pesado. Um ambiente mais leve pra alma vai fazer um bem danado pra ele. E ele já não é mais a tiriça da época de Ferrari também.