Button na McLaren de Senna e Massa na Williams de Boutsen: o melhor de Goodwood

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Um dos maiores eventos de automobilismo na Terra, o Festival de Goodwood – ou, para ser mais preciso, o Festival de Velocidade de Goodwood – é notável por apresentar anualmente a compilação mais fantástica de modelos clássicos de F1, endurance e rali na pista. Uma programação para nenhum gearhead sair insatisfeito.

O evento começou em 1993. Na época, o aristocrata Charles Gordon-Lennox, o conde de March e Kinrara, sentia a necessidade de revitalizar a pista de Goodwood. O circuito estava ocioso desde 1966, quando seu avô Frederick, o fundador do local, se negou a instalar chicanes e outras geringonças em favor da segurança no traçado. Como consequência, a pista perdeu a chancela do British Automobile Racing Club (Barc).

Os tempos mudaram, contudo, e hoje o Festival de Goodwood já se tornou uma tradição no calendário do automobilismo. Só neste ano, mais de 180 mil pessoas compareceram à Casa de Goodwood nos quatro dias de festividade. E, para dar um pitaco de como as coisas se desenrolaram no circuito de Sussex, o Projeto Motor reuniu os cinco momentos mais interessantes e marcantes nesta edição de 2015.

Button e o McLaren MP4/6 de Ayrton Senna

No domingo (28), Jenson Button guiou o McLaren MP4/6-Honda, modelo que selou o último título de Ayrton Senna na F1, em 1991. Projetado por Neil Oatley, o carro era equipado com um propulsor V12 da Honda – aliás, à época um antigo pedido do tricampeão à montadora japonesa. O MP4/6 também foi o último carro munido com transmissão manual a conquistar um Mundial de Construtores.

Massa e o Williams FW13B de Thierry Boutsen

Felipe Massa saiu para a pista de Goodwood no sábado (27) com a versão B do modelo FW13 da Williams. Equipado com um motor V10 da Renault, o carro garantiu duas vitórias para Grove em 1990 – uma em San Marino com Riccardo Patrese e outra em Hungaroring com Thierry Boutsen. O modelo antecedeu o famigerado FW14, que assegurou um vice-campeonato e um título de construtores para a Williams em 1991 e 92.

Valentino Rossi pilota o Mazda que venceu Le Mans em 1991

Em Goodwood para comemorar os 60 anos da Yamaha, Valentino Rossi não se limitou a pilotar sua YZR-M1 na competição de subidas. No domingo (28), o líder da MotoGP desfilou com o Mazda 787B, primeiro e único modelo na história a vencer as 24 Horas de Le Mans com um motor Wankel – propulsor que utiliza rotores trilobulares em vez de pistões. Até hoje, o 787B também é o único carro japonês a ter triunfado em Le Mans.

Mark Walker e o Darracq de 1908

Facilmente um dos espetáculos mais insanos na edição de 2015. O piloto Mark Walker saiu para a pista com um 1908 Darracq, uma besta equipada com motor V8 de 25 litros e 200 cavalos. Ver Walker deslizando pela curva com esse antigo monstro é lindo demais.

Duncan Pittaway com o Fiat S76, “a Besta de Turim”

Se você acha que o Darracq de 1908 é uma demência, não deixe de assistir isso. Em Goodwood, Duncan Pittaway guiou o Fiat S76, um carro fabricado pela montadora italiana em 1911 para bater especificamente o recorde de velocidade sustentado à época pela Blitzen Benz. O modelo tinha 290 hp de potência e deslocamento de 28 353 cm3 (!).

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Lucas Berredo

Natural de Belém do Pará, tem uma relação de longa data com o automobilismo, uma vez que, diz sua família, torcia por Ayrton Senna quando sequer sabia ler e escrever. Já adolescente, perdeu o pachequismo e passou a se interessar pelo estudo histórico do esporte a motor, desenvolvendo um estranho passatempo de compilar matérias e dados estatísticos. Jornalista desde os 18 anos, passou por Diário do Pará e Amazônia Jornal/O Liberal, cobrindo primariamente as áreas cultural e esportiva como repórter e subeditor. Aos 22, mudou-se para São Paulo, trabalhando finalmente com automobilismo no site Tazio, onde ficou de 2011 até o fim de 2013. Em paralelo ao jornalismo, teve uma rápida passagem pelo mercado editorial. Também é músico.