Cinco pilotos de fora da F1 que cairiam muito bem se estivessem nela

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Há poucos dias, o Projeto Motor analisou o resultado de recente pesquisa da GPDA (associação de pilotos profissionais), feita com mais de 215 mil fãs da F1, de 194 países. Clique aqui para ler a análise do resultado completo. Um dos índices que nos chamaram a atenção dizia que, para 88% dos voluntários, o grid atual não é formado integralmente pelos melhores pilotos do mundo.

Em outras palavras, nove em cada dez participantes acham que alguns dos competidores não estão à altura da categoria. A grande pergunta é: se você pudesse trocar esses nomes por outros, por puro mérito em competições diferentes, quem você chamaria? Nosso comitê editorial selecionou cinco ases de sucesso que, em nossa opinião, teriam potencial para conquistar bons resultados e construir uma carreira sólida no principal certame do automobilismo mundial.

Curiosamente, quatro deles são alemães, o que mostra como a influência de um atleta de sucesso, no caso Michael Schumacher, pode transformar um país com tradição tímida em grande potência de um esporte. Por falta de oportunidade, ou outras questões, o quinteto desta lista acabou encontrando a glória em outro lugar. Azar da F1. Confira a lista:

ANDRÉ LOTTERER

Lotterer (centro) celebra vitória de 2011 em Le Mans

Alemão de Duisburg, André Lotterer sentiu o gostinho de ser piloto de F1 aos 32 anos, em 2014, quando foi chamado pela Caterham para substituir Kamui Kobayashi no GP da Bélgica. O desempenho impressionou: mesmo com idade “avançada” e experiência prévia zero a bordo do CT05, superou Marcus Ericsson na classificação com margem de quase um segundo. Na corrida, por azar, abandonou ainda na volta inaugural por falha na unidade motriz. Pouco importa. Lotterer é bicampeão japonês de Super GT, campeão da F-Nippon em 2011, campeão do Mundial de Resistência em 2012 e três vezes vencedor das 24 Horas de Le Mans (2011, 2012 e 2014).

MARCO WITTMANN

Lausitzring (DE) 14th September 2014. BMW Motorsport, DTM Champion 2014 Marco Wittmann (DE). This image is copyright free for editorial use © BMW AG (09/2014).

Entre os vários pilotos que ascenderam nas séries de base recentemente, poucos fizeram tanta falta ao “desvirtuar” o caminho como Marco Wittmann. Aos 25 anos, o natural de Furth viveu a síndrome do vice na época de aprendiz: repetiu a segunda colocação na etapa mundial da F-BMW de 2007, nos campeonatos de 2010 e 2011 da F3 Europeia, no Masters de F3 de 2011 e no troféu de F3 da FIA do mesmo ano. Quebrou o estigma no ano passado, apenas em sua segunda temporada completa no DTM, sendo campeão com o BMW M4 da escuderia RMG.

MIKE ROCKENFELLER

Mike Rockenfeller

Mais um teutônico para o rol: aos 31 anos, tem formação rapidamente migrada dos monopostos para as competições de carros com habitáculo fechado: obteve títulos no Porsche Carrera Cup, FIA GT, Le Mans Series, 24 Horas de Nurburgring e de Daytona. Apesar disso, o sucesso no DTM, categoria a qual conquistou em 2013 e cujo carro tem comportamento mais semelhante ao de um F1 que ao de um veículo convencionalmente de turismo, mostra a facilidade com que Rockenfeller pode se adaptar a qualquer veículo de competição.

SCOTT DIXON

Scott Dixon

Ufa! Deixamos, enfim, as fronteiras da Alemanha, cruzamos oceanos e chegamos a Brisbane, onde nasceu o australiano naturalizado neozelandês. Com estilo reservado até demais para um competidor de seu quilate, Dixon já se encontra no estágio final de uma carreira brilhante na Indy, com direito a título da Lights, tricampeonato na série principal (2003, 2008 e 2013) e vitória nas 500 Milhas de Indianápolis de 2008. Também se deu bem correndo com protótipos de resistência nos Estados Unidos, faturando duas vezes as 24 Horas de Daytona.

TIMO BERNHARD

Timo Bernhard

Pode parecer que estamos fazendo propaganda pró-germânicos (algo especialmente cruel na data em que o 7×1 completa um ano), mas não se trata disso: conforme já explicamos no começo do artigo, a presença maciça deles aqui é reflexo do intenso trabalho de base feito lá desde que Schumacher despontou na F1. O último nome é um piloto repleto de conquistas em competições de GT e longa duração: Porsche Carrera Cup, ALMS, 24 Horas de Le Mans, 24 Horas de Nurburgring, 24 Horas de Daytona, 12 Horas de Sebring. Faltou, claro, uma oportunidade a Bernhard na F1. Nada que faça falta em seu recheado Curriculum Vitae.

E você, douto leitor, quem mais colocaria nesta lista?

Confira o Debate Motor #4, com análise do GP da Inglaterra:

 Comunicar Erro

Modesto Gonçalves

Começou a acompanhar automobilismo de forma assídua em 1994, curioso com a comoção gerada pela morte de Ayrton Senna. Naquela época, tomou a errada decisão de torcer por Damon Hill em vez de Michael Schumacher, por achar mais legal a combinação da pintura da Williams com o capacete do britânico. Até hoje tem que responder a indagações constrangedoras sobre a estranha preferência. Cursou jornalismo pensando em atuar especificamente com automóveis e corridas, e vem cumprindo o objetivo: formado em 2010, foi consultor do site especializado Tazio de meados de 2011 até o fim de 2013; desde maio de 2015 compõe o comitê editorial do Projeto Motor.