Cinco vezes em que a zebra passeou em duelos de companheiros na F1

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Geralmente, os duelos entre companheiros de equipe são vistos com bastante atenção pelos fãs da F1. Afinal, se trata de uma boa oportunidade para ver uma disputa mano a mano entre dois pilotos com as mesmas condições, quando o talento e o trabalho duro trazem recompensa na disputa contra o colega de time.

Muitas disputas internas entraram para a história da F1. Talvez a mais famosa delas tenha sido entre Ayrton Senna e Alain Prost, que dividiram as garagens da McLaren entre 1988 e 1989 e protagonizaram um duelo que foi além da pista, envolvendo também a questão política da equipe e da categoria em si. Em resumo, tanto o brasileiro quanto o francês tiveram que dar o máximo de si para bater o arquirrival com o mesmo equipamento.

Também há um outro aspecto nas disputas internas que, durante toda a história da F1, vez ou outra chacoalha a relação de forças entre os pilotos. Nem sempre o competidor considerado mais habilidoso leva a melhor sobre o parceiro, o que já causou grandes surpresas. Assim, o Projeto Motor relembra cinco casos em que o resultado de um duelo interno representou uma verdadeira “zebra” para a F1:

KEKE ROSBERG X EMERSON FITTIPALDI (FITTIPALDI, 1980)

Rosberg e Fittipaldi foram companheiros em 1980
Rosberg e Fittipaldi foram companheiros em 1980

Desde o momento em que deixou a McLaren para se juntar à equipe de seu irmão, a Copersucar-Fittipaldi, Emerson reinou absoluto contra seus companheiros de time, os também brasileiros Ingo Hoffmann e Alex Dias Ribeiro. Tudo mudou em 1980, quando a equipe adquiriu o espólio da Wolf, incluindo o contrato do inexperiente piloto Keke Rosberg.

Rosberg chegara à F1 em 1978, aos 29 anos de idade. Logo no início mostrava velocidade, mas ainda assim pecava pela falta de experiência. De certa forma, isso foi visto na temporada que fez ao lado de Emerson, já que acabou se envolvendo em diversos acidentes e contratempos.

No entanto, o finlandês nascido na Suécia surpreendeu o veterano bicampeão. Rosberg classificou-se dez vezes à frente de Emerson, contra quatro, e acabou marcando um ponto a mais: além do pódio na Argentina, chegou em quinto na Itália. Fittipalidi, por sua vez, foi terceiro em Long Beach e sexto em Mônaco. Depois disso, Emerson concluiu sua passagem na F1 como piloto e dedicou-se integralmente à função de chefe de equipe.

DENNY HULME X JACK BRABHAM (BRABHAM, 1967)

Hulme superou Brabham em 1967
Hulme superou Brabham em 1967

Este é mais um caso desta lista em que um jovem talento acaba superando seu consagrado companheiro de equipe que, por sinal, também era seu chefe. Antigo mecânico da Brabham, Denny Hulme foi promovido a piloto definitivo do time com a saída de Dan Gurney, tendo a tarefa de fazer par com um dos grandes pilotos de toda a história da F1, Jack Brabham.

Na primeira temporada juntos, Hulme conquistou quatro pódios, mas viu “Black Jack” vencer quatro GPs para se sagrar tricampeão. No ano seguinte, entretanto, o neozelandês, que não era um exemplo de velocidade pura, teve campanha bastante regular, com oito pódios, sendo duas vitórias.

Na corrida final da temporada, no México, obteve um terceiro lugar, o que lhe fez derrotar ninguém menos que Brabham e Jim Clark para aquele que seria seu único título mundial. Em seus anos como colegas, Brabham e Hulme raramente dispunham do mesmo chassi, já que utilizavam as corridas para desenvolver projetos distintos para a equipe. Contudo, o fato de Hulme ter superado Brabham, que além de ser um dos maiores de todos os tempos também era seu chefe, foi um feito notável.

DANIEL RICCIARDO X SEBASTIAN VETTEL (RED BULL, 2014)

Ricciardo e Vettel foram colegas de time em 2014 (Getty Images)
Ricciardo e Vettel foram colegas de time em 2014 (Getty Images)

Quando foi anunciado como piloto da Red Bull para 2014, Ricciardo foi alvo de desconfianças por parte do público, já que muitos consideravam que sua chegada se tratou de uma simples falta de opção melhor. O time austríaco supostamente havia tentado, sem sucesso, contratar Kimi Raikkonen, mas acabou optando por seu piloto júnior para substituir Mark Webber.

Em seus anos na Toro Rosso, Ricciardo mostrava ser um piloto bastante rápido em classificação, mas ainda inconsistente em corridas. Além disso, a pouca experiência incomodava, especialmente em uma temporada em que haveria grandes mudanças no regulamento técnico.

O australiano, contudo, calou a todos logo na primeira corrida, quando mostrou que estava pronto para o desafio ao levar a Red Bull à segunda colocação (posteriormente, seria desclassificado). Depois, foi constantemente mais veloz que Vettel, com três vitórias no bolso contra nenhuma do colega multicampeão.

É verdade que Vettel, além de não se adaptar de jeito nenhum à tocada do carro, também teve inúmeros azares na temporada de 2014. Mas também é inegável que Ricciardo simplesmente se mostrou um piloto mais competente naquele ano.

NIGEL MANSELL X NELSON PIQUET (WILLIAMS, 1986)

Pique só conseguiu superar Mansell (e conquistar o tri) em 1987
Pique só conseguiu superar Mansell (e conquistar o tri) em 1987

Então bicampeão mundial, Nelson Piquet disparou como favorito para vencer o campeonato de 1986, já que deixava a Brabham para se juntar à Williams, time que havia vencido as três últimas provas do ano anterior. Seu companheiro seria Nigel Mansell, um piloto até considerado rápido, mas altamente instável para fazer frente ao brasileiro.

Na prática, não foi bem assim. Mansell andou forte do começo ao fim, com cinco vitórias (uma a mais que Piquet) e outros quatro pódios. O brasileiro também se mantinha bem vivo na disputa, mas acabou tendo problemas na campanha que lhe custaram caro, como o acidente nos Estados Unidos ou a quebra em Spa.

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Na corrida final da temporada, Mansell estava com a “mão na taça”, mas sofreu um espetacular estouro em um dos pneus, o que lhe deixou sem condições de título. Piquet acabou sofrendo indiretamente com o mesmo problema, já que precisou fazer um pitstop para evitar que situação semelhante se passasse com ele. Isso deixou o caminho livre para o bicampeonato de Alain Prost.

Alguns acham que Piquet subestimou as habilidades de Mansell; outros acreditam que o afastamento de Frank Williams, que havia sofrido um acidente que lhe deixara tetraplégico, enfraqueceu a posição de Piquet no time, já que Patrick Head teria mais apreço por Mansell. A verdade é que o inglês mostrou, na pista, ser um piloto muito mais competitivo do que se imaginava.

LEWIS HAMILTON X FERNANDO ALONSO (MCLAREN, 2007)

Hamilton fim com frente de Alonso na temporada de 2007
Hamilton ficou à frente de Alonso na temporada de 2007

Hoje, o tricampeão Lewis Hamilton está estabelecido como uma das grandes estrelas da F1. Porém, antes da temporada de 2007, poucos esperavam que o inglês faria uma estreia tão avassaladora na categoria, inclusive dando um calor danado em seu companheiro de equipe, o badalado Fernando Alonso.

Campeão nos dois anos anteriores, Alonso já estava consolidado como grande estrela de sua geração. Em 2007, era a grande esperança de dar à McLaren seu primeiro título em quase uma década, e, com um colega de time jovem e inexperiente, tudo indicava que teria apoio incondicional da esquadra inglesa.

O que pegou todos de surpresa foi o fato de Hamilton ser tão competitivo logo de cara. Apesar de seus 22 anos, a cria da McLaren guiava feito veterano, com velocidade apurada e raros erros. Isso acabou colocando o jovem novato como fortíssimo candidato ao título.

Obviamente, Alonso também sentiu o baque. Mesmo que ele próprio tivesse sido beneficiado pela McLaren em algumas oportunidades, como na Austrália e em Mônaco, o espanhol se queixava de que não recebia apoio necessário da McLaren. A equipe inglesa, por sua vez, deixava a disputa rolar solta, como ocorreu nos Estados Unidos – Hamilton teve autorização para vencer mesmo com Alonso reclamando publicamente ao pitwall durante a corrida.

Depois disso, todos sabem o que aconteceu. Envolvida em um vergonhoso caso de espionagem com a Ferrari, a McLaren viu suas rusgas com Alonso serem expostas da pior forma, desde a “segurada” em Hamilton no treino classificatório da Hungria ou com a chantagem feita pelo piloto espanhol a Ron Dennis.

Apesar de o título ter ficado com Kimi Raikkonen, Hamilton fez o suficiente para entrar na lista de grandes zebras da F1, já que ficou à frente de Alonso no campeonato (levou a melhor no desempate) e despachou o espanhol da McLaren.

Você lembra de mais exemplos de zebra entre companheiros de equipe na F1? Deixe seu comentário abaixo!

Assista à edição #14 do DEBATE MOTOR, que analisou o GP do Brasil:

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Bruno Ferreira

Sempre gostou de automobilismo e assiste às corridas desde que era criança. A paixão atingiu outro patamar quando viu – e ouviu – um carro de F1 ao vivo pela primeira vez. Depois disso, o gosto pelas corridas acabou se transformando em profissão. Iniciou sua trajetória como jornalista especializado em automobilismo em 2010, no mesmo ano em que se formou, quando publicou seu primeiro texto no site Tazio. De lá para cá, cobriu GPs de F1 no Brasil e no exterior, incluindo duas decisões de título (2011 e 2012), além de edições das 24 Horas de Le Mans e provas de categorias como Indy e WTCC.