Circuito de Longford: desafio de pontes e velocidade na Tasmânia

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O automobilismo tem diversas imagens icônicas que viajam por sua história nos mais diferentes locais do mundo. O circuito de Longford, na Austrália, certamente é palco de algumas dessas.

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O traçado de pouco mais de 7 quilômetros, localizado na Tasmania, tinha como uma das principais características a de cruzar duas vezes com uma linha de trem. Primeiro passando por baixo e depois por cima, através de uma ponte. A imagem principal, no entanto, era na “Long Brigde” (Ponte Longa, em tradução livre), em outro ponto, passando sobre o rio South Esk em uma estrutura feita com postes de madeira, mostrada na foto de destaque deste texto.

Mapa do circuito de Longford, na Tasmania
Mapa do circuito de Longford, na Tasmania

Passar por uma ponte como esta se tornou poucos anos depois algo considerado abominável do ponto de vista da segurança. Tanto que o circuito de Longford, inaugurado em 1953, foi fechado definitivamente em 68, coincidentemente cinco semanas antes do acidente fatal de Jim Clark em Hockenheim, símbolo do início de uma fase intensa de por mais segurança no esporte a motor.

A última corrida no circuito foi vencida por Piers Courage, outro piloto que também teve um final trágico, morto após capotar com seu De Tomaso no GP da Holânda de F1, em Zandvoort, em 1970.

Longford nunca recebeu uma corrida da F1, mas era sede de uma das etapas da Tasman Series, campeonato que acontecia na Austrália e Nova Zelândia durante o período de férias as entre temporadas da F1 e que aconteceu entre 1964 e 75. Em sua primeira era, até 69, o regulamento era muito próximo ao da F1, porém, com motores de 2,5 litros (quando o Mundial usava os 1,5l), adotando-se depois os F5000.

(Onboard no circuito a partir de 3min do vídeo abaixo)

A categoria conseguir trazer constantemente diversos pilotos europeus e da F1 para competirem em suas provas. Para se ter ideia, em Longford, campeões mundiais como Jack Brabham, Jim Clark, Graham Hill, Phil Hill, Denny Hulme e Jackie Stewart, além de estrelas locais como Bruce McLaren e Chris Amon desafiaram os perigos da pista. Entre os carros, Clark chegou a utilizar na pista o seu Lotus 33, que o levou ao título de 1965 da F1, além do Lotus 49T, uma versão adaptada do 49.

O circuito, que utilizava estradas da região, era de alta velocidade com freadas fortes. Para se ter ideia, o recorde do traçado é de Chris Amon com o protótipo Ferrari P4 com uma velocidade média de 196,62 km/h durante os 7,2 km de extensão. No trajeto total, eram duas pontes e um viaduto. A passagem por baixo da estrada de ferro também era bastante apertada, entre as colunas da ponte de tijolos.

O que sobrou do trecho em que o circuito de Longford passava pro baixo da estrada de ferro da região (Foto: badgergp.com)
O que sobrou do trecho em que o circuito de Longford passava pro baixo da estrada de ferro da região (Foto: badgergp.com)

Longford recebeu o GP da Austrália, quando este ainda não fazia parte do campeonato da F1, em duas oportunidades, em 1959 e 65. Esta segunda edição, dentro da Tasman Series, foi vencida por Bruce McLaren, com um Cooper T79-Climax, seguido, na ordem, por Jack Brabham, Phil Hill, Graham Hill e Jim Clark. Fez parte da Tasman Series entre 64 e 68, sempre recebendo os grandes pilotos da época.

E se você acha uma loucura que esses pilotos cruzassem esse circuito e, principalmente, suas pontes, com monopostos que usavam motores ainda mais potentes que os F1 da época, pense que tudo começou com motos. O Clube de Motociclismo de Longford que convenceu o governo local a fechar as estradas para uma prova nos anos 50. Participantes das duas rodas dividiram a pista com competidores de carros, em uma espécie de rali.

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O evento deu tão certo que o governo resolveu investir na brincadeira, melhorando o traçado ano-a-ano. Isso aconteceu durante toda a existência do circuito, inclusive com trechos alargados em 62, o que deixou a pista ainda mais rápida.

Com o seu fechamento, o traçado foi abandonado. Hoje, nem mesmo como estrada de circulação é utilizado, apesar de que alguns pontos ainda podem ser identificados. De qualquer maneira, Longford pode entrar facilmente na lista das pistas mais insanas e incríveis da história.

 

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Lucas Santochi

Mais um fanático da gangue que criou vínculo com automobilismo desde a infância. Acampou diversas vezes nas calçadas ao redor de Interlagos para assistir aos GPs e nunca esqueceu a primeira vez que, ainda do lado de fora do autódromo, ouviu o barulho de F1 acelerando pela reta. Jornalista formado em 2004, passou por redações na época da TV Band e Abril, teve experiência na área de assessoria de comunicação esportiva até chegar ao site especializado em esporte a motor Tazio, em 2010. Passou pelas funções de redator, repórter (cobrindo diversas corridas no Brasil e exterior de F1, Indy, WEC, Stock Car, entre outras) e subeditor até o final de 2013, quando o veículo encerrou suas atividades. Trabalhou ainda como redator do UOL Esporte em 2014 até que decidiu se juntar com os outros três membros do Projeto Motor para investir na iniciativa.