Circuitos Mutantes #1: Como Silverstone perdeu essência da alta velocidade

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No dia 13 de maio de 1950, o circuito de Silverstone, na Inglaterra, recebeu a primeira corrida do Mundial de F1 da história. De lá para cá, o local se tornou uma praça constante na categoria, tendo já sediado nada menos de 50 GPs oficiais até hoje.

Contudo, o traçado atual tem pouquíssima semelhança à sua versão original. Com o passar dos anos, a pista passou por diversas mudanças, seja por adequações de segurança, seja para torná-la mais dinâmica e desafiadora.

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Por isso, trazemos até você um resumo das principais modificações pela quais Silverstone passou desde sua inauguração. Essa será a primeira parte da série “Circuitos Mutantes”, que abordará mudanças em traçados tradicionais ao longo da história. Confira e diga para nós nos comentários abaixo: qual versão é a sua preferida?

1948

Extensão: 5,896 km
Recorde: 2min52s0 (Luigi Villorese, 1948)

Muitos já conhecem as origens do circuito de Silverstone. O lugar foi utilizado na Segunda Guerra Mundial como um aeroporto da RAF, a Força Aérea Real britânica. Após seu término, as instalações passaram a ser utilizadas em corridas de automóveis no cenário internacional.

A primeira versão do circuito nem mesmo foi utilizada pelo Mundial de F1. O traçado era formado pelas pistas de pouso e os locais de apoio, o que criava uma praça com longas retas, ligadas por alguns grampos. Por ser longa e com curvas lentas, a pista proporcionava tempos de volta um pouco mais altos do que veria nos anos seguintes.

1949-1974

Extensão: 4,649 km (1950-1951), 4,711 km (1952-1974)
Recorde: 1min18s300 (Ronnie Peterson, 1973)

Na primeira corrida válida pelo Mundial de F1, Silverstone já utilizava um traçado que era um grande esqueleto do que se vê atualmente. Ele contava apenas com as pistas de apoio do antigo aeródromo, o que proporcionava um circuito muito mais veloz.

Uma mudança importante aconteceu em 1952, com a transferência do complexo de boxes para o trecho entre as curvas Woodcote e Copse, onde permaneceria até o começo da atual década.

1975-1986

Extensão: 4,719 km
Recorde: 1min05s591 (Keke Rosberg, 1985)

Silverstone ganhou uma chicane em seu trecho final, com o objetivo de reduzir as velocidades na perigosa curva Woodcote. Em tese, a mudança deixava a pista um pouco mais lenta, mas o desenvolvimento dos carros na Era Turbo começou a proporcionar velocidades sem precedentes para a F1.

Em 1985, Rosberg anotou a pole position em ritmo avassalador, o que permaneceu por décadas como a volta mais rápida de toda a história da F1. O finlandês, a bordo da Williams-Honda, girou com 259 km/h de velocidade média, o que só veio a ser batido com Juan Pablo Montoya, em Monza-2002.

1987-1990

Extensão: 4,778 km
Recorde: 1min07s110 (Nelson Piquet, 1987)

Quando parou de se alternar com Brands Hatch como sede do GP da Inglaterra, Silverstone sofreu mais uma alteração no setor final. A chicane havia sido antecipada, com uma curva um pouco mais lenta, o que, em compensação, deixava a velocidade mais alta na reta de chegada.

As velocidades da volta como um todo diminuíram um pouco, mas aquele traçado marcou o fim de Silverstone “à moda antiga”, quando o traçado inteiro ainda era majoritariamente veloz.

1991-1993

Extensão: 5,226 km
Recorde: 1min18s965 (Nigel Mansell, 1992)

Para a corrida de 1991, Silverstone passou por uma obra extensa, o que adicionou várias curvas ao traçado e mudou pontos importantes, como a Becketts.

A pista acabou por ficar mais lenta, sobretudo por conta do trecho construído entre a Bridge e Luffield. Mesmo assim, o circuito ficou um pouco menos “pauleira” e passou a ser mais técnico, o que exigia perícia dos pilotos tento em pontos velozes quanto nos mais lentos.

1994-1995

Extensão: 5,057 km
Recorde: 1min24s960 (Damon Hill, 1994)

Pouca gente lembra, mas Silverstone foi um dos circuitos que precisaram passar por mudanças após as mortes de Ayrton Senna e Roland Ratzenberger. As obras foram realizadas às pressas, em apenas 18 dias, com o objetivo de reduzir ainda mais a velocidade da pista.

Houve alterações em vários trechos: curvas como Copse e Stowe ficaram menos suaves; uma chicane foi introduzida na Abbey; o ponto entre a Bridge e a Priory foi novamente modificado, ficando ainda mais lento.

1996

Extensão: 5,072 km
Recorde: 1min26s875 (Damon Hill, 1996)

Ainda buscando reencontrar sua cara, Silverstone alterou mais uma vez a curva Stowe, deixando-a um pouco mais parecida do que era antigamente – aberta e veloz. Além disso, o perfil da entrada chicane seguinte foi levemente modificada, ficando um pouco mais lenta.

1997-2009

Extensão: 5,140 km
Recorde: 1min18s119 (Sebastian Vettel, 2009)

Ufa, estamos quase no fim! A partir de 1997, novamente algumas curvas foram modificadas a fim de aumentar a fluidez do traçado. A Copse, por exemplo, voltou a ter o perfil de antigamente, com uma guinada menos brusca, sendo que houve uma reformulação do ponto final do circuito. O trecho entre Priory-Brooklands-Luffield passou a contar com pontos de raio mais longo.

2010-HOJE

Extensão: 5,891 km
Recorde:
1min29s243 (Lewis Hamilton, 2016 – por enquanto)

Em 2010, Silverstone passou por sua reforma mais extensa nos anos recentes. A Abbey, agora, conduzia a um novo complexo de curvas, mais lentas, o que também criou uma longa reta anterior à Brooklands.

A partir do ano seguinte, as novas instalações de boxes passaram a ser utilizadas, imediatamente antes ao novo trecho. Há quem considere que a novidade quebrou a fluidez do circuito e trouxe pontos desnecessariamente lentos, mas, de qualquer forma, Silverstone agora conta com as mais modernas instalações exigidas pela FIA.

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Bruno Ferreira

Sempre gostou de automobilismo e assiste às corridas desde que era criança. A paixão atingiu outro patamar quando viu – e ouviu – um carro de F1 ao vivo pela primeira vez. Depois disso, o gosto pelas corridas acabou se transformando em profissão. Iniciou sua trajetória como jornalista especializado em automobilismo em 2010, no mesmo ano em que se formou, quando publicou seu primeiro texto no site Tazio. De lá para cá, cobriu GPs de F1 no Brasil e no exterior, incluindo duas decisões de título (2011 e 2012), além de provas de categorias como Indy, WEC, WTCC e Stock Car.