Com nova F3, FIA tenta consolidar e tutelar caminho de jovens à F1

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Nos últimos anos, a FIA vem tentando reorganizar suas categorias de base para destacar um caminho mais óbvio do kart até a F1, seu campeonato principal. A tarefa é mais complicada do que parece e enfrenta diversos obstáculos. Os primeiros passos a olhos vistos começaram com a introdução da pontuação para a superlicença e o mais recente é a unificação da F3 Europeia com a GP3 a partir de 2019.

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A ideia é deixar o caminho para a F1 mais claro, mas também sob o total controle da entidade. Assim, a partir de 2019, os novos pilotos que saem do kart terão as competições nacionais de F4, F3 regional, F3, F2 e finalmente o Mundial. Tudo sob o guarda-chuva da FIA. Claro que seguem existindo categorias importantes e que terão seu peso, como a própria Super Fórmula japonesa, certame que tem sido utilizado por alguns volantes como Pierre Gasly e Stoffel Vandoorne.

A GP3 e a F3 Europeia existiam para serem estágios diferentes na carreira dos competidores. E para boa parte deles, elas estavam servindo com degraus. Charles Leclerc e Esteban Ocon, por exemplo, foram campeões das duas antes de chegarem à F2 e depois à F1. Outros, porém, como Max Verstappen e Lance Stroll, pularam da F3 direto para a F1.

A F3 Europeia se tornou nos últimos anos passagem quase obrigatória para futuros pilotos da F1 (Foto: fiaf3europe.com)

A FIA percebeu nas últimas temporadas que uma unificação poderia servir, acima de tudo, para uma padronização do caminho, além de juntar forças de equipes importantes que poderiam participar da mesma competição dentro dos GPs da F1.

Assim, uma geração caminharia quase toda junto, passando aos poucos pelo funil das categorias de base até chegar ao campeonato principal. E para isso dar certo, foi muito importante a consolidação da pontuação para a superlicença. Mais do que simplesmente colocar uma nova regra, a FIA bateu o pé nos últimos anos para não abrir brechas ou exceções.

Além disso, a ideia toda é ter mais controle sobre esse caminho. Por isso, é tão importante o projeto de uma nova F3 regional, em que os pilotos sairão dos campeonatos nacionais de F4 para competirem em um âmbito um pouco maior, como o Europeu ou Asiático, antes de partirem para a nova F3, que acontecerá dentro do ambiente da F1. A própria promoção da categoria também entrará dentro do pacote do Mundial, o que já vem sendo feito com a F2, que na transmissão usa até mesmo o mesmo visual gráfico.

GP3 foi nos últimos anos uma importante categoria de apoio nos GPs da F1 (Foto: gp3series.com)

O novo carro, fabricado pela Dallara, também partiu do conceito de unificação dos dois campeonatos. Uma aerodinâmica otimizada com o objetivo de facilitar ultrapassagens, porém, com novos recursos que pilotos que estejam chegando próximo da F1 precisam começar a aprender a trabalhar.

Para começar, a suspensão ganhou uma gama maior de possibilidades de ajuste. Os pilotos também passam a contar com o halo e terão que lidar com Safety Car Virtual (obedecendo o controle de velocidade no volante) e asa móvel.

O modelo contará com acelerador “fly by wire” e um motor Mecachrome de 6 cilindros com 3,4 litros, aspirado, com capacidade de 380 cavalos de potência a 8 mil RPM. A caixa de câmbio é projetada pela Hewland com seis marchas e usa comando eletro-hidráulico via paddle shift atrás do volante da Magneti Marelli. Os pneus serão fornecidos pela Pirelli. A velocidade máxima do carro bate nos 300 km/h, com aceleração de 0-100 km/h em 3 segundos. Ou seja, a molecada não poderá reclamar de equipamento para acelerar.

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O carro já passou por um shakedown em que completou 165 voltas no circuito francês de Magny-Cours, onde o foco do trabalho foi confiabilidade do equipamento e funcionamento de todas os seus dispositivos dentro do esperado e projetado. Ainda em dezembro, serão feitos mais três testes visando desempenho e limites do monoposto.

A primeira leva de carros será entregue durante o mês de janeiro. Cada uma das 10 equipe inscreverá três pilotos no campeonato. O segundo e terceiro modelos de cada time serão finalizados em fevereiro, mês em que os times realizarão um shakedown nas máquinas antes do início da pré-temporada oficial.

Algumas categorias “concorrentes”, porém, já anunciaram que não devem seguir, pelo menos por enquanto, o caminho que a FIA gostaria. A F3 asiática deve seguir dentro do regulamento atual. A Euroformula Open, que nasceu da F3 espanhola, também tem a intenção de seguir com os mesmos carros.

De qualquer forma, com campeonatos cada vez mais fortes, a FIA espera manter a evolução dos pilotos que chegarão ou esperam chegar um dia na F1 cada vez mais sob sua tutela. Assim, ela esvazia algumas competições paralelas e terá maior poder sobre o automobilismo e poder de barganha com patrocinadores e empresas que possuem programas de desenvolvimento de pilotos.

Por outro lado, ela também terá a oportunidade de melhorar o custo-benefício de uma carreira nas competições em monopostos, cuidado melhor dos custos e possibilitando maior visibilidade para os destaques de cada uma de suas fases. Desta forma, ela espera aumentar a meritocracia dentro das categorias de base que levam à F1.

 


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Lucas Santochi

Mais um fanático da gangue que criou vínculo com automobilismo desde a infância. Acampou diversas vezes nas calçadas ao redor de Interlagos para assistir aos GPs e nunca esqueceu a primeira vez que, ainda do lado de fora do autódromo, ouviu o barulho de F1 acelerando pela reta. Jornalista formado em 2004, passou por redações na época da TV Band e Abril, teve experiência na área de assessoria de comunicação esportiva até chegar ao site especializado em esporte a motor Tazio, em 2010. Passou pelas funções de redator, repórter (cobrindo diversas corridas no Brasil e exterior de F1, Indy, WEC, Stock Car, entre outras) e subeditor até o final de 2013, quando o veículo encerrou suas atividades. Trabalhou ainda como redator do UOL Esporte em 2014 até que decidiu se juntar com os outros três membros do Projeto Motor para investir na iniciativa.