Como o GP de Macau se tornou um dos principais eventos do automobilismo

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É estranho pensar como todos os anos em novembro boa parte da imprensa especializada e das pessoas que trabalham no esporte a motor se voltam com tanto interesse ao GP do Macau e seu impacto no automobilismo internacional. Não é uma simples prova de base, é um grande evento do esporte a motor que perdura por eras.

Muito deste sucesso aconteceu por conta de Barry Bland, dirigente responsável pela globalização da prova no começo dos anos 80 ao costurar os acordos para levar as principais equipes de F3 da Europa, junto com seus melhores pilotos, para correr nas ruas da cidade.

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O dirigente, responsável também pela criação do Masters de F3, em Zandvoort, morreu no último dia 5 de julho, aos 71 anos, como uma daquelas pessoas pouco conhecidas do automobilismo, que trabalharam muito nos bastidores, mas que tiveram uma importância muito grande para o esporte.

Ele não foi o criador da corrida em Macau, mas viu ali um belo de um potencial. E como aconteceu esse empurrão? Vale entender antes as origens da prova, que nasceu da forma mais saudável possível: pelas mãos de entusiastas.

Nas primeiras edições do GP de Macau, parte do circuito não era nem mesmo asfaltada
Nas primeiras edições do GP de Macau, parte do circuito não era nem mesmo asfaltada

Tudo começou, na verdade, com a ideia de uma gincana. No começo dos anos 50, alguns amigos pensaram em montar uma competição de caça ao tesouro pela cidade, em que os participantes utilizariam carros para se locomoverem. Só que quando observaram que o desenho do trajeto a ser feito poderia ser adaptado a uma corrida de verdade, mudaram de ideia.

A primeira edição da prova aconteceu em 1954, para pilotos amadores. O vencedor foi o português Eduardo de Carvalho com um Triumph TR2. Em 61, os esportivos foram substituídos pelos fórmulas, sob o regulamento da Fórmula Libre, cuja história já contamos aqui no Projeto Motor. Cinco anos depois, os primeiros profissionais começaram a desembarcar na cidade para participar. Paralelamente ao GP principal, também seguiram, dentro do evento, as corridas com carros de turismo e de moto.

Pilotos de motos também se arriscam nas apertadas ruas de Macau todos os anos
Pilotos de motos também se arriscam nas apertadas ruas de Macau todos os anos

Em 1974, o GP de Macau passou a ser disputado por carros da F-Atlantic, dentro da Fórmula Pacific, que era realizada em países da região banhados pelo oceano que dava nome ao campeonato. Neste período, pilotos como Ricardo Patrese (duas vezes) e Roberto Pupo Moreno chegaram a vencer a corrida.

Só que a atenção internacional diminuía a cada ano e o formato da F-Atlantic também estava bastante defasado e desinteressante para a maioria dos pilotos. Foi quando Bland e seus parceiros chegaram com a ideia de transformar o evento em algo importante. A sugestão original era de se fazer uma Copa de F2, mas aconteceram problemas para a homologação do circuito, que precisaria passar por muitas obras. A poucas semanas antes da prova, fez-se a opção então de sediar a corrida de F3, recebendo competidores e equipes de vários lugares do mundo, especialmente, claro, da Europa.

A primeira edição foi vencida por Ayrton Senna, então campeão inglês da categoria. Outros nomes que ainda se tornariam famosos anos mais tarde triunfaram nas ruas da Macau como Michael Schumacher, David Coulthard, Ralf Schumacher, Takuma Sato, Maurício Gugelmin, Lucas di Grassi, além dos que competiram e não venceram, como Mika Hakkinen, Eddie Irvine, Alessandro Zanardi, Robert Kubica, Sebastian Vettel, Lewis Hamilton, Max Verstappen entre tantos outros.

Ayrton Senna, no GP de Macau de F3 de 1983
Ayrton Senna, no GP de Macau de F3 de 1983

O Mundial de Turismo (WTCC) também realizou uma etapa na pista, no mesmo final de semana do GP, entre 2005 e 2014, contando com a vitória do brasileiro Augusto Farfus na primeira edição. Hoje a corrida é realizada pela TCR International Series.

O circuito também é bastante desafiador. Apesar de suas ruas estreitas e curvas apertadas, algumas em ângulos bastante fechados, o traçado possui trechos de alta velocidade em que os carros de F3 chegam aos 275 km/h. Não é à toa que ficou na terceira posição em nosso 10+ das pistas em que a F1 nunca correu.

De qualquer maneira, uma corrida que estava fadada ao fim, teve nos anos oitenta um recomeço que a colocou em um status praticamente de obrigatória no calendário anual do automobilismo e da FIA.

Barry Bland já não tinha participado da promoção da prova em 2016, por problemas com o novo modelo de organização do evento, mas deixa um legado importante para o esporte a motor. Afinal, além da grande demonstração de técnica e arrojo dos jovens pilotos, ainda temos um evento muito particular para os fãs, com acidentes e manobras nas apertadas esquinas, que só poderiam acontecer em Macau.

 

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Lucas Santochi

Mais um fanático da gangue que criou vínculo com automobilismo desde a infância. Acampou diversas vezes nas calçadas ao redor de Interlagos para assistir aos GPs e nunca esqueceu a primeira vez que, ainda do lado de fora do autódromo, ouviu o barulho de F1 acelerando pela reta. Jornalista formado em 2004, passou por redações na época da TV Band e Abril, teve experiência na área de assessoria de comunicação esportiva até chegar ao site especializado em esporte a motor Tazio, em 2010. Passou pelas funções de redator, repórter (cobrindo diversas corridas no Brasil e exterior de F1, Indy, WEC, Stock Car, entre outras) e subeditor até o final de 2013, quando o veículo encerrou suas atividades. Trabalhou ainda como redator do UOL Esporte em 2014 até que decidiu se juntar com os outros três membros do Projeto Motor para investir na iniciativa.

  • Luigi G. Peceguini

    Imaginem que DELÍCIA seria Macau na F1.

    • Virgil Luisenbarn

      Mais corridas e o Alonso vai quitar da f1

      kkk

  • Carlos Alberto Junior

    Macau é pouquíssimo reconhecido no Brasil, particularmente ouvi falar de macau, mas só estou dando mais atenção agora com a matéria do projeto motor, vou pesquisar mais. Obgd projeto motor, ótima matéria Santochi.

  • Diogo Rengel Santos

    Esta corrida de Macau é muito curiosa. Entretanto por aqui no Brasil nunca teve dada a importância por ser categoria de base e também o horário da corrida não deve ajudar muito.

    Pude experimentar esta pista num simulador e vou te dizer: que pista mais diabólica, todos os trechos são desafiadores e a pista não dá margem alguma pra erro – isto fora o grampo da Bus Stop

    • Marcus Quintella

      QUal simulador vc correu? Eu corri no Raceroom, achei ANIMAL, apesar de dificil!

      • Diogo Rengel Santos

        Também no Raceroom.

        Sim, é muito difícil. Em compensação, se você acertar uma volta vai lá pra frente na tabela