Como Senna conseguiu uma das recuperações mais incríveis da F1

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O título de 1988 de Ayrton Senna tem diversos pontos de destaque em termos de desempenho por parte do brasileiro. Porém, é impossível não colocar como ponto focal a recuperação que ele conseguiu na prova decisiva, no GP do Japão, em Suzuka.

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Saindo da pole position, Senna quase deixa o carro apagar ao sinal verde, parte por erro do piloto e parte pela configuração extrassensível de sua embreagem. Ele rapidamente consegue retomar os giros do motor e entrar na prova, mas até aí, já tinha perdido diversas posições. Ele chega à primeira curva em 14º. Uma missão impossível.

Senna some em meio ao pelotão na largada em Suzuka

A partir deste momento, precisando vencer para sacramentar o título no Japão, ele sai em uma louca perseguição ao seu rival, Alain Prost, que liderava. Senna fechou a primeira volta já na oitava colocação a 8s9 do francês. Uma missão quase impossível.

Na segunda volta, o sul-americano deixou a Williams de Riccardo Patrese e a Benetton de Alessandro Nannini para trás. Nos dois giros subsequentes, os alvos foram a outra Benetton, de Thierry Boutsen, e a Ferrari de Michele Alboreto. Neste ponto da prova, ele assumia a quarta posição, mas a 12s9 de Prost.

Senna deixa para trás Alboreto, Boutsen e Nannini

Na volta 5, a diferença entre os dois concorrentes ao título chegou ao seu máximo, em 13s2. A partir deste momento, a tendência se inverteu para o início de uma diminuição cada vez mais rápida. Principalmente após a 11ª volta, quando Senna conseguiu a ultrapassagem sobre a Ferrari de Gerhard Berger e assumiu a terceira posição.

Senna então contou com alguma ajuda: uma leve garoa que deixou a pista um pouco escorregadia, onde ele sempre se destacou em relação a Prost, e ao início inspirado de prova de Ivan Capelli em sua Leyton House March, equipada com um motor Judd VU de 3,5 litros. O italiano, se aproveitando de alguns problemas na caixa de câmbio de Prost, foi para cima do francês. Ele chegou a cruzar na frente quando eles passaram para completar a volta 16, apesar do francês da McLaren conseguir sustentar a ponta ao final da reta dos boxes, muito por conta da força do motor Honda V6 turbo de 1,5 litro.

Com todo este cenário, o brasileiro veio como um foguete para cima dos dois, fazendo a diferença cair de 11s4 na volta 12 para apenas 0s7 na 20, quando Capelli abandonou a prova com um superaquecimento no motor. Ou seja, mesmo caindo para a 14ª posição na largada, Senna tirou a desvantagem para o adversário em menos da metade da corrida em Suzuka.

Bastaram mais apenas sete voltas apertando Prost para se aproveitar de um momento com retardatários e fazer a ultrapassagem sobre o companheiro de McLaren. Senna não perdeu mais a liderança até o final da corrida.

Senna faz a ultrapassagem em Alain Prost

Importante ressaltar, no entanto, que o francês conseguiu na segunda fase da prova manter o companheiro na alça de mira. Ele acreditava que a recuperação desenfreada do brasileiro poderia causar problemas ao seu consumo de pneus e de combustível. Por isso, se esforçou para manter Senna sempre menos de 3 segundos à frente, chegando em alguns momentos a ficar a menos de 2s.

Só que Senna estava realmente em um dia inspirado. Ele manteve os pneus e o combustível dentro da curva esperada e ainda foi, em diversos momentos, mais rápido e esperto que o parceiro nas ultrapassagens de retardatários, principalmente quando a pista ficava um pouco mais escorregadia por conta da chuva.

Prost perdeu o controle definitivamente da desvantagem a partir da volta 46, a cinco do final. Um recado do brasileiro que ele não daria chances. Assim, o francês claramente “desiste” da perseguição, e a diferença sobe de 2s9 para 6s6 em duas voltas.

Senna então corre rumo à vitória sem mais ser incomodado, cruzando a linha de chegada 13s3 antes de Prost. Curiosamente, quase a mesma vantagem máxima que o francês teve sobre ele no início da corrida. Uma grande corrida que valeu o primeiro título mundial do brasileiro.

 

A pilotagem de Senna | Desvendando os gênios #1:

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Lucas Santochi

Mais um fanático da gangue que criou vínculo com automobilismo desde a infância. Acampou diversas vezes nas calçadas ao redor de Interlagos para assistir aos GPs e nunca esqueceu a primeira vez que, ainda do lado de fora do autódromo, ouviu o barulho de F1 acelerando pela reta. Jornalista formado em 2004, passou por redações na época da TV Band e Abril, teve experiência na área de assessoria de comunicação esportiva até chegar ao site especializado em esporte a motor Tazio, em 2010. Passou pelas funções de redator, repórter (cobrindo diversas corridas no Brasil e exterior de F1, Indy, WEC, Stock Car, entre outras) e subeditor até o final de 2013, quando o veículo encerrou suas atividades. Trabalhou ainda como redator do UOL Esporte em 2014 até que decidiu se juntar com os outros três membros do Projeto Motor para investir na iniciativa.