Quatro Rodas

Conheça a marca de capacetes que conquistou a cabeça dos astros da F1

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Lewis Hamilton, Kimi Raikkonen, Nico Rosberg e Fernando Alonso. O que esses nomes têm em comum? Claro, todos são consagrados campeões mundiais de F1, mas as semelhanças não param por aí: tratam-se de pilotos que já confiaram sua segurança em uma mesma marca, a fabricante de capacetes Bell.

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A empresa, que divide o grid da F1 com outras três concorrentes, vem conquistando espaço na categoria e chega à temporada de 2017 como a fornecedora com mais representantes, oito. O cenário atual é resultado de uma estrutura bem planejada, que resultou em um produto que caiu no gosto dos competidores.

Raikkonen usa capacetes Bell desde 2013 (Bell)
Raikkonen usa capacetes Bell desde 2013 (Bell)

Qual é o segredo da empresa que “conquistou a cabeça” de alguns dos grandes astros da F1 atual? Para tentar responder a essa pergunta, o Projeto Motor conversou com Stephane Cohen, presidente da Bell Racing Helmets, que enaltece a “cria” da casa.

“Nosso capacete atual é bom em todas as áreas: o peso é bom, a aerodinâmica é boa, a ventilação é boa, o sistema antiembaçante e sua performance na chuva são muito bons. Não se trata de um único item, mas sim o pacote geral, e o nosso equilíbrio é o melhor entre os nossos concorrentes”, destaca Cohen.

O modelo atualmente usado pela Bell, o HP7, é fruto de anos de pesquisa e desenvolvimento. Afinal, trata-se de uma empresa com amplo know-how na fabricação de capacetes de corridas, com grande tradição no ramo.

“A Bell está aí desde 1954 e inventamos tudo o que existe sobre capacetes. O primeiro capacete com poliestireno expandido foi inventado pela Bell; o primeiro capacete fechado foi inventado pela Bell; os primeiros capacetes aerodinâmicos foram inventados pela Bell”, lista o presidente.

Alonso entrou recentemente na lista de pilotos da Bell (Bell)
Alonso entrou recentemente na lista de pilotos da Bell (Bell)

E, hoje, a operação é global: além da sede principal, no Bahrein, a Bell também possui escritórios na Bélgica e nos Estados Unidos, totalizando mais de 150 funcionários. A empresa, dedicada exclusivamente ao automobilismo de competição, tem estrutura voltada para a produção de peças de primeira linha.

“Nós fazemos várias coisas: há o desenvolvimento aerodinâmico no CFD, tanto para o fluxo externo quanto para o interno, para ver a ventilação, o sistema antiembaçante, etc. Às vezes trabalhamos em conjunto com as equipes, porque cada carro é específico, a posição de pilotagem de cada um pode mudar. Então, podemos otimizar algumas coisas”, explica Cohen.

Tal trabalho minucioso trouxe resultados para a empresa, que, assim, pôde recrutar nomes de destaque – e o que mais chamou a atenção foi Hamilton. O inglês usava os capacetes da fabricante Arai desde os tempos do kart, inclusive tendo recusado um pedido da Mercedes para migrar para os da Schuberth quando chegou ao time. Porém, a fidelidade não resistiu por muito tempo: ao conhecer a peça da Bell, mudou de fornecedora devido ao seu maior refinamento técnico e desenvolvimento.

“Os pilotos conversam entre si e comparam suas experiências. Muitos nos procuraram para ver se conseguiriam experimentar o capacete, e, sempre que eles o experimentam, acabam decidindo usá-lo para as corridas. No que diz respeito à Bell, nunca pagamos e nunca pagaremos um piloto de F1 para usar nossos capacetes. Se eles escolhem nosso capacete, é porque eles acreditam que isso irá agregar, seja no produto, seja em nossos serviços”, observa o presidente da empresa.

Conhecendo os detalhes

Aumento é gerente de corridas da Bell
Aumento é gerente de corridas da Bell

A fim de entender com mais profundidade o trabalho da Bell, o Projeto Motor conversou, durante os testes de pré-temporada da F1 em Barcelona, com o gerente de corridas da empresa, Michael Aumento, que comparece a todos os GPs da temporada da F1 e oferece um serviço personalizado a cada piloto.

“Meu trabalho é chegar à pista e preparar o capacete para o fim de semana. Eu troco as viseiras e decido qual que o piloto irá usar: às vezes, o piloto não tem tempo de chegar e ficar checando as condições climáticas, então eu checo com o engenheiro e com os meteorologistas. Eu tenho que saber o que é o melhor para o piloto, e nunca erro! Os pilotos precisam confiar em mim, e eu tenho que saber o que cada um prefere em determinadas condições. Além da viseira, eu também posso ajustar a espuma interna. Nós digitalizamos a cabeça do piloto e, normalmente, quando ele coloca o capacete, já está perfeito. Mas podemos ajustar se ele sentir uma pressão grande no plug do ouvido ou se ele quiser ajustar a espuma em determinada parte da cabeça. Cada um se sente confortável de um jeito”, detalha Aumento.

O modelo HP7 fez sua estreia nas pistas em 2013, mas já passou por intensas mudanças desde então: em 2017, por exemplo, ele terá 1,2 kg, cerca de 150 g a menos do que tinha até o ano passado. Mas quais são as áreas que mais demandam cuidado? Vamos aos detalhes:

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1: A peça no topo do capacete ajuda tanto no fluxo de ar quanto na refrigeração. “Acredito que nosso capacete, se comparado aos de nossos concorrentes, possui melhor ventilação, o que é muito importante para que um piloto fique com a cabeça fresca no calor. A peça destacada é muito importante – quando o ar entra por ali, refresca o topo inteiro da cabeça. Depois da corrida, quando pegamos os capacetes, eles estão secos ou apenas um pouco úmidos”, conta Aumento.

2: O pequeno spoiler da porção traseira tem puramente função aerodinâmica, o que, para ter completa eficácia, precisa funcionar em sintonia com o carro. “Algumas equipes querem que a peça fique um pouco para cima, outras para baixo, para evitar que haja turbulência e melhore o fluxo de ar”, diz o gerente.

3: A viseira é tida como um dos grandes diferenciais da Bell. “Todas as nossas viseiras possuem uma partícula antiembaçante. Isso precisa ser muito fino e manuseado com delicadeza para que não haja nenhuma bolha ou que não haja espaço para entrar água”, relata Aumento.

Rosberg agradeceu à Bell após segundo lugar em Interlagos
Rosberg agradeceu à Bell após segundo lugar em Interlagos

Depois de sofrer com uma viseira embaçada no chuvoso GP de Mônaco de 2016, Rosberg trocou os capacetes da Schuberth pelos Bell. A diferença de desempenho debaixo d’água foi perceptível para o alemão. “Após o GP do Brasil do ano passado, Nico Rosberg nos enviou um e-mail nos agradecendo pelo nosso trabalho. Ele disse que, se não tivesse um capacete como o nosso, nunca teria terminado a corrida”, lembra Aumento.

4: “O utensílio do queixo também serve para ventilar, mas também é usado para estabilizar o capacete: às vezes, o capacete pode ir para trás com a movimentação do ar, então a peça do queixo o estabiliza. Mas tudo depende da posição do piloto no carro, do visor no cockpit, entre outros fatores”, explica Aumento.

Assim segue a evolução do HP7, um capacete passa por intensas modificações a fim de aprimorar sua performance. Por mais que a peça passe por mudanças ano após ano, o objetivo principal é sempre o mesmo: permanecer na cabeça dos principais nomes do automobilismo mundial.

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Bruno Ferreira

Sempre gostou de automobilismo e assiste às corridas desde que era criança. A paixão atingiu outro patamar quando viu – e ouviu – um carro de F1 ao vivo pela primeira vez. Depois disso, o gosto pelas corridas acabou se transformando em profissão. Iniciou sua trajetória como jornalista especializado em automobilismo em 2010, no mesmo ano em que se formou, quando publicou seu primeiro texto no site Tazio. De lá para cá, cobriu GPs de F1 no Brasil e no exterior, incluindo duas decisões de título (2011 e 2012), além de provas de categorias como Indy, WEC, WTCC e Stock Car.