Conheça o louco pit stop da Super Fórmula Japonesa

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A Super Fórmula Japonesa, ex-Fórmula Nippon, sempre foi um campeonato importante no Japão, apesar de alguns altos e baixos. Vários pilotos que vieram a correr na F1 passaram por lá, inclusive europeus que precisaram desviar a carreira para o oriente antes de retornar. Se quiser saber mais sobre essa história, já contamos aqui no Projeto Motor em outro artigo. Desta vez, vamos falar um pouco sobre o pit stop da categoria, uma manobra ensaiada e até um pouco maluca se comparada com outros campeonatos.

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Nos últimos meses, tem circulado no Youtube um vídeo muito interessante sobre os pit stops “acrobáticos” da Super Fórmula. Acontece que o regulamento da categoria tem um limite de pessoas que podem participar das paradas para troca de pneus e reabastecimento, e a maioria deles ainda tem ocupações específicas.

O regulamento permite que apenas seis pessoas participem do pit stop. Um é responsável pelo reabastecimento, com um segundo obrigatoriamente posicionado ao lado com um extintor de incêndio para emergências em caso de incêndio. O terceiro membro da equipe deve ficar com o pirulito que libera o piloto. Assim, sobram três integrantes para trocar os quatro pneus e ainda levantar e abaixar os macacos mecânicos.

Louco, não? Para se ter ideia, na F1 as equipes possuem 15 integrantes apenas para trocarem os quatro pneus. Isso porque elas usam três componentes em cada roda (um com a pistola pneumática, um tira o composto e o outro coloca) e mais dois nos macacos mecânicos atrás e na frente. Um integrante ainda fica responsável pelo pirulito ou pelo acionamento das luzes de liberação do piloto, que são mais usadas hoje. Na época do reabastecimento, mais dois mecânicos ainda ficavam responsáveis pelo manejo da mangueira de combustível, o que elevava o número para 17 pessoas.

Com este número reduzido de pessoas, é relativamente comum os pit stops terminarem em confusão na Super Fórmula. Algumas equipes mais preparadas, no entanto, fazem planos bem interessantes para a troca mais rápida possível, como foi mostrado no vídeo acima.

Muita gente pode lembrar do número reduzido de pessoas que trabalham nos pit stops da Nascar, que utiliza quatro pessoas para trocar os pneus e um para o reabastecimento. Porém, existem diferenças que deixam a parada do carro monoposto mais complicada. Para começar, o modelo da Nascar pode ser levantado pelos lados, o que pode concentrar os mecânicos de um lado e depois do outro, sem a necessidade de dar uma grande volta pela frente e por trás do carro com os macacos naquelas posições.

No fórmula, como a única base de apoio é por baixo da asa dianteira e na traseira, o mecânico do macaco mecânico fica mais longe da roda que precisa trocar e ainda precisaria dar uma volta muito grande para chegar ao outro lado do monoposto. E a Indy? A Indy tem uma vantagem muito grande de utilizar macacos hidráulicos no próprio carro, acionados por uma mangueira de ar comprimido junto do reabastecimento. Por isso, não é preciso um macaco “externo”.

Mecânico pula pela frente do carro na parada da Super Fórmula (Reprodução)

E aí que fica interessante a troca da Super Fórmula, já que os mecânicos das trocas dos pneus fazem uma rotação. E neste movimento, para ganhar tempo, o responsável pela troca do pneu dianteiro direito dá um pulo sobre a frente do carro para chegar ao dianteiro esquerdo. Nem todos fazem isso, mas o ganho de tempo nas equipes que conseguem realizar a manobra é considerável.

O mecânico do lado esquerdo, aciona o macaco mecânico da frente, depois tira a roda dianteira e em seguida vai para a traseira, que já foi desatarraxada pelo terceiro integrante do time. Assim, ele tira o pneu velho e coloca o novo. O primeiro, que estava do lado direito e pulou a frente do carro, coloca o pneu novo na dianteira esquerda e depois abaixa o macaco da frente.

Já o terceiro mecânico começou a parada desapertando a roda traseira esquerda (que será trocada depois pelo segundo integrante), levanta o macaco da traseira (que depois será abaixado pelo segundo integrante também) e faz a troca completa do pneu traseiro direito. Que maluquice, não? No vídeo que está no alto do texto explica visualmente.

Algumas equipes da Super Fórmula ainda desenvolvem equipamentos para ganhar mais tempo. É o caso de um macaco mecânico que levanta a frente do carro assim que o piloto encosta a frente do monoposto nele. O problema do dispositivo é que a entrada no pit do piloto tem que ser cirúrgica, pois um erro no ponto de freada pode não acionar o dispositivo ou derrubá-lo no chão.

Já imaginaram pit stops na F1 assim? As paradas seriam certamente mais lentas. No último GP da Inglaterra, a Red Bull conseguiu fazer sua troca no incrível tempo de 1s91, novo recorde. Por outro lado, uma parada mais “complicada” abriria a chance de mais problemas ou diferença maior na eficiência das equipes, causando certa imprevisibilidade. O que você prefere?

Caso tenha curiosidade para saber mais sobre a evolução da pit stop, principalmente na F1, clique neste link para ler nosso artigo sobre o assunto.


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Lucas Santochi

Mais um fanático da gangue que criou vínculo com automobilismo desde a infância. Acampou diversas vezes nas calçadas ao redor de Interlagos para assistir aos GPs e nunca esqueceu a primeira vez que, ainda do lado de fora do autódromo, ouviu o barulho de F1 acelerando pela reta. Jornalista formado em 2004, passou por redações na época da TV Band e Abril, teve experiência na área de assessoria de comunicação esportiva até chegar ao site especializado em esporte a motor Tazio, em 2010. Passou pelas funções de redator, repórter (cobrindo diversas corridas no Brasil e exterior de F1, Indy, WEC, Stock Car, entre outras) e subeditor até o final de 2013, quando o veículo encerrou suas atividades. Trabalhou ainda como redator do UOL Esporte em 2014 até que decidiu se juntar com os outros três membros do Projeto Motor para investir na iniciativa.