Contraponto #1: FIA fez certo em proibir Nelsinho Piquet na F3 Europeia?

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Na semana passada, Nelsinho Piquet fez o surpreendente anúncio de que retornaria às competições de F3 pela equipe Carlin, no campeonato europeu. Sua primeira participação já aconteceria na corrida em Pau, poucos dias depois, sendo que até mesmo uma inscrição na charmosa corrida em Macau, no fim do ano, era considerada.

Mesmo que sua última prova de F3 tenha acontecido no longínquo ano de 2004, a FIA decidiu barrar a participação do brasileiro. O argumento utilizado pela entidade é de que um veterano do automobilismo retornando a uma categoria de base iria contra o “espírito da F3”, cuja função principal é revelar pilotos.

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Mesmo assim, Nelsinho ainda tem esperanças de ser liberado para correr em Macau (etapa que, além da FIA, também é de jurisdição da empresa Motor Racing Consultants). No entanto, isso parece improvável no momento.

Mas quem tem razão nessa história? Esta é a ocasião ideal para a estreia de uma nova seção no Projeto Motor: Contraponto. Logo abaixo, dois membros do Projeto Motor apresentarão argumentos contrários para ajudar você a decidir se Nelsinho deveria retornar à F3 ou se a FIA realmente fez o certo ao barrá-lo.

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Participação de pilotos experientes na base seria boa promoção e motivação
Por Lucas Santochi

A escorregada da FIA em proibir a participação de Nelsinho Piquet na F3 é a de perder a chance de gerar maior interesse de mídia e público pela etapa e pela categoria.

Campeão da Sprint Cup. Kyle Busch celebra vitória na XFinity em 2016
Campeão da Sprint Cup. Kyle Busch celebra vitória na XFinity em 2016

Pilotos mais experientes deveriam poder andar em corridas isoladas de qualquer campeonato. Imagine uma prova com um Fernando Alonso na GP2. Todo mundo gostaria de assistir. E não seria legal? Seria algo como quando as estrelas da Nascar Sprint Cup andam na Truck Series ou XFinity.

Tudo bem, o piloto brasileiro em questão está longe de ser um Alonso, mas todos ficariam curiosos sobre o desempenho dele em uma prova da F3 Europeia contra a molecada que está iniciando nas competições de fórmula.

Além da visibilidade, seria ótimo para motivar os jovens que correm na série. Claro que todos estariam loucos para bater o ex-F1, Nascar e atual campeão da Fórmula E.

Não vejo lado negativo para eles. Se perdessem para Piquet, era um resultado normal. Se ganhassem, bateram um piloto do calibre dele. Óbvio que seria uma promoção pessoal também. Aliás, difícil é encontrar pilotos deste nível abertos a este risco.

Schumacher Kerpen 1

Em vez de proibir, a FIA deveria regulamentar a participação de pilotos mais experientes em categorias de base para eles poderem andar em apenas corridas isoladas e sem disputar o título. E, assim, estimular esses grandes nomes a correrem com a garotada. Lembram quando Michael Schumacher andou no Mundial de kart em 2001?  

Deixa os caras correrem! Queremos ver mais os grandes nomes na pista e assumindo novos desafios.

A FIA foi sensata por proteger a real razão de existência da F3
Por Bruno Ferreira

A participação de Piquet certamente atrairia atenção, mas que tipo de consequências haveria se o brasileiro vencesse alguma das provas mais cobiçadas do ano da F3?

Seria justo um piloto com experiência de F1 correr contra jovens justo na prova mais importante do ano? (Renault)
Seria justo um piloto com experiência de F1 correr contra jovens justo na prova mais importante do ano? (Renault)

Sua readaptação à categoria depois de 12 anos não necessariamente seria algo fácil. Mas, no auge da forma física aos 30 anos de idade e com passagens por GP2, F1, Nascar, WEC e Fórmula E, Nelsinho teria grande vantagem na experiência, já que os concorrentes são basicamente garotos recém-saídos da puberdade.

Macau goza de tanto prestígio justamente por já ter visto o brilho de pilotos que se tornariam grandes. Uma vitória de Nelsinho em 2016 seria um anticlímax comparável a um hipotético triunfo de um Bruno Giacomelli da vida, e não de Ayrton Senna, na prova de 83. Se Senna e Schumacher não tivessem vitórias em Macau, talvez o significado da prova não seria o mesmo.

Categorias de base servem para revelar talentos, e não servir de refúgio para veteranos
Base serve para revelar talentos, e não ser de refúgio para veteranos

A decisão da FIA pode desagradar a muitos, mas se deu para preservar a razão de existir da F3 (revelar pilotos, e não ser espetacular ou midiática) e evitar que um trintão roube o brilho dos jovens, que deveriam ser os reais protagonistas da festa. Os garotos, e não Nelsinho, precisam ter em seus currículos conquistas como essas para poderem sonhar com voos mais altos na complicadíssima missão de chegar à F1.

Para o consolo de Nelsinho, há inúmeras opções para que ele possa se testar: WTCC, DTM, Super GT Japonês, Super Fórmula, V8 Australiana e até o kart, que, ao contrário da F3, possui pilotos que fazem carreira inteiramente ali. Ou seja, lugar para Nelsinho se aventurar não falta – mas, de preferência, contra alguém do seu tamanho.
 


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