Contraponto #2: qual o formato ideal de GP de F1? Já temos nossas sugestões

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Em tempos de incerteza sobre o que será da F1 com o novo e arriscado regulamento técnico formulado para 2017 – de forma contingencial, a fim de atender ao apelo de fãs que pediam por bólidos mais velozes e desafiadores -, eis que surge Bernie Ecclestone.

O octogenário líder da categoria resolveu dar mais uma de suas “brilhantes” ideias para deixar o Mundial mais entretenedor: “As pessoas precisam de um período de atenção menor e vários esportes estão introduzindo formas mais curtas de disputa. Duas corridas de 40 minutos, com um intervalo de 40 minutos no meio e pilotos sendo entrevistados, seria atraente para a TV e para os patrocinadores”, defendeu o diretor da FOM em entrevista ao periódico britânico Sunday Times.

Vinda de quem já sugeriu um sistema de medalhas para definir o campeão, ou mesmo que as pistas sejam molhadas artificialmente, tal afirmativa não surpreende. Mas deveria ser peremptoriamente rechaçada por todos os membros da F1, simplesmente porque fere o conceito nucler, prístino de um Grand Épreuve, posteriormente popularizado como Grand Prix (o nosso Grande Prêmio).

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Oras: conforme o nome já diz, um GP representa um evento único e de máxima importância no cânone automobilístico. Fatiá-lo em duas metades desconfigura totalmente seu princípio, tirando dele o status original. É por isso que o comitê editorial do Projeto Motor resolveu se manifestar. Se é para mudar, que seja de forma inteligente, sem descaracterizar a natureza da coisa.

Afinal, a extensão dos GPs de F1 já foi encurtada ao longo dos anos até chegar à atual configuração de 305 quilômetros (uma hora e meia, em média). Isso significa que é possível mudar e adequar o esporte às demandas de sua época sem renegar o espírito e a relevância de cada páreo. Veja o que cada membro do Projeto Motor sugeriu:

Bruno Ferreira deixaria como está

A F1 tem vários problemas, mas o formato do fim de semana não é um deles. A categoria precisa tomar cuidado para que essa busca incessante (e utópica) por entretenimento não atrapalhe a disputa esportiva. Uma corrida curta não necessariamente irá produzir maior carga de empolgação. A F1 precisa de uma duração maior para que todas as variáveis (como estratégias diferentes) possam desempenhar seu papel.

Numa corrida de menor duração haveria menos tempo hábil para que uma equipe possa tentar um ‘pulo do gato’, aumentando a probabilidade de o carro favorito vencer com menos dificuldades – assim, o mesmo público que supostamente clama por ação na pista seria quem mais reclamaria. A F1 precisa ser mais interessante, mas a busca pelo entretenimento deve ter limites.”

Leonardo Felix faria tudo em dois dias

Os GPs de F1 estão adequados aos padrões esportivos atuais. Uma partida de futebol dura cerca de duas horas. Tênis e basquete passam de três. Dito isso, vale salientar que uma corrida tipo sprint fica muito menos suscetível às variáveis táticas ou de preservação de equipamento e pneus. É pé cravado no acelerador e quem estiver mais rápido (geralmente o melhor carro do grid) vence sem sustos.

Talvez a saída seja encurtar o número de sessões realizadas nos fins de semana, aglutinando todas em dois dias: um treino livre de duas horas no sábado de manhã; a classificação à tarde; um treino de aquecimento de uma hora no domingo cedo (permitindo mudanças de acerto, embora sem troca de componentes); e a corrida. O público teria mais ação ao longo desses dias e o tempo de pista perdido seria reposto em testes coletivos.”

Lucas Berredo reduziria distância dos páreos

O melhor caminho seria diminuir de 305 para cerca de 200 quilômetros a extensão dos GPs. Tal medida encurtaria o tempo da prova em cerca de meia hora ou até 45 minutos, e simplificaria a dinâmica dos eventos. Assim, eles se tornariam mais acessíveis para o público leigo (uma audiência cada vez mais esquecida pela F1), e também à televisão (especialmente aberta).

Hoje, assistir a uma corrida requer certo conhecimento prévio, dada a imensidão de estratégias de pitstops e opções de pneus disponíveis para um páreo inteiro. Por conta disso, é necessária uma condensação – que já foi feita antes, lá no fim dos anos 50, quando o limite de percurso caiu de 500 para 310 -, desde que não altere a tradição do Grande Prêmio.”

Lucas Santochi deixaria (quase) como está

Não mudaria o formato de nenhuma das sessões do fim de semana. O que a F1 mais precisa é alterar algumas regras e restrições em relação a testes (coletivos ou privados), treinos livres e atualizações dos carros.”

Concorda com alguma das ideias? Discorda de todas? Participe nos comentários deixando também a sua opinião.

DEBATE MOTOR #45: o que muda na F1 com a troca de donos?

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Projeto Motor

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  • voces ja lembraram bem por aqui em outra materia: quando tem uma equipe dominante e as outras equipes começam a mostrar reaçao, trocam o regulamento

    quem manda na categoria podia pegar algumas dicas com a Dorna

  • Rafael Schelb

    A Fórmula 1 não precisa de mudança no formato dos GPs, mas de uma extensa revisão dos regulamentos, tanto o técnico quanto o desportivo. O primeiro ponto é acabar com as amarras do desenvolvimento dos carros. Estabeleçam-se limites de dimensões, peso, potência, um certo limite de gastos, e deixem que os projetistas façam o que bem entenderem. A tecnologia híbrida é legal, mas eu acho que o lugar dela é no WEC, onde ela pode ser (e é, na verdade) muito mais bem aproveitada. Poderia ser liberado o uso de motores turbo e aspirados, como na década de 80, com limites de deslocamento, algo como os atuais 1,6 litro pros turbos, e 3 litros pros aspirados. Simplificar um pouco as coisa pra que mais fabricantes tenham interesse em fornecer motores, e atrair os independentes (Cosworth, por exemplo). Baratear os custos de inscrições pra que mais times se inscrevam, inclusive liberando para que possam correr com apenas um carro, e até mesmo liberando a venda de chassis por parte dos grandes construtores (com estes recebendo a pontuação, caso um time cliente termine com um carro na zona de pontos). Fixar o número de vagas no grid em 26, mas permitir que o número de carros inscritos seja um pouco além desse limite, traria mais emoção à qualificação. Liberar o reabastecimento, mas mantendo o tamanho dos tanques de gasolina com capacidade suficiente pra se terminar a corrida, dando às esquipes e pilotos a opção de largar com o quanto de gasolina quiserem. Acabar com a regra de se largar usando os pneus do Q2, e a obrigatoriedade de trocas durante a corrida, mais uma vez liberando os times e pilotos pra usarem a estratégia que quiserem. Voltar com os pneus de qualificação. Uma coisa que eu acho que poderia ajudar a ter mais ultrapassagens seria a volta do efeito-solo combinado com os pneus maiores do ano que vem. Mesmo que ele traga mais aderência aerodinâmica, iria reduzir o tamanho das asas, que reduziria a turbulência gerada pelos carros, que faria com que eles pudessem andar mais próximos. Trazer mais pistas tradicionais, reduzindo o valor absurdo que é cobrado pra se sediar um GP. Acabar com a farra das punições. Voltar o antigo sistema de descartes de pontos. Pra mim, isso faria a Fórmula 1 não só resgatar algumas coisas legais do passado, como traria muito mais competitividade.

  • Dox

    Faria 2 corridas curtas, sem pits, nos 2 sentidos, com grid invertido ao campeonato.
    Os treinos não determinariam posições de largada, mas dariam pontos aos mais rápidos.
    Mas eu não mexeria na F1 … criaria outra categoria.

  • Bom, seria uma ilusão acreditar que a Formula 1 seria o único negócio do mundo de crescimento interminável. Penso que chegamos a um ponto em que qualquer mudança adicional com o objetivo de atrair público ocasional, corre o sério risco de afastar os fãs do esporte. Não é a toa que a FIA está desfazendo quase 3 décadas de regulamentos equivocados em relação ao carro. A gritaria em torno do barulho dos motores pode ser questionável, mas não deixa de ser um aviso nesse sentido.

    Um outro sintoma de que a categoria precisa de redimensionar é que mesmo os países periféricos (em relação ao esporte), que costumam gastar quantidades inconfessáveis de dinheiro com eventos reconhecidamente ligados á corrupção e prejuízos desenfreados como as Olimpiadas e as Copas do Mundo, estão começando a repensar as supostas vantagens de sediar um Grande Prêmio. Está na hora de baixar a bola e os preços.

    Quanto ao formato das provas, eu não mudaria a duração. Acho que precisamos sim é de pistas radicalmente diferentes entre si, da volta da guerra dos pneus, do fim da bandeira azul e, quem sabe, permitir o reabastecimento em, digamos, 25% das corridas a serem sorteadas no início do ano…

  • José Everaldo

    Eu não mudaria a dinâmica dos GPs mas algumas regras e disposição dos autódromos. As áreas de escape deveriam ser de grama e até brita de forma que as saídas de pista não fossem punidas (quem saísse da pista acabava com os pneus ). Acabava com a regra ridícula de não mudar de trajetória durante a frenagem. Regulamento com menos aderência aerodinâmica de modo a permitir um carro andar no vácuo do outro. Colocar uma categoria de abertura mais curta com semelhanças como a gp2 e incentivar televisionar também essa categoria de forma que os leigos possam entender como funciona na categoria menor.