Contraponto #3: F1 acerta ao impor o shield como proteção para os pilotos?

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Quando todos pensavam que o halo seria o caminho inevitável, eis que a FIA surgiu com uma nova solução. A entidade máxima do automobilismo estabeleceu que, a partir de 2018, os competidores da F1 deverão usar obrigatoriamente um equipamento de segurança para a cabeça denominado shield.

Ainda não apresentado ou testado em condições reais, o conjunto é uma espécie de evolução do aeroscreen sugerido pela Red Bull no ano passado. Entretanto, conforme mostra esta projeção da revista inglesa Autosport, a peça teria um desenho mais fluido e integrado ao chassi, a fim de não alterar tanto assim o visual dos carros (principal motivo de rejeição ao halo e ao próprio aeroscreen).

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Será que foi a decisão acertada? Confira o que os membros do Comitê Editorial do Projeto Motor pensam a respeito:

Bruno Ferreira – “Solução razoavelmente satisfatória”

Após os terríveis acidentes envolvendo detritos de carros na última década, a FIA se viu em uma encruzilhada: precisava fazer algo a respeito, mas sem que isso interferisse na estética da categoria. Sim, o fator visual é importante para a forma como o público encara F1 e não pode ser negligenciado – caso contrário, a categoria pode provocar a rejeição das pessoas, assim como acontece até hoje com a falta de barulho das unidades de potência híbridas. Assim, adotou uma medida razoavelmente satisfatória para todas as partes. A novidade mantém os ânimos da opinião pública mais contidos sem romper com a velha tradição dos monopostos ou provocar alterações estéticas bruscas. Claro que o trabalho deve continuar a ser feito, mas a adoção do halo, sobretudo em uma época em que já se questiona o potencial de fascinação dos carros de F1, poderia representar um erro sem volta.

Lucas Santochi – “Não é esse o caminho”

Segurança deve estar sempre em primeiro lugar. FIA e equipes precisam trabalhar juntas para diminuir ao máximo a possibilidade de tragédias no automobilismo. As pesquisas devem ser conduzidas em conjunto e a opinião final precisa ser dos pilotos. Afinal, são eles que colocam o pescoço a prêmio nos carros. E esse é justamente o problema tanto do halo quanto do novo shield. Não existe uma posição muito clara por parte dos volantes a respeito, porque poucos deles tiveram a chance de conduzir testes e dar sua posição. Nenhuma das duas peças me parece resolver o problema, e ambas ainda prejudicam o visual dos carros. Por isso, acredito que não sejam o caminho.

Modesto Gonçalves – “Imposição, não uma evolução”

É compreensível que a FIA tente fechar aquela que parece ser a última lacuna em relação à proteção dos pilotos da F1. Contudo, a percepção que tenho é que a federação está tentando forçar uma medida sem ter bala no cartucho para bancá-la. Já se admite que o tal shield não será eficaz numa situação como, por exemplo, a que acarretou a morte de Jules Bianchi no GP do Japão de 2014. Provavelmente o halo e o aeroscreen também não seriam. Se é assim, qual o propósito do equipamento? Mexer de maneira tão abrupta com o já contestado visual dos carros e com a essência das corridas de fórmula, sem base para garantir que ela não será um fiasco e arranhará ainda mais a já fragilizada imagem da categoria, é um risco totalmente desnecessário. Falta à FIA a humildade para aceitar que, por vezes, a evolução da segurança precisa ocorrer de forma cadenciada, a partir de tecnologias apropriadamente testadas e cuja eficácia já está comprovada. Não é o caso.

DEBATE MOTOR #71 analisa começo forte da Ferrari em 2017

https://www.youtube.com/watch?v=GKMvAGhfm1I

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  • Mario Bronzati

    Fala Galera do Projeto Motor,
    comecei a acompanhar o canal do youtube e o website este ano, muito legal o conteúdo.
    Essa protecao é realmente necessária? Quantos acidentes tivemos nos últimos 10 anos em que essa protecao iria fazer uma diferenca? Talvez o que aconteceu com o Massa – nao consigo lembrar de mais nenhum. Com o Jules Bianchi, acho que nao faria diferenca alguma..

    Acho que a FIA, e em certa parte também os pilotos, está batendo muito nesta tecla de que é necessário uma maior protecao para a cabeca. Mas, pensando no número e na natureza dos acidentes nos últimos 10 anos, me parece algo desnecessário.

  • castilho17

    acho o aeroscreen uma solução excelente, considerando que será testada contra projeteis de varios tamanhos e formas (barras, molas, pneus, laminas de carbono…)
    o visual não fica tão ruim, até gostei na verdade, ao contrario do Halo..
    vamos ver se realmente serra usado e de que forma..

    quanto ao acidente do Bianci, a culpa não foi do carro, ele não teve chance alguma ao acertar um trator que estava na area de escape de uma corrida que devia estar com bandeira vermelha ou com guinchos que operam por cima da grade (como em monaco).

  • Cláudio Henrique

    Na minha opinião é só uma questão de tempo para o cockpit fechado ser implantado

    • vinicius alexandre

      No dia que inventarem de cockpit fechado por definitivo na F1 ela perderá sua principal característica…

      • Cláudio Henrique

        Vai virar uma espécie de LMP1 com as rodas pra fora

  • Dragon

    O aeroscreen me parece a melhor solução e essa shield uma evolução. Particularmente gosto do visual de ambos, sendo que o aero é mais bonito

    Mas agora, impor algo sem que exista um teste comprovando que funciona é bem estranho…

  • Virgil Luisenbarn

    Já estão pensando nessa tecnologia como maneira de empurrar para todo mundo e principalmente para aqueles que gostam de beijar o muro nas corridas. rs

  • Dox

    Minha posição sobre isso vai além da F1, que é da sociedade estar sob intenso massacre de uma “política do medo”, que sempre existiu e é a base para o controle da massa.
    Quem está dirigindo seja lá qual for o empreendimento não está imune a isso, e passa a se comportar de modo precavido até para beber um copo de água.
    Vejo estas proteções como inúteis devido ao baixo número de ocorrências que estes dispositivos poderiam evitar.
    Também é para se pensar nos inconvenientes que eles podem causar, como na urgência de sair do carro, ou de comissários prestarem um socorro mais eficiente.
    A discussão mais profunda se iniciou devido à grande divulgação do acidente do Justin Wilson, que sensibilizou muita gente que achou aquilo uma grotesca fatalidade.
    Sinto que não mais poderemos aplaudir decisões de um mundo onde o aumento da produção de SUVs vai de encontro à lógica da implementação de carros individuais urbanos, ou de quem quer o retrocesso de motores V10 contra a eletrificação (ou outra forma de propulsão) só para não deixar de ter a tradicional sensação do forte barulho dos motores, que não passa de energia sendo desperdiçada, mas que para os insensatos isso não importa.

  • Guilherme Laporti

    Parabéns a galera do projeto motor, análise muito sensata do tema