Coronavírus ameaça F1 e Fórmula E na China?

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*Atualizado 03/02

O mundo está em alerta por conta do coronavírus, que já infectou mais de 4.500 pessoas até esta terça-feira (28) e, segundo estimativas oficiais, matou 106. Os números seguem subindo rapidamente, e possivelmente quando você ler essa matéria já serão outros.

O epicentro do contágio é a cidade chinesa de Wuhan, porém, casos em outras localidades estão sendo contabilizados. Uma morte em Pequim por conta do coronavírus já foi confirmada, inclusive. O governo da China reconhece o problema e está restringindo as viagens nos trens de alta velocidade e outros meios de transporte dentro do país.  

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Pelo lado do esporte, o coronavírus já fez com que diversos eventos esportivos programados até abril de 2020 fossem cancelados. A cidade de Nanjing, de 8 milhões de habitantes e que fica a cerca de 550 km de Wuhan, iria receber em março partidas no pré-olímpico de futebol feminino, mas entrou em acordo com a Confederação Asiática de Futebol para transferir o torneio para a Austrália. “A medida tem o objetivo de garantir a saúde de todas as atletas, treinadores e funcionários das equipes”, explicou a Associação Chinesa de Futebol, em comunicado.

A Federação Internacional de Tênis também transferiu partidas da Fed Cup que estavam previstas para acontecer na cidade de Dongguan, na China, para o Cazaquistão. “A decisão de mudar o evento para um local diferente foi tomada por conta do aumento das restrições de viagens na China no atual momento, além de uma consulta com conselheiros de segurança independentes”, explicou a ITF.

Autódromo Internacional de Xangai recebe a F1 desde 2004 (Foto: Glenn Dunbar / LAT Images / Pirelli)

Eliminatórias olímpicas de boxe, que aconteceriam justamente em Wuhan, também foram transferidas para a Jordânia. A maratona de Hong Kong, o Rally de Changbaishan e o tour de Hainan, prova de ciclismo, todos eventos que seriam realizados em fevereiro, foram cancelados.

Fica agora a preocupação com dois grandes eventos programados para a China neste primeiro semestre: Fórmula E e o GP da China de F1. A primeira está programada para 21 de março. A localização, porém, pode ajudar. O ePrix chinês acontece em Sanya, na ilha de Hainan, ao sul do país e a 1.700 km de Wuhan. Mesmo assim, o risco existe. Os promotores do campeonato afirmam que mantêm o objetivo de realizar a prova e que estão monitorando junto a autoridades locais o andamento da crise

[ATUALIZAÇÃO] Em 02/02, FIA e Fórmula E anunciaram o adiamento da prova da Fórmula E em Sanya por conta da crise do coronavírus, seguindo indicação da federação e governo locais. Uma remarcação da etapa ou cancelamento dentro da atual temporada ficou em suspenso à espera da progressão da crise.

Já a etapa da F1 está prevista para 19 de abril, em Xangai. A cidade vem tomando medidas emergenciais por conta do coronavírus e teve atividades de aglomeração pública canceladas. Até mesmo a Disney local fechou as portas até que a situação esteja controlada. A FIA nem a F1 se manifestaram publicamente, mas os responsáveis pela comunicação de ambas as entidades explicam que seus dirigentes também estão monitorando de perto o cenário e que até o momento o GP está mantido.

Uma das apostas da F1 é que até semanas antes da realização da etapa chinesa, a crise do coronavírus já esteja, no mínimo, controlada. Caso contrário, o cancelamento deve acontecer no limite do prazo para início da montagem do evento e envio dos materiais de equipes e promotores (que incluem equipamentos de transmissão, camarotes e das equipes, entre outros).

Depois de dois ePrix realizados em 2014 e 2015 em Pequim, a Fórmula E voltou à China em 2019 com sua nova prova em Sanya (Foto: Sam Bagnall / LAT Images / Pirelli)

A última crise externa a fatores esportivos ou de negociação que fez a F1 cancelar uma corrida foi em 2011. Na época, o GP do Bahrein daquele ano abriria a temporada e estava previsto para acontecer em 13 de março. Só que manifestações da Primavera Árabe que tomavam diversos países da região cresceram também no país.

A F1, então administrada por Bernie Ecclestone, resolveu cancelar a corrida apenas em 21 de fevereiro, 20 dias antes da etapa, após forte pressão política inclusive de governos europeus. Nos anos seguintes, ainda sob problemas das manifestações contra o regime local e pedidos de parlamentos da Europa, a categoria resolveu ignorar os problemas e seguiu com o GP da mesma forma.

Historicamente, a categoria não liga muito para o que acontece fora dos muros de seus autódromos. A questão desta vez, porém, é se eventos internacionais com uma grande quantidade de pessoas que estão vindo de outros países e que depois seguem em frente em suas viagens não podem representar um aumento da ameaça. E essa decisão muito provavelmente não ficará nas mãos de FIA, Fórmula E ou F1.


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Lucas Santochi

Mais um fanático da gangue que criou vínculo com automobilismo desde a infância. Acampou diversas vezes nas calçadas ao redor de Interlagos para assistir aos GPs e nunca esqueceu a primeira vez que, ainda do lado de fora do autódromo, ouviu o barulho de F1 acelerando pela reta. Jornalista formado em 2004, passou por redações na época da TV Band e Abril, teve experiência na área de assessoria de comunicação esportiva até chegar ao site especializado em esporte a motor Tazio, em 2010. Passou pelas funções de redator, repórter (cobrindo diversas corridas no Brasil e exterior de F1, Indy, WEC, Stock Car, entre outras) e subeditor até o final de 2013, quando o veículo encerrou suas atividades. Trabalhou ainda como redator do UOL Esporte em 2014 até que decidiu se juntar com os outros três membros do Projeto Motor para investir na iniciativa.