GP da Estíria? As corridas da F1 que receberam nomes curiosos

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Devido aos atrasados gerados pela pandemia, a F1 precisou fazer grandes manobras para reorganizar o calendário da temporada de 2020. A programação passou a incluir mais de uma prova em um mesmo circuito, algo inédito para a categoria. E isso também precisou de improvisações para definir os nomes oficiais das provas. 

Por exemplo, o campeonato irá começar com duas corridas no Red Bull Ring: a primeira etapa será chamada de GP da Áustria, como de costume, mas a segunda corrida se chamará oficialmente GP da Estíria, nome do estado onde o circuito está localizado. 

Também haverá uma dobradinha em Silverstone. A primeira etapa por lá será o GP da Grã-Bretanha, mas a corrida seguinte, uma semana depois, terá o nome oficial de GP do 70º Aniversário, em homenagem ao primeiro GP da história do Mundial de F1 que aconteceu por lá há pouco mais de 70 anos. 

Nomes diferentes não são tão raros na categoria. A F1 já teve no passado de recorrer a formas inusitadas para batizar suas etapas, citaremos algumas outras vezes curiosas em que isso aconteceu em corridas oficiais do Mundial. 

As alternativas para corridas na Itália

O GP da Itália é praticamente sinônimo do circuito de Monza, sendo que apenas uma edição da prova não aconteceu no local. Em 1980, a etapa italiana foi realizada em Imola, perto da cidade de Bolonha. Mas essa foi a exceção: no geral, todas as outras pistas italianas que compuseram o Mundial de F1 eventualmente tiveram de adotar nomes alternativos para suas etapas. 

Foi o que aconteceu justamente com Imola. Depois de sua única aparição como sede do GP da Itália, a pista permaneceu no calendário até 2006 utilizando o nome de GP de San Marino, que é um país independente situado a cerca de 100 km da pista. 

GP de San Marino esteve no calendário até 2006 (Foto: Ferrari)

Mas você sabia que já houve um outro traçado italiano que fez parte da F1? Em 57, uma longa e desafiadora pista de rua recebeu a penúltima etapa da temporada, e como o GP da Itália estava confirmado para Monza, a prova teve de receber o nome de GP de Pescara, a cidade onde era situado. 

GP da Europa, o nome usado por todos

Um nome que é bastante utilizado na F1 para uma segunda corrida dentro de um mesmo país é GP da Europa. O título apareceu pela primeira vez no Mundial em 1983, quando houve duas etapas na Inglaterra: Silverstone recebeu o GP da Grã-Bretanha, e aí a corrida em Brands Hatch ficou chamada de GP da Europa. 

O nome já passou por várias outras pistas, como Donington Park, também na Inglaterra, Nurburgring, na Alemanha, e nas praças espanholas de Jerez de la Frontera e Valência. Mas a última edição com este nome até hoje é a mais curiosa: em sua primeira aparição na F1, o circuito de Baku, no Azerbaijão, foi palco do GP da Europa. 

Mas não porque o Azerbaijão já tinha outra corrida, e sim porque o país queria estreitar seus laços com o continente por questões de imagem. Assim, em 2016, a prova em Baku recebeu o nome alternativo de GP da Europa antes de passar a ser, em definitivo, GP do Azerbaijão de 2017 em diante.

F1 realizou cinco corridas em Valência com o nome de GP da Europa (Foto: Mark Thompson/Getty Images/Red Bull Content Pool)

Mais GPs que receberam nomes de outros países

Já que mencionamos Nurburgring, os GPs no local também já receberam um terceiro nome. Em 1997, Hockenheim era sede do GP da Alemanha, e o nome de GP da Europa havia sido concedido a Jerez de la Frontera. Assim, Nurburgring precisou batizar sua etapa de GP de Luxemburgo, nome do país situado a pouco mais de 100 km de distância. Em 1998, o nome foi mantido, mesmo que Jerez tenha ficado de fora do calendário e não utilizado o nome de GP da Europa. 

Ainda sobre GPs que receberam nomes de outros países, não dá para deixar de fora o que aconteceu em 1982. O GP da França foi realizado no circuito de Paul Ricard, mas o país teria uma segunda etapa, na fase final da temporada, em Dijon-Prenois. Esta prova foi chamada de GP da Suíça

Neste caso, vai um pouco além do simples nome, já que a corrida teve participação do Automóvel Clube Suíço na organização. Naquela época, as corridas de carro estavam proibidas na Suíça, como consequência da tragédia ocorrida nas 24 Horas de Le Mans de 55. Então, para poder haver um GP da Suíça, a alternativa foi utilizar o circuito de Dijon, que fica a pouco menos de 200 km da fronteira entre França e Suíça. Mas foi a única vez em que isso aconteceu. Na visita seguinte da F1 a Dijon, em 1984, a prova voltou a ser chamada de GP da França.  

De Pacífico a nome de hotel cassino

Em meados dos anos 90, o Japão recebeu uma segunda etapa no Mundial de F1. Como o GP do Japão já estava confirmado em Suzuka, a nova prova recebeu o nome de GP do Pacífico. Ela aconteceu no pequeno circuito de Aida (hoje chamado de Okayama), em uma região remota do país. 

Em 1994, o GP esteve agendado para o começo do ano, na segunda prova do Mundial, tanto que foi marcado pela penúltima corrida de Ayrton Senna na F1 e o primeiro pódio da carreira de Rubens Barrichello. Em 1995, a corrida foi adiada para a fase final do campeonato devido a um terremoto, e isso proporcionou que Michael Schumacher conquistasse o bicampeonato por lá

Deixamos para o fim o caso dos Estados Unidos. O país já chegou até a receber três corridas em uma mesma temporada, como aconteceu em 1982 – então, obviamente, os nomes das provas precisavam ser criativos.

A cidade de Las Vegas recebeu dois GPs em 81 e 82 – e foi lá que Nelson Piquet conquistou seu primeiro título mundial. A prova ficou popularmente conhecida como GP de Las Vegas, mas o nome oficial do evento era GP Caesars Palace – em referência ao hotel cassino cujo estacionamento serviu como local para construção da pista.

Já as corridas em Long Beach chegaram a ser promovidas como GP dos Estados Unidos do Oeste, ou simplesmente como GP de Long Beach. Detroit e Dallas também batizaram as suas próprias corridas. Isso sem mencionar nada menos do que as 500 Milhas de Indianápolis, que estiveram presentes como etapas oficiais do Mundial de F1 por 11 anos. 

Confira mais detalhes em nosso vídeo especial:


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Bruno Ferreira

Sempre gostou de automobilismo e assiste às corridas desde que era criança. A paixão atingiu outro patamar quando viu – e ouviu – um carro de F1 ao vivo pela primeira vez. Depois disso, o gosto pelas corridas acabou se transformando em profissão. Iniciou sua trajetória como jornalista especializado em automobilismo em 2010, no mesmo ano em que se formou, quando publicou seu primeiro texto no site Tazio. De lá para cá, cobriu GPs de F1 no Brasil e no exterior, incluindo duas decisões de título (2011 e 2012), além de edições das 24 Horas de Le Mans e provas de categorias como Indy e WTCC.