Crescem problemas de calendário do automobilismo com coronavírus

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Assim como a economia mundial, o automobilismo sofre neste começo de 2020 com o coronavírus. O que era antes tratado como ameaça, hoje causa cancelamento de provas em diversas categorias. E mais estragos estão por vir.

Os problemas eram incialmente concentrados na China. A disparada das infecções pelo novo coronavírus no país asiático fez grandes eventos esportivos serem cancelados, e a FIA se viu na situação de adiar, sem a previsão de novas datas, o ePrix de Sanya da Fórmula E e o GP da China, em Xangai, da F1.

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Só que o vírus se alastrou pelo mundo e, até a manhã de 02/03, 58 países já confirmam casos. Na Europa, a Itália se transformou no foco das atenções com a pior crise: são 1.694 infecções e 34 mortes. A França também enfrenta sérios problemas, com 130 casos e duas mortes. Até mesmo o Museu do Louvre está fechado.

Isso tudo faz com que vários países passem a dificultar ou até mesmo fechar as portas para pessoas vindas de locais com tantos infectados. E a questão deixa de ser apenas viajar para a China, como era até um mês atrás.

A MotoGP anunciou no último domingo (01) que a etapa de abertura do campeonato foi cancelada por conta de restrições de entrada no Catar. O país teve seus primeiros casos de coronavírus confirmados na última semana e não quer tantas pessoas vindas de Itália e Japão, onde o número de infectados é grande, chegando com as equipes. As provas da Moto 2 e Moto 3 irão acontecer só porque os times já estavam em Losail por conta da pré-temporada.

A segunda corrida do calendário, que seria na Tailândia, também foi adiada por exigência do governo. Sendo assim, o início do campeonato mundial de motovelocidade deve ser apenas em 5 de abril, em Austin, nos Estados Unidos.

Coronovírus ameaça mais provas da F1

A principal categoria do automobilismo também está com seu calendário bastante ameaçado. Depois do adiamento do GP da China, a categoria agora trabalha para não ter que cancelar a abertura do Mundial, na Austrália.

O problema é que o país está analisando aumentar restrições da entrada de estrangeiros vindos da Itália. O fluxo da China já foi bloqueado. Só que a F1 possui duas equipes (Ferrari e AlphaTauri) e sua fornecedora de pneus (Pirelli) com base na Itália e que podem ter problemas agora para chegarem a Melbourne. Dirigentes da F1 estão trabalhando junto ao governo local e dizem que o GP está confirmado, mas o temor só aumentou nos últimos dias.

Já existe um questionamento sobre se o GP deve acontecer caso funcionários de apenas estes times não possam viajar para a Austrália. “Se algumas equipes não puderam correr por qualquer motivo, e eu não pensei sobre isso ainda e não sou um tomador de decisões, acho que seria injusto começar a temporada”, declarou Franz Tost, chefe da AlphaTauri.

Etapa de Losail, no Catar, da MotoGP foi cancelada por conta do coronavírus
Etapa de Losail, no Catar, da MotoGP foi cancelada por conta do coronavírus (Foto: Dorna)

E mesmo que a corrida australiana aconteça, os problemas seguem. Bahrein, segunda etapa, também está monitorando o aumento de casos em países vizinhos e de outros países e pode aumentar as restrições de entrada. O Vietnam, terceiro GP do ano, é outro países que está com o número de infecções disparando. As eliminatórias de badminton para as Olimpíadas de Tóquio, que aconteceriam no final de março no país, já foram adiadas para junho.

Esporte Globalizado sofre com coronavírus

Na Itália, jogos do campeonato local de futebol já foram cancelados. Em diversos países do mundo, grandes eventos, como o Salão de Genebra, na Suíça, também não aconteceram para evitar multidões e viagens.

O problema de eventos como certames internacionais de F1 e outros é que além do risco para as pessoas que trabalham no esporte ao viajarem para locais com risco de infecção, é o de também elas virem de cidades com problemas (como o norte da Itália) ou até espalharem ainda mais o vírus entre lugares que estão até o momento com a situação controlada. Isso acontece por conta de viagens com conexões, encontro com pessoas em aeroportos que vêm de outros lugares e etc.

Assim, F1 e outras categorias do esporte a motor terão nas próximas semanas não só monitorarem as situação de perto, mas também que manter contato constante com governos que podem levantar a qualquer momento novas restrições de viagem.


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Lucas Santochi

Mais um fanático da gangue que criou vínculo com automobilismo desde a infância. Acampou diversas vezes nas calçadas ao redor de Interlagos para assistir aos GPs e nunca esqueceu a primeira vez que, ainda do lado de fora do autódromo, ouviu o barulho de F1 acelerando pela reta. Jornalista formado em 2004, passou por redações na época da TV Band e Abril, teve experiência na área de assessoria de comunicação esportiva até chegar ao site especializado em esporte a motor Tazio, em 2010. Passou pelas funções de redator, repórter (cobrindo diversas corridas no Brasil e exterior de F1, Indy, WEC, Stock Car, entre outras) e subeditor até o final de 2013, quando o veículo encerrou suas atividades. Trabalhou ainda como redator do UOL Esporte em 2014 até que decidiu se juntar com os outros três membros do Projeto Motor para investir na iniciativa.