Cria da Ferrari, Leclerc mostrou na Hungria por que é candidato a fenômeno

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Todo piloto que um dia sonha em ser grande na F1 precisa ter aquela atuação que evidencia ao mundo que ele se trata de alguém diferenciado. Os principais nomes da categoria no momento já passaram por isso nas divisões de base, quando deixaram claro que eles são feitos de um material diferente dos demais.

No último fim de semana, na Hungria, isso pode ter acontecido com Charles Leclerc. Piloto protegido da Ferrari, o jovem monegasco faz temporada de cair no queixo na F2, onde lidera com enorme margem para a concorrência. Ao todo foram seis pole positions e cinco vitórias – mas o brilho vai muito além dos números.

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Na rodada de Hungaroring, Leclerc havia marcado a pole position, o que dava um impressionante aproveitamento de 100% nos treinos classificatórios da temporada até então. Contudo, ele foi jogado ao fundo do grid após a direção de prova encontrar uma irregularidade técnica em seu carro, da equipe Prema.

Leclerc já é cotado para subir à F1 no ano que vem (Divulgação/F2)
Leclerc já é cotado para subir à F1 no ano que vem (Divulgação/F2)

Partindo de 18º após dois rivais iniciarem a prova dos boxes, Leclerc teve atuação que destacou que ele se trata de um piloto completo. Misturou agressividade para fazer ultrapassagens com maturidade ao cuidar de seus pneus por adotar uma estratégia distinta.

Logo na primeira volta, chegou a ultrapassar nada menos do que seis concorrentes; depois de um safety car, deixou para trás três adversários de uma única vez. A atuação o fez terminar em quarto, o que poderia ter sido ainda mais caso o páreo não se encerrasse atrás do carro de segurança.

Foi uma grande atuação para este piloto de 19 anos, que se coloca na iminência de ser promovido à F1 no ano que vem. Campeão da GP3 no ano passado, Leclerc já tinha uma trajetória de respeito desde os tempos do kart, quando era considerado o único rival capaz de fazer frente ao fenômeno Max Verstappen. Mas a rodada da F2 na Hungria talvez trouxe a cereja do bolo que faltava para levá-lo à principal categoria do mundo com as devidas honrarias.

Assista abaixo à etapa da F2 em Hungaroring, com destaque também para a briga ferrenha entre os postulantes à vitória nas voltas finais.

 

 

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Bruno Ferreira

Sempre gostou de automobilismo e assiste às corridas desde que era criança. A paixão atingiu outro patamar quando viu – e ouviu – um carro de F1 ao vivo pela primeira vez. Depois disso, o gosto pelas corridas acabou se transformando em profissão. Iniciou sua trajetória como jornalista especializado em automobilismo em 2010, no mesmo ano em que se formou, quando publicou seu primeiro texto no site Tazio. De lá para cá, cobriu GPs de F1 no Brasil e no exterior, incluindo duas decisões de título (2011 e 2012), além de provas de categorias como Indy, WEC, WTCC e Stock Car.

  • Dox

    Tá fazendo bonito, com uma pilotagem bem precisa e resolvendo ultrapassagens rapidamente.
    Mas é sempre bom colocar alguns poréns, que às vezes são responsáveis por uma decepção futura.
    Leclerc corre na melhor equipe, a Prema, e acredito que tenha um aporte tecnológico da Ferrari, como simuladores, setups & outras infos.
    Outros fatos corriqueiros é ver pilotos não sendo tão velozes quando sobem um patamar, demorando para pegar intimidade com situações mais exigentes.
    Pegando o caso recente do Vandoorne, que dominou um campeonato de GP2 em sua segunda participação, vemos que está sofrendo para acompanhar o Alonso, baixando a bola dos ansiosos que esperavam mais dele, como eu.
    O que dizer do Palmer, que é também campeão da GP2, sem brilhantismo, e quase veterano, que parece não ter a velocidade necessária para fazer parte da competição.
    E na vida o que mais pesa contra o desempenho é o fator psicológico, que ao chegar à F1 passa a ser bombardeado por situações inesperadas, que precisam ser resolvidas de forma construtiva, o que não é fácil para seres pré-adultos.
    E para entrar na F1, alguém tem que sair, e assim começa o processo tenso desse ambiente onde há duas filas, sendo que a de entrada é bem maior.
    Mas sem dúvidas o Leclerc é hoje o cara que mais tem lentes esperando por ele na F1.

  • Carlos Alberto Junior

    E fato que a nova geração está cada vês mais precoce em mostrar talento e habilidades pertinentes a pilotos já maduros. Obrigado pela informação.

    • Leandro Farias

      Concordo. Por isso tenho simpatia e até uma certa torcida pelo Vandoorne que engordou seu currículo pré-F1 graças a muita paciência e só estreou com 23 anos.

      Se for campeão só aos 30, já valeu a pena!