Das voltas lançadas ao mata-mata: qual é a melhor classificação para a F1?

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*Colaborou Bruno Ferreira

Tentando apimentar a véspera do GP, que cada vez mais sofre por falta de audiência na televisão, a FIA (Federação Internacional de Automobilismo) aprovou na sexta-feira (3) uma modificação no formato dos treinos classificatórios da F1 a partir de 2016.

Vigente no esporte desde 2006, o estilo de qualificação em três estágios será retido. Mas a partir dos sete minutos do Q1 e Q2, a guilhotina começará a funcionar e ceifará o piloto mais lento a cada 90s. A ideia é garantir mais dinâmica à classificação, mantendo os ases na pista o tempo inteiro.

Esta é a quarta vez, num espaço de 20 anos, que a estrutura das qualificações sofrerá mudanças. Da classificação em 12 voltas por sessão até o atual formato, houve experiências interessantes e funestas. Por conta disso, o Projeto Motor resolveu relembrar para você como funcionaram os últimos formatos de treino classificatório na F1. A ideia da pauta surgiu do leitor Antônio Bernardes, a quem agradecemos a sugestão.

 

Qualificação clássica (até 1995)

Ayrton Senna: destaque nos anos 90 com voltas voadoras no fim das qualificações (Divulgação)
Ayrton Senna: destaque nos anos 90 com voltas voadoras no fim das qualificações (Divulgação)

Muitos sentem falta deste formato, que perdurou na F1 desde o início do campeonato nos anos 50 até a temporada de 1995.

Nesta época, a qualificação era dividida em duas sessões de uma hora: a primeira na sexta-feira, à tarde, e a outra no sábado, no mesmo turno. No fim, o grid era definido pelo melhor tempo de cada piloto, independentemente do dia. O limite era de 12 giros por sessão.

Dentro desta configuração, surgiram variações. Na virada dos anos 80 para os anos 90, por exemplo, o número de carros era muito volumoso, o que levou a FIA a organizar uma pré-classificação. Nesta sessão, iam à pista os times que sustentassem as piores marcas num período de seis meses, assim como as escuderias novatas. Os quatro melhores da pré-qualificação avançavam à qualificação propriamente dita, onde os 26 mais rápidos guardavam um posto no grid. Este formato durou até 1992.

Vantagens: O sistema era o mais justo possível, pois dava chance e tempo a todos os pilotos para encontrarem seu melhor rendimento na pista.  
Desvantagens: O fato de o primeiro treino ser na sexta-feira atrapalhava a transmissão de TV, o que permitia que o fã não tivesse a oportunidade de ver ao vivo a volta da pole position.

 

Qualificação em uma tomada de tempos (1996-2002)

Schumacher: recorde de poles com a Ferrari nos anos 2000 (Colombo)
Schumacher: recorde de poles com a Ferrari nos anos 2000 (Colombo)

A partir de 1996, a FIA passou a organizar a sessão classificatória apenas em um dia – no caso, o sábado. Os princípios eram os mesmos do formato anterior, à exceção do acréscimo da regra do 107%.

Este regimento, criado para coibir carros pouco competitivos de alinhar no grid, estabelecia que o piloto que excedesse em 107% o tempo registrado pelo pole position ficaria fora da corrida. A determinação só não seria cumprida em caso de sessões afetadas por chuva.

Vantagens: Assim como em sua “versão estendida”, o treino prezava pela justiça e dava a chance de todos os pilotos encontrarem seu melhor ritmo.
Desvantagens: Muitos carros, especialmente os de ponta, somente iam à pista na fase final do treino, o que por muitas vezes deixava a pista vazia por um longo tempo.

 

Qualificação em volta lançada (2003-05)

Devido ao domínio da Ferrari no início da década, a FIA mudou drasticamente o regulamento técnico e esportivo da F1 para o ano de 2003 e o sistema de classificação foi um dos itens afetados.

A partir daquela temporada, aos moldes da Cart nos anos 90, os pilotos teriam direito apenas a uma volta classificatória, um de cada vez (veja no vídeo abaixo). A ordem de entrada na pista seria definida por uma pré-qualificação disputada na sexta-feira, em que os pilotos preparariam sua volta de acordo com sua posição no campeonato.

Em 2004, a sessão da sexta-feira foi transferida para sábado e a ordem foi designada de acordo com o resultado da corrida anterior. Já no ano seguinte, a estrutura foi novamente modificada, com as duas sessões agora sendo realizadas na tarde do sábado e na manhã do domingo – e ambos os tempos valendo para a grelha de largada.

A partir do GP da Europa, a impopularidade do formato acabou forçando a FIA a extinguir a sessão do domingo para voltar ao que era no ano anterior.

Vantagens: Sistema simples e de fácil compreensão; todos os carros contavam com exposição televisiva idêntica.
Desvantagens: o público via os grandes nomes do grid em ação por um período muito curto de tempo; mudanças climáticas podiam ter grande peso no resultado da sessão. 

 

Qualificação em três estágios ou “mata-mata” (2006-2015)

Hamilton: recordista de poles no atual sistema de classificação
Hamilton: recordista de poles no atual sistema de classificação

Insatisfeitas com o formato de voltas lançadas, as equipes propuseram uma inovadora fórmula eliminatória para 2006. O treino classificatório seria dividido em três partes, com os pilotos mais lentos de cada segmento (os cinco ou seis piores, dependendo do número de carros do grid) sendo eliminados até que dez sobrem para disputar a pole position na fase final.

Inicialmente, a fórmula contava com algumas aberrações. Por exemplo: os carros participantes do Q3 (na época, de 20 minutos de duração) deveriam sair da garagem com o combustível com que iniciariam a corrida, repondo antes da largada somente a quantidade gasta naquela fase. Então, para deixar o carro mais leve, os pilotos passavam os 10 ou 12 minutos iniciais do Q3 “queimando combustível” para, em seguida, irem aos boxes, colocarem pneus novos e enfim marcarem tempos mais competitivos.

Isso foi corrigido em 2008, quando os pilotos do Q3 largariam na prova com o combustível com que terminaram aquela fase. A partir de 2010, com o fim do reabastecimento, os participantes do Q3 poderiam disputar a pole position com pouca gasolina.

Agora, em 2016, o formato de eliminações em três partes será mantido, com a diferença que os pilotos começarão a cair com a fase ainda em andamento. A partir dos sete minutos do Q1 e Q2, a guilhotina começará a funcionar e ceifará o piloto mais lento a cada 90s.

Vantagens: O sistema eliminatório proporciona um item a mais de emoção na definição dos grids.
Desvantagens: O formato por muitas vezes colocavam as favoritas em posição de conforto, enquanto que as equipes menores precisavam se arriscar mais para seguirem adiante.


 

A propósito, queremos saber qual é o seu sistema de classificação favorito na F1. Então não esquece de responder à enquete abaixo:


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Lucas Berredo

Natural de Belém do Pará, tem uma relação de longa data com o automobilismo, uma vez que, diz sua família, torcia por Ayrton Senna quando sequer sabia ler e escrever. Já adolescente, perdeu o pachequismo e passou a se interessar pelo estudo histórico do esporte a motor, desenvolvendo um estranho passatempo de compilar matérias e dados estatísticos. Jornalista desde os 18 anos, passou por Diário do Pará e Amazônia Jornal/O Liberal, cobrindo primariamente as áreas cultural e esportiva como repórter e subeditor. Aos 22, mudou-se para São Paulo, trabalhando finalmente com automobilismo no site Tazio, onde ficou de 2011 até o fim de 2013. Em paralelo ao jornalismo, teve uma rápida passagem pelo mercado editorial. Também é músico.

  • castilho17

    Muito se discute a falta de treinos para o desenvolvimento da F1 atual, então pq não usar a seção de treino qualificatório como treinos gerais. Uma hora (ou 1:30) de pista aberta, sem mimimi com uso e tipos de pneus e peças do carro, quem fizer o melhor tempo larga na frente (considerando que usou um carro dentro das regras para tal volta).

    Desta forma, os carros são exibidos na TV e tanto os pilotos quanto as equipes podem evoluir.

  • Andre Luis Coli

    Ótima matéria, sinto muita falta do sistema “clássico” que durou até 1995, mas pelo resultado parcial estou em desvantagem. Não me lembro de muitas poles terem sido obtidas com o resultado da sessão de sexta-feira, é lógico que devem ter ocorrido, mas eu assistia aos treinos e era muito comum os pilotos serem mais rápidos no sábado. E hoje com 11 equipes no grid não teríamos que ter uma pré-classificação.

  • Antonio Bernardes

    Show de matéria! Valeu equipe Projeto motor pela menção e pela matéria!

  • Gustavo Segamarchi

    Voltas únicas lançadas, claro.

    Essa era o verdadeiro sistema de classificação. É aí que o piloto dava tudo de si e não podia errar.

    Ainda não consegui entender bem o novo sistema na prática. O que é mais definido, é que Mercedes e Ferrari é que vão ter o maior benefício e podem poupar equipamento como Bruno citou naquela análise que ele fez sobre esse novo sistema.

  • Akina SpeedStars

    Pela enquete dá pra ver que este sistema atual é menos atrativo, eu gostaria q voltasse o sistema inicial de duas tomadas de tempo, colocando os pilotos e equipes para trabalhar mais.
    Acho que seria mais emocionante, colocando aquela expectativa: será que os tempos de sábado serão melhores? Se a equipe deixar pra correr pra valer no sabado nao pode chover?
    Seria muito legal.

    • Angelito

      To contigo Akina! Até por esse sistema liberar mais tempo para as equipes prepararem as maquinas pras condições locais.