De Montreal a Jacarepaguá, os locais que já sediaram F1 e Olimpíadas

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Devido à sua grandeza e ao número variado de modalidades, os Jogos Olímpicos requerem estruturas que, em termos de complexidade, nada deixam a desejar em relação aos autódromos mais modernos que compõem o calendário da F1. Por isso, não é tão raro encontrar exemplos ao longo da história de instalações que, em momentos diferentes, receberam duas das mais importantes competições do esporte mundial.

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Com a ocasião do início dos Jogos do Rio de Janeiro, o Projeto Motor lista os locais que sediaram tanto corridas de F1 quanto algumas competições das Olimpíadas – alguns delas ainda estão presentes no calendário da principal categoria automobilística mundial. O texto foi originalmente publicado no extinto Tazio, em 2012, e conta com as devidas atualizações. Confira abaixo!

Montreal, o projeto inteligente

Longas retas de Montreal passam ao lado da antiga raia olímpica
Longas retas de Montreal passam ao lado da antiga raia olímpica

No final dos anos 1970, embalada pelo fenômeno Gilles Villeneuve nas pistas, a cidade canadense de Montreal, em Quebec (região francófona do país, tal como o piloto), mostrou interesse em montar um circuito para receber a categoria de forma definitiva a partir de 1978.

A fim de economizar os gastos da construção de uma pista a partir do zero, a sede escolhida foi a Ilha de Notre Dame, situada às margens do rio São Lourenço. O local, artificialmente criado para receber a Expo 67, na década anterior, foi reformado para que fossem realizadas as Olimpíadas de 1976, nas modalidades de remo e canoagem. A raia olímpica, por exemplo, ficava próxima do atual paddock da F1.

Ao longo dos anos, o circuito Gilles Villeneuve passou por pequenas reformas e adequações, como, por exemplo, a alteração do local da reta dos boxes e de largada, em 1988. Assim, com suas características únicas, a pista tem lugar garantido no Mundial e proporciona uma das corridas preferidas de pilotos e chefes de equipe.

Montjuic: de Emerson Fittipaldi a Marcelo Negrão

Montjuic foi sede do GP da Espanha em 69, 71, 73 e 75
Montjuic foi sede do GP da Espanha em 69, 71, 73 e 75

Situado na montanha de Montjuic, o circuito homônimo teve passagem breve pela categoria, nas décadas de 1960 e 1970, mas nem por isso deixou de fazer história. Com 3,791 km de extensão, a pista já recebia os GPs pré-F1 nos anos 1930, com destaque pela participação de nomes como Tazio Nuvolari, Luigi Fagioli e Rudolf Caracciola.

Após a Segunda Guerra Mundial, o local foi palco de corridas de moto, endurance, F3 e F2. Pelo fato de boa parte dos melhores pilotos do mundo ter participado das provas, como Jim Clark, Jack Brabham, Denny Hulme, Graham Hill e Jackie Stewart, o circuito ganhou relevância internacional para sediar a F1.

Isso aconteceu a partir de 1969, quando passou a se revezar com Jarama, em Madri, como sede do GP da Espanha. O traçado catalão era bastante elogiado pelos pilotos, mas, com o passar dos anos, começou a sofrer críticas por conta de sua estrutura deficiente – especialmente em seus guard-rails, que tinham problemas de fixação.

A questão chegou a níveis extremos na edição de 1975, com a resistência por parte de alguns pilotos, que, liderados por Emerson Fittipaldi, ameaçaram não participar da prova. Mesmo assim, o GP foi realizado, mas com um acidente trágico: Rolf Stommelen perdeu sua asa traseira e decolou para fora da pista, o que matou cinco torcedores. O incidente interrompeu a prova imediatamente e fez com que a F1 nunca mais voltasse ao local.

Quase duas décadas depois, a região voltou a ganhar destaque no cenário esportivo internacional, embora fosse por uma razão completamente diferente. O bairro de Montjuic foi o plano de fundo para a construção da Anella Olímpica, considerada entre as principais instalações para os Jogos Olímpicos de Barcelona, em 1992. No local, situavam-se o Estádio Olímpico, o ginásio de esportes e o complexo de piscinas, entre outras estruturas.

Foi lá que a seleção brasileira de vôlei conquistou a primeira medalha de ouro em esportes coletivos para o país, quando o time, comandado por José Roberto Guimarães e estrelado por Marcelo Negrão, Maurício, Tande e Giovane, derrotou a seleção holandesa por 3 sets a 0.

Sochi, unindo o útil ao agradável

Sochi corre nos arredores do Parque Olímpico dos Jogos de Inverno
Sochi corre nos arredores do Parque Olímpico dos Jogos de Inverno

O nome mais recente desta lista planejou com sabedoria para que dois grandes eventos de escala mundial tivessem estruturas em comum. O GP da Rússia entrou no calendário em 2014, na cidade Sochi, no extremo oeste do país, no mesmo ano em que, no mês de fevereiro, recebeu os Jogos Olímpicos de Inverno.

Projetada pelo arquiteto alemão Hermann Tilke, a pista, situada na costa do Mar Negro, tem 5,848 km de extensão e utiliza parte das instalações montadas para a disputa na neve. O Parque Olímpico, local das cerimônias de encerramento e abertura, competições de hóquei, patinação artística e de velocidade, curling, entre outros, hoje abriga os boxes do circuito de F1.

As obras do autódromo, avaliadas em mais de R$ 390 milhões, foram concluídas somente após os Jogos – o asfalto foi colocado depois do fim da competição. Porém, trataram-se apenas de alguns retoques, já que a estrutura estava praticamente pronta para receber a F1 após o fim dos Jogos Olímpicos de Inverno.

Jacarepaguá, a menção triste da lista

Circuito onde era pista de Jacarepaguá hoje está assim
Circuito onde era pista de Jacarepaguá hoje está assim

O tradicional autódromo de Jacarepaguá, no Rio de Janeiro, palco de dez GPs do Brasil nos anos 1980, já participa das estatísticas de locais que receberam competições olímpicas e da F1. Contudo, ao contrário do que se passou com Sochi ou Montreal, o circuito carioca deixou de existir para que fosse construído o Parque Olímpico para os Jogos de 2016.

O local receberá as provas de hóquei na grama, tênis, ciclismo, saltos ornamentais, polo aquático, nado sincronizado, natação, ginástica artística, entre outras modalidades. Em julho de 2012, o autódromo de Jacarepaguá recebeu as últimas provas de sua rica história, pouco depois do início das obras para a construção do Parque Olímpico. O governo do Rio de Janeiro prometeu a criação de um novo circuito, no bairro de Deodoro, para compensar a destruição da pista de Jacarepaguá – mas, para a surpresa de ninguém, o projeto não saiu do papel.

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Bruno Ferreira

Sempre gostou de automobilismo e assiste às corridas desde que era criança. A paixão atingiu outro patamar quando viu – e ouviu – um carro de F1 ao vivo pela primeira vez. Depois disso, o gosto pelas corridas acabou se transformando em profissão. Iniciou sua trajetória como jornalista especializado em automobilismo em 2010, no mesmo ano em que se formou, quando publicou seu primeiro texto no site Tazio. De lá para cá, cobriu GPs de F1 no Brasil e no exterior, incluindo duas decisões de título (2011 e 2012), além de provas de categorias como Indy, WEC, WTCC e Stock Car.

  • Leandro Farias

    Francamente… Eu dou um pouco de razão ao Hunt quanto à reclamação dele de o circuito de Interlagos ficar socado em uma grande metrópole (se ele não tivesse morrido em 93, a F-E teria infartado ele).

    Se for pro estado do RJ voltar a ter autódromo em uma praça tão atraente quanto era Jacarepaguá, que estudem a Região dos Lagos pra construir um autódromo lá.

  • achsanos

    Tranquilo. Quando precisarem de um autódromo é só derrubar o complexo olímpico e construir por cima outra vez.

  • Rodrigo Figliolini

    Esse circuito de Sochi é animal. Foi uma Olimpíada muito cara, bom ver esse retorno, além de um aspecto saudosista (pelo menos para mim) que esse circuito traz.