Debate Motor #77: O que aprendemos com a passagem de Alonso pela Indy 500?

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Passada a turbulência de expectativas envolvendo a participação de Fernando Alonso nas 500 Milhas de Indianápolis, a poeira enfim baixou. Chegou a hora, então, de entender exatamente o que a passagem do espanhol pela lendária corrida americana representou para o automobilismo moderno, e quais lições isso pode ensinar.

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Há tempos não víamos um nome de destaque na F1 migrando de maneira séria aos Estados Unidos. O que a edição de 2017 da Indy 500 diz a respeito de Alonso, da Indy e do automobilismo como um todo?

Este é o tema da edição #77 do Debate Motor. Assista, deixe seu comentário!

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Projeto Motor

Automobilismo além da notícia!

  • Dox

    Normalmente eu comento antes de ver a opinião do Projeto Motor.
    No esporte sempre desconfiei de excessos e de muita conversa, quando temos que analisar desempenhos e seus resultados.
    Eu tinha antipatia pelo Schumacher devido ao seu caráter (suposto, pois não o conhecia pessoalmente), já que como piloto ele foi sensacional.
    Hoje tenho pelo Alonso o mesmo sentimento, pelo mesmo motivo, sendo que já o ovacionei por ter interrompido a hegemonia do hepta-campeão vigarista.
    Logo quando Alonso destronou o Schumacher, ao final de 2005, ele resolve assinar com a McLaren, ainda tendo que correr em 2006 pela Renault, o que me soou um pouco estranho e incomum, para não dizer anti-ético, já que hoje vemos pilotos sendo deixados de lado pela equipe em provas finais de campeonato, quando ela está ciente da saida dele.
    Essa contratação deve ter contido a exigência de a McLaren ter que se livrar do seu piloto de ponta (Kimi) para que o espanhol tivesse mais atenção e conforto, o que acabou acontecendo, e que acabou sendo melhor para o finlandês.
    Assim que a temporada de 2007 se desenrolou, todos viram o espanhol incomodado por inesperadamente não conseguir superar seu companheiro, jovem estreante na categoria, que ele não se preocupou em se precaver contratualmente para assegurar prioridade de tratamento.
    Devido a isso, ele provocou problemas ao longo de uma temporada em que, ponderadamente, foi batido dentro do time, e que decidiu favorecer a Ferrari na armação em que fisgaram a McLaren, executando literalmente uma cuspida no prato em que estava comendo.
    Provavelmente foi neste momento que recebeu a proposta de Maranello, que também deveria se livrar (novamente) do Kimi, mas desta vez com mais dificuldade burocrática, fazendo-o optar por ser “rebaixado” por 2 anos para a Renault, enquanto Kimi também teve que parar por 2 anos, ainda sendo piloto da Ferrari, tendo esta que desembolsar valores acima do normal, para poder reconquistar sua hegemonia com o suposto “melhor piloto do grid”, o que nunca aconteceu.
    Na Renault, foi um dos protagonistas do maior escândalo da história, ao ser beneficiado por uma manobra de marketing da equipe, que provavelmente estava sob pressão por resultados, por parte da matriz, ao conseguir aquela vitória em Cingapura.
    Alonso sempre costumou atribuir suas derrotas ao carro, em sua estadia na Ferrari, descrevendo seus adversários como possuidores de equipamentos melhores, para poder se safar das críticas por perder 2 campeonatos que estavam em suas mãos: o de 2010 e o de 2012, da mesma forma que atribuiu seu desempenho na McLaren ao lado de Hamilton a uma inexistente preferência da equipe pelo novato inglês, fato impossível de se aceitar, sabendo-se que a equipe estava lhe pagando uma fortuna.
    Em 2014, já de aviso prévio, pois Vettel já estava engatilhado pela Ferrari, não conseguiu sensibilizar nenhuma equipe de porte para tê-lo, já que sabiam quem estariam contratando, e acabou parando numa McLaren totalmente descaracterizada em relação aos seus anos de glória.
    Com uma postura de contribuir para reerguer a equipe, e recebendo o maior salário da F1, não se conteve e passou a humilhar publicamente o carro que conduzia, atingindo diretamente uma grande montadora e também engenheiros, mecânicos e chefe de equipe, além de ajudar a inibir o interesse de patrocinadores de participarem da empreitada.
    E eis que, no meio de seu último ano de contrato, e com a gigantesca necessidade de ajudar seus parceiros de equipe, ele resolve que precisa engordar seu currículo para buscar uma fajuta Tríplice Coroa, que hoje nenhuma das 3 provas têm o mesmo valor de antigamente.
    Mônaco praticamente se vence na classificação, pois não dá para ultrapassar, Indy 500 é uma prova de uma categoria que reune pilotos de terceiro escalão, e Le Mans tem hoje no máximo 8 carros da categoria mais rápida, a LMP1, com chances de vitória.
    Passamos o mês de maio todo só lendo sobre a ida do Alonso para as 500 Milhas, sua evolução nos intensos e inúteis treinos, para depois vê-lo fazendo uma primeira metade de prova de maneira afoita, tentando liderar para “sair na foto”, e que no terço final já estava sendo superado pelo inexpressivo substituto do Bourdais, que recebeu o que havia no fundo da garagem da equipe, não treinou nenhum dia na pré-fase, não fez classificação e tinha largado em 33º, também conhecido como “último”.
    Pode-se enumerar outros desempenhos melhores que o do Alonso, efetuados por pilotos como Kimball, Jones, Chilton, Sato, etc, pois não há como ponderar o desempenho do suposto “melhor piloto do mundo” lhe atribuindo a inexperiência da prova, já que ele mesmo alega que poderia ter vencido se o carro não quebrasse.
    Ficou claro que estava desgastado na segunda metade, e não iria ter um resultado satisfatório.
    Devido aos excessos (midiáticos) que citei no início deste “breve achismo” é que ainda estamos arrotando o que devoramos no mês passado, devido a uma forte promoção de um evento que não tem o mesmo real valor que já teve.
    Acho que seria mais interessante haver uma matéria sobre a vitória sensacional do automobilismo japonês do que sobre um perdedor já decano.

    • Fala, Dox!

      Interessante seu comentário. Concordo com algumas coisas, discordo de outras, mas entendo que são visões diferentes – não consigo dizer que você está errado, mas sim que tenho impressões diferentes sobre o assunto.

      Mas só é preciso levantar dois pontos:

      1 – Foi o James Davison que substituiu o Bourdais, não o Ed Jones. O Jones é piloto regular da Dale Coyne, inclusive tendo feito todos os testes e as provas de abertura da temporada.

      A Dale Coyne veio forte para a prova – o Bourdais poderia até ter lutado pela pole, enquanto que o Jones foi o melhor dos pilotos que não passaram ao Fast Nine, de modo que largou em 11º. Ou seja, não é bem um cara que caiu de paraquedas por lá, e sim um campeão da Indy Lights que tinha uma estrutura OK, fez todo o trabalho de preparação e também contou com uma pitada de sorte para ficar à frente nos momentos decisivos.

      2 – A respeito da matéria sobre o automobilismo japonês, já publicamos um material sobre o assunto: http://projetomotor.com.br/vitoria-na-indy-500-alca-japao-ao-seu-lugar-de-direito-no-automobilismo/

      Valeu pela participação de sempre!

      • Dox

        Então, Brunão … foi do Davison que eu falei.
        Ele estava andando em terceiro, mas na relargada da bandeira amarela do Alonso, depois de perder posições no pit, foi tocado por trás pelo Serviá, e acabou para ele.
        Como eu disse, muitos “ninguéns” fizeram muito mais que o Alonso, e graças à minha antipatia que tenho por ele (não, não sou imparcial), não me conformo com injustiças, desatenções ou coisas parecidas por parte de quem transmite e de quem comenta, bem como de quem babou por um desempenho que para mim não foi lá essas coisas.
        Mas a narração yankee estava atenta e se surpreendendo com o desempenho dele.
        Em tempo: discordo do Tony e concordo com Hamilton.
        Dá uma olhada depois das 3:30 de video e confira se não falei besteira, pois tô véio e posso ter deixado passar algum detalhe.
        Segue uma foto e o video da corrida.

        https://uploads.disquscdn.com/images/bf1b55cb1eeb384587bc29c5ab36bf849358f3d3bbfb3132357973ef655b1536.jpg

        • Hahahahah, você não falou besteira. É sempre bacana trocar ideia contigo.

          Mas vou naquilo que até mencionei no vídeo, sobre competitividade e aleatoriedade. A Indy 500 tem muito desses dois itens e precisamos saber separá-los justamente para não sermos injustos.

          O Davison, por grandes diferenças estratégicas e maluquices de bandeira amarela, chegou até a liderar a prova. Mas aquela não era a sua posição de fato, já que os demais estavam com táticas distintas.

          Três voltas depois de dada a bandeira verde, as coisas começaram a voltar ao normal, e o Alonso, quando abandonou, já tinha passado o australiano.

          De forma alguma quero desprezar o trabalho do Davison – por mais que ele já tivesse experiência em Indianápolis, o fato de ele ter assumido o carro em cima da hora e ter feito um bom trabalho é notável. Mas daí para dizer que ele “fez muito mais que o Alonso”, que foi altamente competitivo o tempo inteiro, acho que é uma distância maior – e o mesmo se aplica ao Kimball, Jones e etc.

          Essas poucas voltas que você mencionou não são o reflexo do que aconteceu durante a corrida – a única exceção são justamente esse recorte que você usou. Em todos os demais momentos o Alonso estava andando bem, sendo competitivo e sólido, então não acho que haja algum piloto que tenha feito muito mais que ele durante o evento…

  • Antonio Manoel

    Como comentei algumas vezes em debates pela internet, torci pela primeira vez na vida para o Alonso nessas 500 Milhas de Indianápolis por esperar uma surpresa no automobilismo (por conta de todas as circunstâncias que situações trazidas por esse evento), o que me fez ir mais com a cara dele e valoriza-lo mais, o que me fez lamentar o abandono dele da corrida e esperar que ele volte futuramente para o oval de Indiana.
    Acredito que a minha mudança de visão sobre ele não foi só minha, mas de muitos outros telespectadores do automobilismo e acredito que parte disso veio da lição dada pela ida do Alonso não só do talento dele como piloto, mas também da evolução da F1 comando da Liberty Media e da McLaren no comando de Zak Brown respectivamente, que foram abertos à essa ideia, o que não seria possível caso ambas estivessem ainda no antigo comando.

    Resumindo meu extenso comentário (feito aqui porque eu provavelmente não poderei participar do debate ao vivo), a lição é além da mudança da McLaren e da F1 em suas novas direções, o talento e arrojo de Alonso que estão opacas com a bomba que ele tem na F1.